Por que a Maconha continua Proibida em 2013

Princípio da Infalibilidade Papal:

“O Espírito Santo desce sobre o Papa Gregório I, por Carlo Saraceni, pintura de 1610, Roma.

A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), ex cathedra, está sempre correto. Isto porque, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. O uso da infalibilidade é restrito somente às questões e verdades relativas à fé e à moral (costumes), que são divinamente reveladas ou que estão em íntima conexão com a Revelação divina. Uma vez proclamadas e definidas solenemente, estas matérias de fé e de moral transformam-se em dogmas, ou seja, em verdades imutáveis e infalíveis que qualquer católico deve aderir, aceitar e acreditar de uma maneira irrevogável. Logo, a consequência da infalibilidade é que a definição ex cathedra dos Papas não pode ser revogada e é por si mesma irreformável.

As declarações de um Papa em ex cathedra não devem ser confundidas com ensinamentos que são falíveis, como uma bula. A infalibilidade papal foi longamente discutida e ensinada como doutrina católica, tendo sido declarada um dogma na Constituição Dogmática Pastor Aeternus, sobre o primado e infalibilidade do Papa, promulgada pelo Concílio Vaticano I. A Constituição foi promulgada na Quarta Sessão do Concílio, em 18 de julho de 1870, pelo Papa Pio IX”.

 

“A Igreja Católica usa duas personalidades Legais com as quais conduz seus assuntos internacionais: a primeira é o Estado Internacional, o Estado-Cidade do Vaticano, no qual o Papa é o Chefe de Governo. A segunda é a personalidade suprema Legal sobre todas as outras personalidades legais pela qual todas as propriedades e “criaturas” são súditos.

O reforço Legal da Igreja Católica como Santa Sé depende das aderências contínuas a estatutos legais, definições, convenções e pactos [como foram acumulados desde a Idade Média] com relação à primazia do Papa sobre todas as propriedades e criaturas. Estes estatutos, convenções e pactos permanecem a fábrica e fundação do sistema legal moderno na maioria dos Países no mundo.

Para estender sua força legal usando sua segunda personalidade, a Igreja Católica considera a região controlada por cada bispo uma Sé.

A Igreja Católica Romana mantém que o conceito de Santa Sé veio de São Pedro [...]”.

De acordo com os dados, o Papa Bonifácio VIII passou uma Bula Papal em 25 de Fevereiro de 1296 que decretava que “todos os prelados ou outros superiores eclesiásticos que sob qualquer pretexto ou cor que seja, sem autoridade da Santa Sé, pague para o público em geral qualquer parte de seus recebimentos ou dos fiscos da Igreja, e igualmente, todos os imperadores, reis, duques, condes, etc. que recebam tais pagamentos, serão eo ipso sentenciados com excomungação”.

Esta Bula Papal foi em resposta à crescente promulgação de papéis e cartas por nobres ao longo da Europa seguindo da Carta Magna em 1215.

O Papa Bonifácio VIII também associou um segundo e mais significante conceito à idéia de Santa Sé quando ele declarou por volta da mesma época que “cada criatura está sujeita a autoridade do papa”. O Papa Bonifácio VIII mais pra frente reforçou o veículo legal da Santa Sé em 1302 quando ele passou a Bula Papal Unun Sanctum dizendo: “Nós declaramos, dizemos, definimos, e pronunciamos que é absolutamente necessário para a salvação de cada criatura humana estar sujeita ao Pontífice Romano”.

A personalidade legal da Santa Sé se tornou instrumental na Igreja Católica estabelecendo um dos negócios mais lucrativos da Idade Média: O Comércio Internacional de Escravos. Essa indústria, inicialmente controlada por Portugal e Espanha só foi possível devido aos únicos atributos clamados da Santa Sé.

Contudo, um novo desafio surgiu com as expedições propostas para as “novas terras”, tanto pela Espanha quanto por Portugal, e como estes deveriam ser resolvidos. O Papa Sisto IV [1471-1492] ajudou em resolver a disputa com Espanha e Portugal, seguindo o Tratado de Alcaçovas, passando a Bula Papal Aeterni Regis em 1481, a qual garantia as terras “ainda a serem descobertas” bem como a costa ao oeste da África desde Guiné até Portugal.

Quando a Espanha patrocinou/endossou a expedição Marinha Papal para clamar o Novo Mundo sob o comando de Cristóvão Colombo, o Papa Inocêncio VIII [1484-1492] estendeu o conceito da Santa Sé para agora ser literalmente todos os oceanos inteiros com todas as terras que houvessem nele. A Cristóvão Colombo foi dado o título legal especial de Governador e Capitão-General das Índias, Ilhas e Terras-Firmes do Mar Oceânico.

A palavra “Índias” não se refere às ilhas agora conhecidas como Caribenhas, mas um termo definindo o conceito da Igreja Católica Romana sobre as “criaturas” humanas sujeitas ao clamado controle legal do Papa.

Sob o comando do Papa Inocêncio VIII, o papel da Inquisição e Inquisidor mudaram para aumentar sua autoridade legal e espiritual quando despachavam/enviavam os “hereges”. Por volta de 1483 Tomás de Torquemada foi nomeado Inquisidor General de Aragão, Valência e Catalunha.

Seus torturadores e milícia especial foram então abençoados e declarados na mais alta ordem sagrada da Igreja Católica Romana, ou, Cavaleiros das Sedes Sacras.

Como a ordem militar da Igreja Católica Romana, os Cavaleiros das Sedes Sacras foram outorgados pelas ordens legais do Pontífice Romano em nome da Mãe Igreja para trabalhar constantemente na Santa Inquisição contra todos os hereges,e isso incluía cometer assassinatos, torturas e contra-inteligência, para proteger o nome da Santa Igreja Católica Romana e diretamente representar os interesses da Santa Sé como sua ordem primária de Santos Cavaleiros”.

A maioria das pessoas, simples mortais, mesmo lendo com tantos detalhes o texto acima sobre o que é a Santa Sé, ou “o que foi” a Santa Sé como a grande maioria acredita, acha que a sua consciência livre não está sujeita ao Papa. Mas tá enganado. A dificuldade em aceitar, ou mesmo, entender, é que não se admite essa possibilidade. A primeira resposta imediata da razão é que “essas coisas não existem”, “a Santa Sé não existe”, e a resposta imediata é que essa pequena investigação mental vai dar em Cristo, e de uma forma inocente, mas carregada de “preocupações” [eu diria: medo] só que esta também possui uma atitude reflexiva. Mas sem entrar em detalhes, mesmo porque não possuo tal capacidade, digo, expor todas as perturbações humanas que cercam a fé, ou ainda, sem o poder de entender todas as interpretações de Cristo e suas possíveis manifestações, concluo que tudo isso é resultado da representatividade da Santa Sé, ela possui uma Autoridade de Cristo. Por isso, tendenciamos a não julgá-la e aceitar a conformidade de que aquilo não foi praticado por uma instituição, mas que “pessoas demoníacas se apoderaram da Instituição em alguns momentos e praticaram tal coisa”. Impressionante. Está escrito nos Cânones que uma Bula não pode desdizer a outra, elas são como elos de uma corrente. Seria possível que os 266 Papas erraram? Seria possível acreditar que um Papa agiu de forma ditatorial sobre seus cardeais? Que qualquer documento editado não possuísse um Conselho, não possuíssem uma ampla apreciação interna? E que tudo isso estaria de acordo com uma legislação Secularmente preexistente? Será que seremos tão hipócritas [Como diria Cristo aos fariseus]? Curioso é que em Matheus 23, as Bíblias protestantes traduziram a palavra hipócritas para infiéis, mas a palavra é hipócrita, esta é a que está presente na Bíblia em latim. Jesus dá um bom exemplo naquele momento sobre o que é a posse. A Bíblia toda é um enorme Tratado de Posse. Não é de se estranhar que a Igreja Católica em 1200 se julgasse dona do mundo.

Cristo explica aos fariseus sobre o que veio fazer de fato na terra, quando tenta explicar sobre os templos e oferendas e sobre Sua missão, a submissão da alma, ele não aceita outra coisa, é isso que dá valor ao ouro, mas infelizmente, ninguém entendeu. Isso acontece porque Cristo nunca foi um especialista em Direito Civil, não deixou um código pra regular as relações sociais, nem tampouco de Direito Administrativo, pra regular a ação do Estado sobre as Pessoas. Chego a achar que foi um desvio de conduta de Cristo, mas a resulta o liberta de qualquer crucificação. Não estou no entanto o isentando da autoria, sua consciência ab-rogadora não nos  conduziu em um Processo Penal compromissado com a verdade, ao contrário, nos destituiu de qualquer julgamento, daí que o problema da posse persistiu, ainda que você escacaveie a Bíblia à procura de indícios sobre as relações de troca no universo material, você não vai encontrar absolutamente nada nos Evangelhos, você vai encontrar no Antigo Testamento, Deus teria dito que a Terra era do homem, no entanto, na visão ex cathedra de Cristo, não se manifestou contrário à escravidão, nem ele nem seus apóstolos, até porque o Cristianismo prega a servidão, um complexo sistema de valores que norteiam a submissão, pra sua visão de época não havia como prever que um dia o homem adquiriria a sua liberdade individual, deixando de ser uma mercadoria intercambiável. A escravidão era um modelo de época, seja por dívida, seja por derrotas, seja por opressão política, de modo que Cristo não definiu limites da liberdade do corpo, no sentido restrito de posse, achou que a submissão da alma era o suficiente pra regular o corpo, a posse física, e essa é inquestionavelmente uma falha irremediável do Cristianismo. Um bom exemplo disso é o livro de Fílemon de Paulo, criando as condições pra que a Igreja Católica preenchesse essa lacuna, estendendo a posse ao ser humano, a natureza e a todo o Universo. A Inquisição, assim como a Escravidão, é fruto de uma aderência ao mundo externo ao Cristianismo, e não apenas uma maluquice de época. Santo Agostinho, muito bonzinho, é considerado o Autor Intelectual da Inquisição, em suas várias obras, buscava de uma forma investigativa critérios para através da tortura física purificar o espírito, em sua interpretação, o fogo era a melhor delas. Mas mais uma vez a sua fonte inspiradora foi o próprio Cristo, o Trono Branco [Romanos 2-12; agora, existe uma lista bem ampla que exorciza essa questão, bem como falas de Cristo, que iluminou a cabeça dessas mentes brilhantes: Apocalipse 20:11-15, Apocalipse 20:7-15, Apocalipse 20:12, Salmos 28:4; Salmos 62:12; Romanos 2:6; Apocalipse 2:23; Apocalipse 18:6; Apocalipse 22:12, Apocalipse 20:12, Apocalipse 17:8, II Coríntios 5:10, Mateus 25:31-36 a 46, II Coríntios 5:10, Romanos 14:10-12]. Não digo que Cristo seja um culpado propriamente dito, mas deu margem pra tudo isso. Frases infelizes como “aquele que não está comigo está contra mim” reforçam essa questão; posições universalistas de que religião deve ser estendida a todos e de formatação da moral, a extirpação do mal, como o do Sermão da Montanha, “arranca o olho, corta a mão... se o mal te possui”, dão margem para essa interpretação “demoníaca”, bem como a maneira estúpida e desequilibrada com que tratava os fariseus. Curiosamente, foi um fariseu, José de Arimatéia, que o tirou da cruz, comprou-o um lençol [o sudário] e ainda o enterrou no túmulo de sua família. Não dá pra entender de uma forma honesta a linearidade de um ser que teve sua trajetória interrompida. Não se sabe se ele manteria suas mesmas visões ideológicas se vivesse até os 70, por exemplo, é muito comum o ser humano mudar de opinião ao longo de sua vida, do mesmo modo não se sabe como ele pensava quando era mais jovem, se era da mesma forma como pensava aos 33, e isso não tem cara de honestidade, tem cara de fé, e a fé ao longo da história tem mostrado que não é um bom referencial de conduta humana. No entanto, quando a cannabis entra em choque com a religião, o pensamento mais simples de qualquer Cristão é que “não vai ficar do lado do Demônio e contra a Igreja”, algo que carrega o estigma de Cristo. É ou não é?! De modo que as verdades Bíblicas e as verdades Históricas são duas coisas distintas. Se hoje credenciamos a Democracia com status de Divina, tentamos, de uma maneira inconsciente apagar como se deu suas conquistas.                                                                              

O que se percebe é que a Bíblia é um livro de espírito e corpo, ou corpo e espírito, de modo que se o espírito pertence a Cristo, o corpo tinha que pertencer também, a posse se constituía uma condição sine qua non para o funcionamento do Cristianismo na terra. A Igreja Católica, ao longo da história, e através de seus incríveis intelectuais, pessoas iluminadas, de um vasto saber e com certeza conhecedora dos fatos, dificilmente teria sua fé abalada. Teria Deus mesmo falado com todos esses conhecedores da verdade, responsáveis pela vida de milhões, ou quem sabe até bilhões[?]. É difícil dizer onde vai as bordas místicas da razão, mas seria bom pelo menos admitir que a possibilidade de toda essa possessão existiu.

Por último, eu acrescentaria que os católicos devem agradecer e muito aos protestantes , que criaram todo esse universo de possibilidades, dentre elas o advento da propriedade, como o trabalho sendo o único veículo de adquirir alguma coisa em todo esse universo de disponibilidade que o Cristianismo nos proveu. Deixo aqui uma pergunta: se este foi o preço da Democracia, e se de alguma forma realmente não estamos relacionados com todo esse processo histórico, e que de uma forma intrínseca não só validamos na concorrência de autores como meros coadjuvantes, mas como coautores atemporais.

Do mesmo modo, questiono se todo processo de legalização que cerca a cannabis não se trata de um controle das sementes, com o intuito de uma redução no THC e que tudo isso não se trata de uma possessão, uma tentativa de torna-la parte do corpo de Cristo, à medida em que a propriedade é função da liberdade, seria contraditório supor que o corpo possua algo que não seja posse de Cristo, entraria em choque com o espírito já possuído, veja que no caso da escravidão o processo é análogo: os escravos tiveram que ser despossuídos primeiramente, para readquirir sua posse dentro de um conceito cristão, como um ato único e direcionado de despossessão da natureza, motivo pelo qual se tornou o principal objetivo desse trabalho, minha preocupação realmente é com a Natureza e com os limites do ser humano, muito mais que um simples usuário que busca o seu prazer pura e simplesmente.

 

José Bonifácio - "Nunca fui nem serei realista puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das esfarrapadas bandeiras da suja e caótica Democracia."

 

Frase de Hitler – “Eu aprendi a maior parte de tudo a partir da Ordem dos Jesuítas. ...Até então, não houve nada mais impositivo na terra do que a organização hierárquica da Igreja Católica Romana. Uma boa parte desta organização eu transportei diretamente para o meu próprio partido. ... A Igreja Católica Romana deve ser mantida como um exemplo. ...Eu irei lhe contar um segredo. Estou fundando uma ordem. ... Em Heinrich Himmler eu vejo o nosso Ignatius de Loyola”.

 

Frase de Joseph Rovan – “A Concordata entre o Vaticano e a Alemanha Nazista deu ao Partido Nacional Socialista, no qual praticamente todo mundo pensou ser um governo usurpador, se não de fato uma banda de brigadas, o prestígio de um acordo entre o mais antigo dos poderes internacionais [i.e. Roma Papal – o Vaticano]. Foi mais como um certificado internacional de respeitabilidade... Até o fim da guerra o Estado Nazista continuou a pagar a maioria de suas contribuições financeiras que, sob as Concordatas, haviam concordado pagar para a Igreja Católica Romana. ...Será visto que após 1945, o partido governamental, C.D.U. [Partido Democrático Cristão na Alemanha Ocidental] confirmou sem sombra de dúvidas a validade da Concordata de 1933 concluída por Hitler”.

 

Frase do Cardinal Jesuíta Innitzer (Arcebispo de Viena) –Os padres da Igreja Católica Romana e os fiéis devem, sem hesitação, abraçar a ótimo estado Alemão [i.e. Alemanha Nazista], e o Fueher [i.e. Adolf Hitler] que tanto se esforça e batalha pra instalar [Ed.: Nazi] o poder da Alemanha, honra e prosperidade, está de acordo com os desejos da Providência”.

 

 

A planta cativeiro

Nenhuma planta da natureza é escrava da semente, ela é livre pela natureza, pra que possa germiná-la.

 

Parte do trabalho “Por Que a Maconha foi Proibida em 1830”.