A Tolerância e o Vício

 

Se você não gosta de ler muito, nem da opinião de terceiros, vá direto pro tópico dois.
Você já deve ter se perguntado alguma vez se o álcool é perigoso mesmo, afinal de contas, é uma droga liberada, todo mundo bebe, raríssimas pessoas não. Existem as que pararam de beber ou as que ainda não experimentaram e, dentre essas, pouquíssimas irão permanecer assim, o álcool faz parte de nossa cultura e está presente massivamente em tudo que fazemos ou usamos, um simples pãozinho francês pode conter 2g de álcool. O álcool está presente nos remédios, na gasolina, até na cocaína, de modo que o álcool está presente no corpo humano. Mas, curiosamente, não está presente na natureza viva, como um átomo, sem depender de reações. Falo do etil álcool [C2H5OH], aquele encontrado nas bebidas alcoólicas (95%), onde o sistema americano estabelece [uma taça de vinho-um copo de whisky-um como de cerveja como parâmetro de equivalência respectivamente]. E basicamente, o que se passou a beber de uma maneira responsável, 3 a 4 drinks por noite, com uma média de no mínimo meia hora entre um drink e outro. Considera-se isso uma forma de não botar em risco a sua vida e a de outros. A isso está ancorado o princípio moral da Temperança, mesmo o álcool sendo divino, esse conceito é aplicável: até o álcool em excesso faz mal. Ficar embriagado é sustentado pela moral. O curioso é que o NIAAA americano afirma: que nenhuma quantidade de consumo de álcool é considerada inteiramente segura e sem nenhum risco, ou seja, qualquer quantidade que seja pode se constituir um risco de vida.
A primeira vez que é mencionada a palavra "'álcool" na Bíblia é em Noé, e Deus não o recriminou por isso, digo, por ter se embriagado e ficado nu na frente dos seus filhos e deitado de cara no vômito, inconsciente. Ao contrário, Noé amaldiçoou seu filho por ter lhe ajudado.
O que se tira dessa passagem é que uma pessoa de conduta ilibada não pode ser censurada pelo seu estado de embriaguez, sob pena de ser castigada. O álcool possui imunidades morais e tal conduta entre Deus e a criatura foi reforçada por ninguém menos que Cristo, admitindo que, em termos democráticos, não existe nada a + que Cristo. Em seu primeiro milagre, transformou 600 litros de água em vinho, e de boa qualidade. Segundo a Bíblia, quando Cristo chegou, os convidados já estavam "meio altos", o que indica que eles já estavam no linear da tolerância. No entanto, Cristo não atentou pra isso, oferecendo a todos um consumo de alto risco, demonstrando que de fato não se importava com o estado de embriaguez. Foi o seu primeiro milagre em público. Ele gostava de corrigir os judeus, no entanto, se omitiu, ab-rogou em favor do álcool.
Isso é confirmado em outra passagem, a Santa Ceia, onde ele mesmo mostrou tanto a fraqueza quanto a necessidade de beber. E pediu ajuda a seu pai, havia um compromisso importante naquela noite e ele precisava estar sóbrio, e nessa mesma passagem no Evangelho de Mateus, ele reafirma perante seus apóstolos que naquela noite ele não beberia com eles e só beberia outra vez com eles no céu. Ora, ele retrata algo que fazia constantemente, bebia com seus apóstolos. Por três vezes naquela noite, Cristo voltou e encontrou seus apóstolos dormindo e embriagados, não reclamou por isso, mas por querer orar e não tinha atenção naquele momento, reforçando a teoria de "não beber quando se tem um compromisso", ou seja, nem sempre você precisa estar embriagado, existem momentos em que é necessário uma sobriedade. Seria essa a temperança que a bíblia se refere?
É verdade que Cristo não deixou nenhum código civil, de modo que, em linha geral, Cristo não é claro com o que se deve beber ou o que se deve comer, em Mateus 6:25 Jesus disse "não se preocupem com suas vidas, o que vocês vão beber ou comer, ou com seus corpos, o que vocês vestirão[...]". Usar, bebercomer, os verbos atingem em cheio a estrutura da vontade que poderia se associar com o vício, você ser levado a entender pela via da escassez, mas é pela via da necessidade algo bem mais amplo. Em outras palavras, o que Cristo quis dizer é: qualquer coisa que você faça ao corpo, inclusive o suicídio- nem Cristo nem a Bíblia falam nada sobre suicídio, no Gênesis original Judaico, o mandamento não é "não matarás", mas "não assassinarás", matar outrem sem motivos.
Ele não impôs nenhuma proibição ao corpo, mas nos revelou uma fraqueza: o álcool, "a carne é fraca", e pra muitos estudiosos esta seria a deixa pra não beber. É verdade, mas por mais que se esprema a Bíblia no intuito de isolar o seu princípio ativo, que é basicamente a submissão, tal interpretação não procede, pela essência do pensamento cristão, que é viver com Cristo, e isso inclui as suas fraquezas, afinal de contas, Cristo era humano também, tá correto o veio religioso, basicamente, o católico, de não proibir o álcool. Cristo teria mostrado o sentido da temperança. Entenda que Cristo não tirou a roupa em público, nem ficou largado pelas ruas de Jerusalém, nem tampouco promoveu badernas, exceto o quebra-quebra no templo, mas não há indícios que estaria alcoolizado, em algumas pregações foi acusado pelos fariseus de estar endemoniado. No entanto, nada foi associado, a qualquer conduta moral de cristo é possível conciliar o álcool e o social.  Foi essa analogia que desproibiu o álcool depois de dez anos de proibição, não foi só por motivos econômicos ou porque o consumo aumentou e verticalizou o crime organizado, tanto a proibição quanto a liberação foram de cunho religioso [se você tem dúvida, vide o link: nosso], motivo pelo qual o álcool jamais será proibido em países cristãos outra vez, pois ele já foi exorcizado, ele não é julgável. E de fato é esse o pensamento social.
Pra onde quer que você vá no natal ou no ano novo, não falo nem do carnaval, você vai ver familiares bebendo, difícil mesmo é quem não bebe nessas datas. A questão que envolve a moral e o álcool pode ser melhor entendida como "se você sair do trilho, é só voltar pro trilho outra vez", e isso afina com a analogia do pecado/perdão, que é totalmente sinérgica com a ideologia cristã da temperança, o tal do "beba moderadamente", ou, em outras palavras, "seja tolerante com o álcool".
 Bom, praqueles que consideravam o álcool um pecado, espero ter ajudado: ele não é. Só não se esqueça de se arrepender, algo que certamente você fará no banheiro, pelo menos no de sua casa, ou no chuveiro, ou na calçada, vai depender muito da habilidade de você não encontrar o poste no caminho, e nem precisa beber muito pra isso. Estatísticas OMS apontam que 38% dos acidentes fatais registrados em 2012 foram de pessoas que beberam pouca quantidade, a maioria jovens.
A questão do arrependimento, ele é necessário pro contexto espiritual, ele soa como uma pena, não é uma sentença, o álcool possui o princípio ativo no propósito, uma cláusula resolutiva, que dá direito a imunidades morais.
Bom, esquecendo a Bíblia de lado, acho que todos concordam que é mais ou menos isso que acontece. À luz dos eventos, não me parece falho, e existe uma certa coerência em meus pensamentos. De fato não estou procurando encontrar defeitos em Cristo, apenas não bebo, é importante você saber quem você é, mas não menos importante é você saber quem é o seu juiz e, nessas condições eu me sinto realmente à vontade de julgar Cristo, condeno todos os seus atos que envolvem o álcool, não porque não gosto de álcool, não porque reprovo a postura moral de Cristo frente ao álcool, não por o álcool ser uma droga lícita, ou porque sou usuária de cannabis e não bebo, isso não é um revanchismo, é verdade que não aguento a chatice do alcoolizado, nem o cheiro e nem o bafo, também não é por o álcool ser considerado um veneno, mas por ele ser tóxico, responsável indireto e direto por 67% das mortes mundiais  [OMS/2010], de modo que o álcool pode ser então entendido como uma primeira tentativa de dimensionar o vício, a experiência com Cristo retrataria melhor que o ser humano é capaz de vencer a morte, mas não é capaz de vencer pequenos vícios, digo, naquele momento Cristo entendeu melhor que Deus essa fraqueza humana, não que ele não fosse Deus, talvez ele não fosse, isso explicaria melhor essa bipolaridade que cerca o cristianismo, uma divisão entre católicos e protestantes. Os protestantes em linha geral são contra o álcool, estão certos do ponto de vista moral e errados do ponto de vista de Cristo. O álcool é realmente tóxico, um veneno, por assim dizer, foi necessário a ciência entender algumas coisas que ocorrem nos microssomos a nível de organelas, dentre os estudos mais notáveis e mais recentes sobre a apoxia estimulada pelo cálcio, induzida pelo álcool. Sempre se soube que o álcool produzia tal efeito, mas nunca havia sido compreendido tão bem esse processo. É um estudo pioneiro e referência no mundo todo [http://ir.uiowa.edu/etd/838].
Em linhas gerais, por um sistema chamado PLC, que ocorre dentro da célula, uma proteína [IP3] do retículo endoplasmático, libera cálcio no interior da célula e ocorre a destruição dos tecidos neurais 120 segundos após a sua ingestão [do álcool]. Isso afetaria o gradiente de prótons mitocondrial, produzindo a peroxidação da membrana mitocondrial. O peróxido é algo que só ocorre em infecção e toxicidade, o efeito água oxigenada na ferida. Imagine que o retículo endoplasmático é um bar e libera cálcio pra mitocôndria beber, uma hora dessas você ia encontrar ela largada na calçada. Isso acabaria com a produção de ATP, dentre outras coisas e, consequentemente, a respiração celular. Estes efeitos estão bem descritos abaixo. O interessante é só assinalar que talvez Deus não concordasse com essa bebida intoxicante e que Maomé teria vindo para resolver esse problema do alcoolismo de Cristo. Com certeza você pode achar que isso se trata de um entendimento do vício e que Deus não cobraria algo impossível ao ser humano, estaria implícito se o vício é um pecado então a morte é um defeito, mas se tal procedimento divino existe de fato, deveria ser extensivo às outras drogas também. Perceba que, nesse sentido, a proibição da cannabis não estaria afinada nem com Cristo nem com Deus. Se pressupõe-se a existência de um princípio de funcionamento único da moral, e isso afina com o pressuposto básico democrático, a igualdade, isso não poderia se constituir a espinha dorsal que norteia as proibições, o álcool, a mais mortal, perigosa e tóxica de todas as drogas ser liberada e a cannabis não. A medicínica já se mostrou incapaz de julgamento, ela está indo contra Cristo, o fato de a cannabis pertencer ao hall das heresias, o seu uso estar associado à adoração de outros deuses, não isenta o álcool de sua toxicidade.
Se você está lendo alguma postagem minha pela primeira vez, pode entender os meus dizeres como uma forma de arrogância, ou mesmo, vaidade, uma espécie de soberba, mas isso não é verdade. Acredito que não exista realmente nenhum melhor que o outro, e isso pode levar até os mais espirituosos a um pseudo-conceito de igualdade, mas tal conceito não se realiza quando na outra ponta tem uma coisa melhor que a outra. Por isso ser extensivo às drogas também, a fé não pode estar envolvida na cura do vício, seria no mínimo esquizofrênico, pelo que já foi dito, que a vinda de Cristo estaria associada a solução pro vício, seria admitir uma segunda derrota de Deus frente ao Diabo, o Diabo está por trás da cannabis, não do álcool, seria muita infelicidade pra cannabis, admitir que Deus, em sua infinita inteligência, incluiu o álcool e desincluiu a cannabis. No início, a criação teria sido alterada, uma planta da natureza se corrompeu por causa do Diabo e o álcool, uma bebida processada, não. É inócuo o ser humano justificar suas fraquezas dessa forma, pois seria admitir que a forma que ele deu ao universo não é a forma de Deus e isso não especifica só o álcool e a cannabis, mas a própria democracia e a corrupção também.
Antes que você se predisponha a ler o resto do conteúdo, direcionado a toxicidade do álcool, ninguém vai parar de beber por isso, o motivo já foi explicado, existe o vício, digo, pra grande maioria é como são entendidas as drogas, digo, a medicina não está afinada com Cristo, a começar que Cristo nunca propôs a cura física através do corpo, o mal seria sempre espiritual, em seus milagres ele nunca cortou ninguém. Em todas as vezes que a palavra "physician" aparece na bíblia, soluções físicas assumem sempre um efeito negativo e, pra piorar as coisas, a única vez que um remédio é usado em termos físicos, é o de Lucas pra Paulo, e curiosamente ele receitou vinho pra úlcera -provavelmente péptica- de Paulo. Paulo possuía diversas feridas no corpo e muitos historiadores credenciam isso a uma cirrose hepática. Lucas é considerado um physician, mas como tal, defendia, a exemplo de Cristo, a cura espiritual.
É interessante assinalar que a preocupação com a cura através do corpo só ocorreu numa etapa muito posterior a Cristo. Não menos interessante é que a primeira faculdade na Europa, depois de Cristo, foi a de Medicina, em Salerno, na Itália, no século IX, como igualmente interessante é o processo de apropriação da cultura de outras raças, apesar de Hipócrito ser considerado o pai da medicina, faz jus ao nome, porque o verdadeiro pai foi um egípcio, Imhotep, vale apena olhar a biografia desse rapa. 3500 anos antes de Cristo os egípcios já conheciam anestesia endovenosa, enquanto os europeus ainda usavam o tapa na nuca no século IX. E  não foi só dos egípcios, vários conhecimentos pagãos foram incorporados a esse arsenal de idéias que passaram a compor conceitos de saúde e como o mal físico transmutou novamente, fazendo agora um processo inverso, pra mal espiritual, conseguindo mais recentemente fazer um gap pra mal psicológico, como se não bastasse a histeria, a psicopatia e a esquizofrenia já existentes.
A medicina, ou pelo menos a comunidade cristã, deveria explicar melhor esse processo de apropriação da mente e ver se a medicina fala realmente por Cristo e, em última análise, se tal entendimento está afinado com o álcool, com um melhor entendimento do por quê que o álcool consegue se esconder atrás do vício e de sua toxicidade. E o ponto de partida é muito simples: nem a Bíblia e nem Cristo falam absolutamente nada sobre o alcoolismo e o vício. Incrível, não? Você pode até procurar, mas não vai achar nada, a resposta se esconde em meio a controvérsias e que de uma certa forma isto estaria implícito nos pecados. Os protestantes conseguiram criar uma tabela aleatória dentro dos seus medos inimagináveis, e equacionar quais os vícios que estão relacionados ao Diabo, através de uma fórmula quase química [de tão próximo da medicina que está sua justificação, que acabou por resultar em psicologia]. E isso fez refletir sobre o que de fato a sociedade acredita.
Por inúmeras vezes li e procurei, em idiomas diferentes, livros comprados, baixados, no mínimo teses científicas de grandes universidades do mundo, que gozavam de pelo menos uma unanimidade no meio científico, a tal da "eleição da verdade" que chegasse pelo menos nas vias de esclarecimento, que comprovassem a toxicidade da cannabis, e o máximo que encontrei foram "efeitos psicoativos" e "depressão/dependência", e quando se chega nas equações, nas reações químicas que vão explicar o metabolismo, misteriosamente a tese vai para a psicologia e todo aquele glamour acadêmico dá lugar a uma conversa de comportamento ocupacional do "maconheiro" que envolve o trabalho, o estudo e a família e, de certa forma, Deus e, no final, ele acaba sendo enquadrado como Diabo, de modo que sempre deixa a desejar, não sei se é por má vontade, mas o que eu percebo é que não tem como provar a toxidade da cannabis. Se você pegar uma planta de cana do pé, o máximo que você vai conseguir arrancar dela é sacarose, você teria que ter um volume muito grande de cândida em seu organismo pra transformá-la em álcool, diferentemente da cannabis onde, se você morder uma flor dela, o THC vai estar lá. O etanol não existe in natura nos seres vivos, assim como a sacarose encontrada na cana não é a mesma do açúcar de cozinha, são produtos processados. É bom ter um conhecimento do que é a fermentação. Hoje é um divisor de águas no universo fisiológico, e realmente, eu ficaria muito agradecida de ver uma literatura, nos padrões que escolho as minhas, que conseguissem pelo menos argumentar algo sobre a toxicidade da cannabis.
Desculpem pela minha intro um pouco longa, fiz apenas antecipar a conclusão: álcool é religião. Dito isso, eu não tenho outra conduta a não ser três grandes motivos para não se beber álcool. Elas são o supressumo do que há de mais high tech contrário ao álcool, todas de universidades mundialmente reputadas, ou de grandes centros médicos, pareceres de teses e alguns livros pagos baixados online. Você não vai encontrar nada verdadeiramente bom de graça e, a verdade, por mais incrível que pareça, é que você só vai encontrar em 2% no que está disponível na net, esses outros 98% aí vão te enrolar, te fazer de idiota. O motivo verdadeiramente disso eu não sei, mas tenho lá minhas suspeitas. Penso que existe uma posse sobre o conhecimento, quem controla o passado, controla o presente e o futuro. Tem um bom link aqui que explica essa história da posse no Ocidente. Todos já ouviram falar da Inquisição e sempre existiu o index, controlado pela Santa Sé. E isso durou até 1967. Mas em meu entendimento, isso nunca deixou de existir. É muito comum, por parte da comunidade arqueológica, declarar publicamente uma entidade mundial, Academia, que estabelece quais descobertas poderão ser consideradas válidas ou não a medicina não foge a regra. Recentemente descobriu-se que o tratamento de canal é tóxico, não só isso, implicado na maioria das doenças sistêmicas atuais e, note-se, estudos que foram inibidos por grandes corporações e interesses econômicos, e mesmo com um largo leque de pesquisas e informações totalmente coerentes, ainda sofrem de descrença no meio científico [www.biodentist.com/featured/dr-john-augspruger-warns-of-the-dangers-of-root-canals]; [www.articles.mercola.com/sites/articles/archive/2012/02/18/dangers-of-root-canaled-teeth.aspx]
A medicina olhística, recém-criada, o lado "negro" da medicina, vem fazendo o contraditório do bem e reforçando a idéia de que a medicina tradicional criou um universo sintético estupidamente tóxico e desfuncional ao ser humano, o uso de antibióticos, fertilizantes, aditivos, solventes e que tudo isso estaria linkado a uma série de doenças e que isso acontece basicamente não porque o ser humano esteja tendencioso a criar uma nova espécie, mas os interesses envolvidos na questão não estão interessados em produzir a cura, mas propagar a doença.
Mas em meu entendimento, isso não se trata de uma revolução com o propósito, uma "revolução despropositada". São idéias que por si só já nascem mortas, jamais serão salvação, a atitude da medicina olhística é no máximo um perdão, ela é tendenciosa a validar a continuidade dos pecados já existentes, não só porque vão conforme os interesses econômicos, mas principalmente porque afetam a moral da medicina. A medicina é o braço direito da fé, Cristo, antes de tudo, era um médico, o maior médico que já existiu...claro, se desconsiderarmos Imhotep. Isso porque Imhotep era tratado como Deus pelos gregos e, segundo a história, o único homem que teve o status de divindade em vida.
É interessante linkar que tanto os egípcios como os gregos e os árabes, em seus manuscritos, relatam o uso de plantas medicinais, ervas e resinas de plantas, e dentre elas, ninguém mais que a cannabis. O processo de estatização da medicina ocorreu em meados de 1700, com o governo alemão, dentro de um secularismo religioso. [Existe um ótimo link aqui: http://cia-da-maconha.blogspot.com/cannabis-e-estatizacao-da-medicina.html?m=]
O que se pede do leitor é que se atente para a concepção política que existe na liberação do álcool e a restrição de outras drogas. Clama-se que o motivo é a toxicidade. Você pode não se importar com isso, uma vez que seu consumo não é afetado, mas para cidadãos informados é bom ter uma base, no mínimo que seja científica, não falo daquela que você leu há algum tempo atrás e se entusiasmou com algo, aquilo de alguma forma fez sentido. A opinião possui um princípio ativo, a sentença, e mesmo pra quem não a tem, é uma forma de julgar também, às vezes você não entende do assunto ou ele é complicado demais, e de fato as formas de obtenção da verdade não deveriam ser assim. Mas tudo isso tem um porquê: as ciências, de uma forma geral, se apresentam como o processo construtivo da raça humana, mas no fundo, tudo é religião.
Por isso meu pensamento, apesar de longo, é bem simples: o que mantém o álcool liberado, e a cannabis proibida, é a religião, mais especificamente o cristianismo. E se o cristianismo chamou pra si essa responsabilidade e travestido de Estado bota a medicina no front [pau-mandado da fé] e sai de fininho como se não tivesse nada a ver com isso, uma espécie de mágica que só o Cris Angel consegue fazer, meu pensamento é que no mínimo se deveria ter uma melhor leitura dos fatos, e aí sim, cravar uma opinião. Acho que ninguém em "sã consciência" quer enganar a si mesmo, de modo que recomendo o leitor a entender melhor como se deu o processo de construção da medicina no Ocidente e como a Igreja Católica tá envolvida nisso. Segundo, se você for cristão, não fique oscilando entre os universos católico e protestante sobre a vontade de Cristo efetivamente, os Evangelhos tão aí pra isso mesmo e, em minha opinião, a exemplo da prostituição, Cristo não falou nada sobre vício. Ele setou muito bem que aquilo era inevitável e incobrável do ser humano e que pouco importava a condição de dependência, ou muito menos, de depressão, o que interessava pra ele era a submissão, quando você tiver no fundo do poço procure ele; também não mandou ninguém se atirar ao poço propositalmente no intuito de encontrá-lo. Ele reafirmou inúmeras vezes "a garantia sou eu", a cura em qualquer instância será espiritual ["vinde a mim e eu resolvo"]. A palavra "physician" significa "médico", mas em grego representa "físico", corpo, "aquele que cuida do corpo", e Cristo definitivamente não estava interessado em corpo. A maneira como o físico foi associado ao espírito posteriormente, está associado a um grupo de idéias religiosas capitalistas que tal comportamento afetaria o trabalho e o trabalho afetaria a família e, consequentemente, a fé individual [existe um ótimo livro: Marx Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo]. É aonde a cannabis basicamente tenta ser enquadrada, ou pelo menos, busca-se uma justificativa da proibição. Se isso é verdade ou não, é discutível, papo pra outro post. Mas por que o álcool não é arrolado nessa interpretação também?
Perceba a sutileza da coisa. Hoje sabe-se que uma percentagem muito grande de crianças retardadas estão vinculadas ao consumo de álcool por mulheres grávidas. Sabe-se que pequenas doses podem ser fatais, o próprio vinho é uma bebida com surfactante e um simples gole pode matar um asmático. Essas coisas não são exagero, existem literaturas, pesquisas sobre isso e dados oficiais. Duas garrafas de vinho, por conter mais de 120g de álcool, pode induzir o indivíduo a um coma etílico. E quantas pessoas ao longo da história não morreram, seja por uma crise aguda ou crônica, pelo vinho? E em seguida argumenta-se a tolerância, mas o que é isso exatamente? O álcool é um veneno, como assim a tolerância com um veneno com status de divino? Os católicos precisam responder melhor essa pergunta. O que é beber recreativamente em ocasiões ou em finais de semana? é menos mal do que os compulsivos, que bebem diariamente, em pequenas ou grandes quantidades? Note-se que Cristo apesar de não ser um químico, se colocou na condição de Deus, teve uma oportunidade de falar e não o fez, ou, se o fez, não tá escrito, considera-se válido aquilo que foi publicado e é basicamente aquilo que se tenta acreditar. Cristo não falou sobre a dosagem, o sistema de calibragem, é impossível estabelecer uma dosagem pra vontade, a tolerância não explicaria o vício, pois a constância esbarraria na continuidade, pois ninguém que bebe recreativamente o faz de forma temperante, ainda que de forma irregular na tentativa de desconstituir a dependência, ou, no mínimo, descaracterizá-la. Seria o mesmo que expor seus desejos ao ridículo em argumentar que não vive sem aquilo, mas não é um vício. De fato a temperança não existe, é apenas um artifício, não se trata de uma verdade, mas de uma vaidade, devido a existência de Cristo, de modo que os católicos estão certos quando o motivo é o álcool. E no entanto, ela vai de contra a moral, já que a moral é fornecida pela medicina, e nesse ponto os protestantes estão certos, os surtados dos evangélicos estão moralmente corretos quando pretendem proibir tudo, e é de fato o que farão quando assumirem a presidência em 2020, quando forem a maioria. E a questão é basicamente essa: se nossa sociedade é majoritariamente cristã, e ainda que se argumente que o Estado é Laico, o que ela realmente acredita, come e bebe é o cristianismo, e ainda assim é incapaz de especificar o vício, Cristo não falou nada sobre o vício. A medicina, protestantes e católicos estão com três visões diferentes e é impossível harmonizá-las, impossível de uma solução sem que uma sentença pese sobre a cabeça de Cristo. Você pode não ser cristão e não ter nada com isso e estar satisfeito com essa situação, mas você acredita na democracia, ou bem ou mal, a exemplo de Cristo, entre os piores ela ainda é o melhor. Mas isso é uma falsidade ideológica, porque se você realmente acredita em democracia, não poderia acreditar que um princípio religioso está influenciando as decisões políticas, existem tratados assinados entre o Brasil e o Vaticano que envolvem a Santa Sé, um terceiro que não é Estado. A democracia se apoia na existência de liberdade de consciência e crença, a tal Isonomia, ainda que você não seja afetado ou beneficiado com essa postura antidemocrática, a história é cíclica, tem mostrado que em certas situações os eventos se repetem, de modo que uma proibição pode vir a acontecer com o álcool outra vez. A primeira vez que a cannabis foi proibida em 1830 foi por motivo religioso, mesmo motivo pelo qual os curandeiros até hoje são também. O importante é que quando essas coisas aconteçam, se saiba pelo menos com o que se está lutando, isso vai ajudar de alguma forma na formação de uma opinião.
Isso não vai ajudar nada contra o vício, se trata de um princípio, é importante saber quem é o seu juiz, a decisão de parar ou continuar, em última instância, deveria ser sua, qualquer religião ou democracia que se apresente deveria ter primeiramente caráter informativo e não meramente um caráter disciplinador, do mesmo modo que um aviso não deve soar como uma ameaça, qualquer conhecimento, seja ele do bem ou do mal, deveria funcionar como veículo pra verdade, não pura e simplesmente para leis.
Uma observação: é muito bom ouvir algo do inimigo, é de onde vem as melhores críticas, por terem a capacidade de expor sua vulnerabilidade, muito mais do que possíveis verdades.
E o que quer dizer isso exatamente..[?]
De fato, quando se fala em cristianismo, não existe nada exato, mas existe distinção e ela não subtrai os fatos, mas adiciona compreensão, algo diferente de interpretação, por a última vir carregada de propósitos. Pela interpretação protestante, vício está linkado com as coisas do Diabo. Já os católicos, vício está linkado com o próprio Diabo. Parecem a mesma coisa, mas não são.
Os protestantes entendem que vício é um pecado, por se fazer algo que Jesus não quer que faça, não cumprir um mandamento de Jesus. Jesus teria dito "se teu olho te faz tropeçar, arranca ele fora". E foi desse jeito que o álcool foi enquadrado pelos protestantes, no sentido de "se algo te faz tropeçar, mata-o, destrua-o, intolerância total às coisas do Diabo". Provavelmente eles devem ter desenvolvido alguma tabela pro pecado.
Na própria Igreja Católica, o uso de vinho em rituais cristãos já era questionado por escolares, dois séculos depois de Cristo, inclusive por Santo Agostinho, o Pai da Inquisição. Iniciava-se aí o conceito de vicio e temperança (tolerância), a fragmentação dos pecados ou a sua possível destilação. O conceito de  se arrastaria no tempo.
Notem-se que Lutero adorava beber cerveja e Calvino, vinho. O álcool seria enquadrado do ponto de vista espiritual no século XVII pelo physician Benjamin Rush(protestante). Vale apena ler a biografia desse rapaz [www.archives.upenn.edu/people/1700s/rush-benj.html]. Ele se jugava o profeta Jeremias, entendia a Colonização da América igual ao Êxodo de Moisés, a América seria uma espécie de farol da colina a iluminar o mundo.. segundo suas próprias palavras. Nessa nova terra prometida não haveria vícios do antigo mundo:
“Os puritanos estavam entre os assentadores Ingleses originais da América do Norte; eles chegaram lá pela primeira vez em Massachusetts em 1630. De acordo com James Morone, “Nenhum aspecto do mundo Puritano é mais comumente lembrado do que a noção de uma missão, uma tarefa no mundo selvagem selada por um pacto com Deus. A missão dos primeiros Puritanos Americanos se assegurava sobre os conceitos de responsabilidade individual e comum. Indivíduos controlavam seu destino final: salvação pros justos, e eternal damnation pros pecadores. Contudo, o pacto Puritano mantinha a comunidade inteira responsável pelos pecadores nessa vida. Deus puniria a todos, santos e pecadores, com doenças, secas, fome e outras desgraças, se a comunidade não reformasse seus pecadores. Como os indivíduos e comunidades poderiam alcançar sucesso e salvação?”
Ele fez um livro, Efeitos dos Espíritos Ardentes sobre o Corpo Humano e a Mente [1823] e foi a primeira pessoa a enquadrar o álcool como doença do espírito, e isso assustou a já surtada comunidade protestante. Ele fez um estudo de causa e efeito, explicando quimicamente o que era a embriaguez e fez uma associação com o Diabo, era tudo o que a comunidade protestante não queria ouvir, desde aí começou a banir o álcool de seus rituais. E ele foi a base do embasamento científico da Proibição do século XX.
Iniciava aí os modernos conceitos de vício e as primeiras clínicas para intoxicados, as clínicas de reabilitação foram primeiramente desenvolvidas para tratar alcoólatras, de acordo com Dr. Rush o alcoólatra precisava de um "isolamento total para poder ser segurado sem a bebida, devido a agressividade e violência em que o mesmo ficava durante a "seca", constituindo-se um perigo até para a própria família". Mas, curiosamente, inocentou a cerveja e o vinho. ... coincidência?... uma do judeus e a outra dos cristões .Foi o suficiente pra levantar suspeita sobre o que seriam fraquezas da carne e o que seria o Diabo. Ora, o protestante é muito prático, na dúvida proíbe tudo. O desfecho dessa história, no entanto, foi curioso: ao final de pouco mais de dez anos de proibição, o álcool foi inocentado e o mesmo Ato que liberou o álcool, proibiu a maconha [foi, o presidente Roosevelt]. Chegou-se a conclusão que o culpado não era o álcool, mas a cannabis. É um período muito interessante de nossa história, pois marca o início das proibições às drogas que conhecemos, cocaína, maconha e ópio, e a recém-descoberta heroína [uma solução milagrosa dos alemães, totalmente segura e que não causava dependência] em substituição à cocaína. A cocaína já era usada para a medicina bucal, enquanto o ópio, para anestesia [a morfina], este mantém seu status até hoje. Cocaína também, você já deve ter usado xilocaína, e deve beber Coca-Cola, e acredite, ela é a maior refinadora de cocaína dos Estados Unidos até hoje, todo o ca14 [princípio ativo do epadú] -toneladas de cocaína- são vendidos pros principais laboratórios dos EUA, fornecidos pela própria Coca-Cola. Sim, ela não mudou sua fórmula, como muitos pensavam, conseguiu uma isenção única para continuar produzindo do mesmo jeito que o fazia, e foi concedido a ela pela própria FDA. Os próprios cidadãos dos EUA gostariam de saber pra onde vai tanta coca.
O epadú é considerado o melhor remédio pro estômago, e isso explica muito o sucesso da Coca-Cola.
Nesse momento você pode ser tentado a supor que as "drogas" da natureza e as "descobertas" do governo alemão poderiam estar por trás desses interesses econômicos que moviam milhões e que o monopólio em cima da natureza explicaria o que estaria por trás da estatização da medicina. Existe uma tendência a tentar se explicar a história através de interesses econômicos, ganâncias, pessoas evils, mas realmente a história é outra.
A Igreja Católica já havia proibido o epadú em 1500. Em meados do Século XVI, o Primeiro Concílio Provincial, realizado em Lima em 1551, se dirigiu ao Rei da Espanha para pedir-lhe que sancionasse uma cédula Real que proibia nas Índias Espanholas a produção, comercialização e consumo da coca, argumentando que este arbusto, por mais que possuísse valores nutritivos, tinha propriedades Satânicas e que os indígenas a usavam para fins maléficos, como a adoração ou invocação a Satanás. No Segundo Concílio Provincial, em 1567, reafirmou seu rechaço ao consumo da folha de coca em que incorriam os indígenas, e no título XIV da Recompilação das Leis das Índias se disse: “Somos informados que nos costumes dos índios do Peru tem o uso da coca, e sua agricultura, se seguem grandes inconvenientes, por serem muitas partes de suas idolatrias, cerimônias e feitiçarias, e fingem que trazendo-a na boca lhes dá mais força, e vigor para o trabalho, que segundo afirmam os experientes é ilusão e Demônio, e em seu benefício perecem milhares de índios, por ser quente e doente a parte onde se cria”. De modo que a coca, que a agricultura Inca cultivou outorgando-lhe poderes divinos, foi vista pela Igreja Católica como uma erva satânica e maligna, cujo uso atentava não só contra os bons costumes humanos, como também contra a moral cristã”. [http://sincronia.cucsh.mx/cocay.htm].
Painkillers [remédios pra dor] como Advil, matam mais que cocaína, LSD e etc. A medicina caminhou para uma substituição da fórmula natural por uma sintética, em todos os sentidos foi um desastre, diversos remédios consumidos no Brasil já são proibidos em diversos países Europeus e no próprio mercado Americano. O advil foi um deles. Você deve estar pensando "o que isso tem a ver com Cristo, com a discussão em si..?".. Muita coisa. Cristo falou muito pouca coisa sobre o Diabo, basicamente que ele era um mentiroso, mas a mentira, em termos bíblicos está sempre associada ao desconhecido, e o desconhecido é a Natureza. A história é complicada, mas no início da medicina cristã, os remédios, vindos da natureza, foram afastados porque estavam associados ao Diabo. A maioria das bruxas eram curandeiras e todos os seus conteúdos medicinais foram apropriados pela medicina cristã que se iniciou em Salerno, a Bíblia seta a existência de uma natureza alterada pelo demônio e que somente os remédios produzidos pelo próprio homem poderiam estar livres dessa contaminação.
Paulo, a exemplo de Agostinho, havia setado que a contaminação do diabo tanto atinge o corpo como  o espírito, no entanto, o processo de intoxicação se daria do espírito para o corpo, esse é um pensamento basicamente católico, os protestante não entendem bem assim, de modo que o processo de descontaminação é controverso, entendê-los talvez ajude a entender sua própria crença. O certo é que é base de toda política sanitarista que deu ao estado um poder intervencionista.
 
 Os católicos entendem o vício como uma coisa comportamental, associando-o como heresia, associação a outros deuses. Os cristãos de terceira geração, o terceiro partido, entendem que o vício está linkado com o pecado original, não interessam substâncias ou momentos de fraqueza, mas o fato que a criação, após ser feita, bela e cheias de virtudes, o Diabo serpentinamente, alterou a criação de Deus (no caso da cannabis, alterou pra melhor). E todos os problemas que se seguiu com a criatura foi consequência disso, dando ao homem um destino fatalista. Não há nada que ele faça que irá livrá-lo do Diabo (dele mesmo), a terra é o próprio inferno, de modo que o vício é inerente ao homem. Portanto, a única forma de salvação é desenvolver uma consciência em Cristo. Pouco importa se a contaminação é através do espírito ou do corpo, a consciência resolve.
Para entender isso você teria que ler alguns livros de psicologia, não há uma preocupação com o vício, mas com a recuperação do viciado. E de certa forma, mais próxima de Cristo. Ex.: Pastor Caio Fabio.
Jesus Cristo entendia o vício como fraqueza. Mas difere da interpretação protestante, usando o exemplo do olho, que a fraqueza seja oriunda do Diabo, na interpretação de Cristo, e eu me julgo na condição de fazê-la [possuo autorização para isso], as fraquezas seriam humanas, mas não setou fraquezas como o vício. Posso citar vários exemplos, mas o mais coerente é o próprio álcool, ou o vinho. Com certeza se ele associasse vício ao pecado, teria proibido o álcool. Muitos poderiam creditar isso a um exemplo negativo de Cristo, algo a não se fazer. Acontece, porém, que no episódio da Santa Ceia ele afirmou que beberia no céu com seus apóstolos, o que nos leva a entender que o vinho só poderia ser bebido por pessoas puras. E isso contrariaria o principio de João que todo homem é pecador. Eu não sei -honestamente- se isso se aplica aos cristãos, se eles se acham em tais condições de pureza. E o vinho é sabido hoje pela própria medicina cristã, que é uma bebida intoxicante, de modo que a interpretação de Cristo pela medicina, tá furada, uma vez que tóxica e facilmente associada ao pecado. Em última análise, estas são as associações de idéias que rondam a psicologia do cristianismo. No entendimento de Cristo, a decisão sobre o vício era algo individual, no sentido que a salvação é individual, não tem sentido você arrancar os seus olhos e o dos outros também, se aquilo te faz tropeçar, evita-o, por se tratar de uma fraqueza pessoal sua. Não é verdade? De modo que o vício não pode ser entendido também pela má influência, até porque o que atinge a cannabis, atinge o álcool também, em última instância, é uma liberdade individual que chega mais próximo do livre arbítrio. É evidente que a evolução desse pensamento desaguará na Democracia, a sociedade do consenso, onde existe tolerância. A tolerância... o tema desse post, a tolerância ao vício. A tolerância, assim como o vício, possuem distintas interpretações entre os cristãos. Para os protestantes, Cristo era intolerante com as coisas do Diabo (com os Judeus e com qualquer um que dissesse que ele não era o messias ou o filho de Deus, ou qualquer um que não se submetesse). Os católicos entendem a tolerância através da temperança, um conceito moral grego, e muitas bíblias que vi, Cristo não me parece temperante, na realidade, em muitas partes dos Evangelhos, me parece temperamental e, muitas vezes, de forma desequilibrada, chamando os fariseus de hipócritas, com marra, dizendo que "eu sou..!", a única passagem em que ele aparece falando com a mãe [na festa de Canaã] foi extremamente grosso ("ainda não chegou minha hora, mulher[!]"), nunca endereçou uma palavra de carinho ao seu pai terrestre, ao contrário, viva todo tempo ameaçando em seus discursos com "o meu Pai, o meu Pai, o meu Pai..[!]", qualquer pessoa que fale pra arrancar sua mão e a jogar pra longe, não pode ser um ser temperante. Conceder o perdão a alguém não implica necessariamente em temperança. A temperança arguida pelos católicos vem de sua passagem na cruz, mas aquilo não é temperança, se trata de perdão ["perdoe-os, Pai, eles não sabem o que fazem."]. Do mesmo modo, ele não identificou a pena nem a procedência dos seus companheiros de cruz, os quais a bíblia Vulgata chama de criminosos, e mais tarde mudaram para malfeitores e depois, ladrão, uma tendência que se tem de atenuar o pecado, querer calibrá-lo, aplicar uma dosagem. Ora, Cristo não falou nada sobre prostituição, ele realmente não se preocupava com o tamanho do pecado, se é que isso tem dimensão. Sua posição era bem simples: Cristo era abusado, ele dizia que "não te importa com aquilo que te incomoda, vem a mim e eu resolvo", ele não se interessava com o passado, isso quer dizer que ele não se preocupava com o pecado, e isso quebra tanto católicos como protestantes, podia ser puta, estuprador, ladrão, não importava, nem muito menos sua reincidência [o vício]. Na bíblia Vulgata [a em latim], em 15 João não se encontra o trecho "amai-vos uns aos outros como eu vos amei", o verbo é diligati e não amare, que significa ter consideração arespeitar, ou seja, "respeitem uns aos outros como eu vos respeitei", muito mais que os espaços, mas em termos de abrangência, muito mais que o termo jurídico que define a liberdade individual. Perceba que a lei é aplicável ao corpo, e Jesus não falou nada sobre o corpo, a submissão é espiritual, respeitar um ao outro em Cristo significa respeitar seus próprios vícios. Eu posso estar errada e Cristo não ser nada disso.., mas isso é vocês que vão julgar, o meu julgamento de Cristo acaba aqui.
No entanto, a tolerância, a níveis políticos, aplicou a dosagem, um conceito vindo da medicina. Mas em termos de Cristo, não existiria meio-pecado assim como meio-perdão, isso significaria meia-sentença e meia-salvação, e isso quer dizer meio-céu e meio-inferno, meio-Deus e meio-Diabo, ele não seria louco de propor tal coisa, só uma psicopatia muito grande entenderia as coisas desse jeito, com vaselina e com respeito, não se importando com o ato em si, por isso não endereçou nada ao pecado nem ao vício, ele entendeu que o ser humano, em determinadas circunstâncias, abriria mão do seu juízo e entregaria a um terceiro, uma espécie de autotutela terceirizada, nessas condições ele estaria na calçada, no fundo do poço, e a única forma de ele sair de lá era através da submissão.
Entenda que Cristo não endereçaria nada ao homem que não corre riscos, perceba que seu diálogo na terra é de um filho corrigindo o pai, análogo ao cristianismo e o judaísmo, análogo a ditadura e a democracia. Saímos da psicopatia para entrar na esquizofrenia: Cristo fala como o Pai na primeira pessoa, e responde como pai na 3a, sendo filho em todas elas e usando o espirito santo como link. Eu sei, é difícil. Mas o que ele está dizendo é que jamais censuraria o Adão por mexer na maçã, como se Deus tivesse exagerado com o que fez com o próprio filho, perceba que Cristo não teme o Diabo, e que confia em seu próprio filho(o homem). Digo, a confiança não é um ato de risco. Na submissão seria necessário se ter em mãos o risco de perder Cristo e não o risco que o Diabo oferta, ele seria anulado, uma correção do livre-arbítrio praticado, uma espécie de bug do Velho Testamento. A idéia é muito simples: se você está com Cristo, por que temer o mal? A qualquer momento era só ativá-lo, ou ele mesmo se auto-ativaria, uma espécie de antivírus, você sairia sempre vencedor. Esse favoritismo inicial não tutela o pecado, ao contrário, desconsidera sua existência, de outra forma criaria um ambiente de desconfiança, que diante das evidências Cristo não pudesse fazer nada, e é exatamente isso que ele não quer :Associar  o risco a confiança. O cristianismo opera em um estado de cura, não de doença. O cristianismo de Cristo atua como um hospital, você entra lá atrás da cura, por isso, só funciona pra doente. Cristo percebeu que as pessoas precisavam dessas coisas, porque era a forma que elas gostariam de entender Deus, e por isso ele apareceu. Nesse momento você pode estar confuso com tanta informação -aprender cristianismo em um dia não é fácil-.. pode estar pensando "talvez isso não seja Cristo..", e é isso que Cristo quer que você faça, aceite o risco isso não é desconfiar. É nesse momento que você percebe que pra Cristo não existe distinção entre a árvore do conhecimento do bem e a do mal, não que não exista, é que isso não faz diferença, e esse é o problema da crença, a fé. A fé possui objetivos claros, e isso é uma clarividência, é querer prever o futuro, antecipar resultados, é querer vencer antes de ter jogado. Se você não erra, você não se movimenta, a experiência não tem como excluir sua existência, não haveria acertos nas sentenças, porque não haveria nada a ser julgado, tudo se trataria de atos consumados, não haveria a presença do juiz, e lembre-se que Cristo opera no juízo, a maestria de Cristo está em perceber se você é um ser submisso, ele não toleraria que você fracassou frente aos seus desejos, ele entende como virtude um ser verdadeiro, não um mentiroso, que mente pra si mesmo, ele precisa ver você machucado, ele precisa sentir que você sentiu dor, dito em outras palavras, não tem como chegar a Cristo sem passar pelo Diabo, e a mensagem de Cristo é basicamente essa, ele vai estar do outro lado, não é um ato de fé, mas uma passagem, a travessia do medo. No entanto, Paulo entende a esperança como um remédio da fé, que tem o poder de botar os medos pra dormir e que esse remédio não pode falhar, pois haveria uma rebelião dentro desse enorme hospital do medo. Houve um mal entendimento da fé, ou o entendimento do mal da fé.. A fé envolve o risco e as tentativas de suprimir esse risco, pelas interpretações de Cristo, gerou um livre arbítrio forçoso. Cristo não é um compromisso, a submissão deveria ser um ato de amor, o caminho da dor, do medo ao amor. E essa é a minha interpretação de Cristo, e se ele não for nada disso, então pra mim não faz sentido, como se nunca tivesse existido.
Bom, nesse momento a Democracia aparece e sorrateiramente começa a mudar Cristo, a cada problema que aparece em sua engrenagem, qualquer coisa que se auto inicia, como um franco atirador, um tarado na esquina, um rompimento de vaso sanguíneo, uma propina, é linkado a ditadura, o diabo corromperia o sistema. Nenhum sistema é mais corrupto que a democracia e basicamente porque ela é tolerante, mas o que isso tem a ver com o vício? Nada. Cristo havia dito que nada faltaria ao homem, comida, bebida e abrigo. Historicamente guerras e revoluções começam por essas coisas, por terem o poder de abalar a fé. A tecnologia produzida dentro de uma moral cristã se prontificou a uma produção sem risco, não ao homem, mais à fé. Isso levou a uma superprodução ancorada em fortes doses de segurança que implicam em maiores custos, consumo de biomassas do planeta e conceitos invasivos à natureza, em parte por ela estar associada ao Diabo e em parte por ela representar  uma superioridade da espécie humana, a verdadeira criação, o homem precisa virar sintético para estar completamente separado da natureza, aquela que se corrompeu no  inicio. É um pensamento complexo, não é o tema, a sociedade ama esse sistema do mesmo modo que ama Cristo, mas até onde esse sistema se identifica com Cristo? Sabemos que existe um relógio sobre a cabeça do ser humano e tudo que ele faz está associado ao início, mas onde esse início se afina com Cristo?
Bom, separar a democracia de Cristo não é fácil, até porque ninguém em sã consciência quer isso. Para começar, teria que haver uma descapitalização e abrir mão de toda tecnologia existente, até o isqueiro, e ainda assim isso não aconteceria sem a morte de bilhões. A sociedade ama suas conquistas e a elas endereça o máximo do saber, mesmo sabendo o que a tecnologia é, e isso inclui a própria medicina, que caminhou para o lado errado, bem como sabe-se que o caminho de volta é impossível, e mesmo assim tendencia a insistir no erro.
Talvez isso também seja uma espécie de vício, achar que Deus tá nos guiando. Se isso fosse totalmente verdade, deveríamos credenciar a Inquisição a Deus também, assim como a escravidão, a destruição da natureza e toda a intoxicação, não da para esconder a Igreja Católica do seu passado, os protestantes concordaram com tudo, depois voltaram atrás, como se ambos não tivessem tomado parte nos eventos. Se essas pessoas, por suas interpretações, nos conduziram até aqui, como excluir os meios que usaram para isso? É argumentar que 15 milhões de africanos vieram da África a mando de Cristo e se não fossem eles não existiria o Brasil. Estamos sempre validando os erros do passado, por entender se tratar de um etapismo natural, que tal consciência ainda não vingou, um processo de aprendizagem. Você não vai entender isso sem entender Cristo, pois ele é a chave de tudo isso. O Antigo Testamento continua dentro da cultura como uma ditadura, e Cristo como uma Democracia corrompida. De modo que o nosso núcleo democrático é ditatorial, somos muitos mais escravos hoje que a maioria das civilizações do passado. Mata-se muito mais gente hoje, existem mais doenças e menos tempo e maiores trabalhos forçados, o que credencia tudo isso é o entendimento de Cristo por uma má interpretação do Diabo.
As interpretações de Cristo foram extraídas de um excelente livro, O Evangelho Segundo Lúcidus - o irmão mais velho de Lúcifer. Seu conteúdo está disponível no site 666.com, não se trata de um Apócrifo, é uma obra que não foi editada. Como você deve saber, o Diabo nunca escreveu nada. E acrescenta que ele não tem nada a ver com o profeta Isaías, que entendeu como um mau presságio uma estrela que cai à luz do dia, talvez por seus conhecimentos astrologia achou que aquilo era um tipo de sol, e na realidade se tratava do planeta Vênus que simplesmente brilhava à luz do dia.  Em síntese, o autor condena Cristo por estar querendo fazer o papel do Diabo [o seu, é claro], por defender a prostituição, criminosos, corruptos, o alcoolismo e o vício. No capítulo 6, o Testamento de Judas, Lúcidus argumenta que as 30 moedas de prata teriam sido deixadas pros apóstolos e foi o capital inicial da Igreja Católica, o restante, atualizado a valores presentes, foi suficiente pra comprar a Terra.
Você poderia dizer que isso é coisa de maconheiro, e eu diria que sim, todo maconheiro é cristão. Não defendo o maconheiro, a planta não tem nada a ver com o vício. Será que Cristo foi bem interpretado ao preparar o homem para o Diabo? Não teria o homem invadido e se apossado daquilo que não lhe pertence..? Ou ainda, como fiel depositário, tomou conta, zelou, amou aquilo que possuiu[?]. Cristo fala que Deus protegerá até as pequenas criaturas, que dirá o ser humano, para que o ser humano faça o mesmo, tome conta dele e das pequenas coisas de Deus. Essa pequena coisa é a Natureza... . E o que o ser humano vai fazer[?]... continuar mentindo? Não é só desfazer toda essa merda de tecnologia, mas devolver o que roubou.  Conversa fiada, acha que todo mundo é otário..? Tem forças no Universo que pensam o contrário.
No Inferno o Diabo não precisa de álcool pra acender as fogueiras. No entanto, lá também é queimado etanol. O ser humano precisa explicar para Cristo ou explicar Cristo, frente aos seus projetos futuros, as escrituras. A democracia, e isso inclui qualquer sistema humano, não tem o poder de autocorreção, ainda que o que se pretenda seja realmente uma solução, ela sempre virá de fora, isso é um determinismo histórico, insuperável por qualquer cientista político. Mas por que a democracia não possui um sistema que a corrige? Não se trata de duas Repúblicas e dois Presidentes, isso equivale a um Governo. Existe um princípio ativo que tutela a democracia, o monoteísmo, em outras palavras, isso é o egoísmo do cristianismo. A política cristã, por dentro da democracia, atomizou tudo, não existindo nada externo a ela, por isso, o sistema de Partidos Políticos é falho, não protege o homem dele mesmo, nem do avanço espontâneo em cima da natureza, áreas do planeta têm que ser intocáveis e o homem entender definitivamente que aquilo não é dele nem de seus herdeiros, aquilo simplesmente não é pra ser mexido e pronto, o planeta não é democrático e, de certa forma, foi a isso que Cristo se referiu, proteja até a formiga, ainda que você não saiba por que. A democracia não precisa deixar de existir, nem Cristo, nem Deus. Cristo definiu uma abrangência pro ser humano, é necessário que o ser humano entenda o seu tamanho, e não se julgue menos por isso, ele já teve tempo suficiente pra investigar a natureza, fazer suas pesquisas e descobertas e tem um vasto conhecimento pra gerações, que ele sobreviva agora com todas essas conquistas, pra quê querer mais ou continuar querendo? E pare de viver como um parasita, porque na lei da Terra, pra cada parasita existe um predador. A democracia é o silêncio da razão. Mas quanto exatamente dessa coisa que foi construída é Cristo..? Essa é a questão, análogo ao álcool, não se pode aplicar a tolerância da dosagem sem correr o risco de descobrir o que se trata de meio Cristo ou de meia verdade, não se pode viver de aparências frente a uma realidade sem invadir as abrangências, essa é a mensagem.
Talvez tenha chegado o momento de entender os sentimentos do Diabo, "no final dos tempos os vivos invejarão os mortos"... . Eu, sentirei saudades. O que de harmônico há de vir de uma ideologia que se apóia na oportunidade[?]
Nenhuma verdade poderá ser percebida como desafio, pois isso seria vaidade.