La première interdiction de Cannabis 1830 [Texte en Portugais]

Em julho de 2014 o papa Francisco esteve no Brasil e fez uma importante declaração para que o governo brasileiro não descriminalizasse a erva, ou mesmo, tentasse algum tipo de regularização, que isso seria "semear a semente do sofrimento e da morte". E isso batia exatamente com as conclusões que havia chegado após dois anos de pesquisa, relativas à primeira proibição da cannabis. Todos acreditamos que o Estado é laico e que, de acordo com o Artigo 5º da Constituição, a liberdade de consciência existe e que o Brasil é um país pluralista, e que a religião não mais interfere nas decisões governamentais.

 Com um vasto material na mão, traduzido de vários idiomas diferentes e, mesmo pra mim, possuidora de um nível médio de conhecimento, seria impossível acreditar que isso era apenas uma manifestação pessoal do Papa, sem maiores implicações.

Os motivos da proibição de 1830 foram Religião. E o motivo pelo qual a cannabis ainda não foi descriminalizada no Brasil ainda é o mesmo: religião. O motivo que seria mais comumente aceito na proibição foi o racial. E de fato, provar que foi religião foi extremamente cansativo e difícil, mas... Taí(!) Quem tiver paciência e um compromisso com a verdade, vai se surpreender com o que vai ler. Sei que isso não vai acontecer, mas, um bom cristão deveria ficar no mínimo perplexo.

Dito isso, resolvi inverter meus argumentos e ir direto ao ponto, e linkar primeiramente a Igreja com o Estado. Poderia simplesmente botar o Código Penal de 1830, que pra muitos, seu conteúdo já é autoexplicativo.

Para muitos, isso não seria o suficiente, pois o contexto social, político e econômico, são sempre colocados de uma forma a confundir e esconder os verdadeiros culpados, e historicamente há uma tendência a preferir essas justificativas, a religião, mais especificamente, a Igreja Católica, vem ao longo do tempo cuidando muito bem dos interesses da sociedade e, é evidente que a figura do maconheiro contribui muito pouco pro bem-estar comum, de fato ninguém quer ter um filho maconheiro, parece que tá possuído pelo demônio, começa a questionar o sistema e o trabalho e vê valores na natureza inexistente. E em meu pensamento, essas coisas são de fato relevantes, mas ainda que o maconheiro não tenha nada a acrescentar da sociedade, há de se questionar também uma religião que nos deu a democracia, mas no entanto produziu Inquisição e foi a principal responsável pelo processo de Escravidão, que tirou da África mais de 15.000.000 de seres humanos que foram cativos, está envolvida em guerras e extinção total e parcial de outras raças. Acho interessante que no entendimento comum acharem que essas coisas não mais existem e, antes que me desloque no tempo, irei comentar alguns episódios mais recentes, para que não pairem dúvidas ou escapismos do que a realidade dos fatos nos mostra. Para que àqueles que exigem provas mais contundentes, a coerência, não roubem a tranqüilidade e sua consciência. Vamos aos fatos.

Como foi dito, o motivo foi religião, e isso implica admitir que a Igreja, mais especificamente a Igreja Católica, ou, Vaticano, ou ainda, a Santa Sé, estavam por trás dos eventos, ou pela frente, por isso, primeiramente preferi me reportar em termos atuais. Todos sabem o que é uma Concordata, ou pelo menos, deveriam saber, em 2008 houve uma entre o Governo Brasileiro e o Vaticano e, acredite, foi a primeira vez na história , desde a famosa medida N.119-A, segundo a qual, a partir de então a Igreja teria se retirado de sua vida política, digo, não mais interferiria em assuntos civis. E de fato, o que aconteceu no Brasil foi profundamente embaraçante pro Vaticano, foi a primeira vez que ele deixou um "rabo", uma série de lambanças do Governo Lula fez com que isso viesse à tona, representando um poderoso artefato histórico de algo que sempre suspeitou-se existir, mas nunca havia-se tido uma prova. E o Vaticano foi obrigado a se explicar: e a grande verdade, como vocês vão ler, é que não tem explicação, a coisa existe e sempre existiu. O episódio foi censurado no Brasil e não houve destaque, mas a Imprensa Internacional, indignada com a Imprensa Nacional e com a postura do próprio Governo, produziu um vasto material e, conforme vou explicar o episódio, vou citar as fontes, para que o ateísmo não se confunda com fé. Segue abaixo o trecho da entrevista de uma repórter italiana com o núncio apostólico do Vaticano referente a concordata assinada com o Brasil em 2008, e um trecho retirado do site concordatwatch sobre esta concordata:

1) Entrevista com Baldisseri feita pela repórter Stefania Falasca

"Uma entrevista com Monsenhor Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico pro Brasil, no acordo histórico entre a Santa Sé e o gigante da América Latina, assinado durante a recente visita do Presidente Lula ao Papa" (fonte: www.30giorni.it/articoli_id_19633_l3.htm - agosto de 2008):

"Agora também o Brasil, o gigante da América Latina, o país com mais largo número de fiéis e bispos no mundo, une-se ao grupo de países que assinaram tratados bilaterais com a Santa Sé(...) Nós perguntamos ao Monsenhor Baldisseri, o qual vem trabalhando como diplomata no Brasil desde 2002 e lançou e conduziu intensas negociações com o governo em Brasília, para explicar os termos e novidades neste importante tratado".

Até agora como foram reguladas as relações institucionais entre o Brasil e a Igreja Católica?

Baldisseri: Quando o Padroado foi banido com o fim do Império e a Proclamação da República em 7 de Janeiro de 1890, o governo passou um decreto, conhecido pela abreviação "N.119-A", o qual declarava liberdade de todos os cultos religiosos e deu a eles, sem distinção, um status geral, com a possibilidade de tomar certas decisões legais. A partir dali, contudo, nenhuma medida geral foi implementada por governos posteriores para regular a situação legal da Igreja. Durante aqueles 118 anos várias tentativas foram feitas, sem nenhum retorno. Nos anos oitenta a Conferência dos Bispos Brasileiros intensificou esforços para alcançar um status legal que se encaixasse nas demandas de sua missão, que se tornou concreta nos anos 90 com uma requisição formal para a Santa Sé. Assim como em 2003 houveram vários encontros com o Governo, iniciados pela nunciatura. O lançamento oficial das negociações com o governo, pros propósitos de definir um texto, ocorreu dois anos atrás, em 12 de Setembro de 2006, quando a nunciatura, em favor da Santa Sé, durante um encontro com membros do executivo da Conferência dos Bispos, junto com o Presidente da República e seus ministros, apresentaram uma proposta escrita a ser submetida a vários ministros envolvidos, após a qual seguiu-se o processo que levou ao acionamento.

Por que o termo "acordo" foi usado e não "concordata"?

Baldisseri: No Brasil a palavra "concordata" atualmente se refere a negociações no contexto de procedimentos de falência. O termo "acordo" foi portanto preferido, também porque se encaixa melhor no entendimento moderno das relações entre Igreja e Estado, apesar dos conteúdos de nosso acordo autorizarem alguns a chamá-lo de concordata. Mais ainda, o termo "acordo" bate mais facilmente com a terminologia assentada, destacando mais a autonomia e independência mútua da Igreja e Estado, em cooperação saudável, mas sem o perigo de sobreposições e invasões de outros períodos históricos.

Quais foram os pontos principais no acordo?

Baldisseri: primeiro, a reafirmação do status legal da Igreja, a qual é estendida a todas as suas instituições, em concordância com a Lei Canônica. Consequentemente, dentre os pontos principais estão: o ensinamento da religião Católica em escolas públicas; reconhecimento dos benefícios amplos da lei, não só fiscal, reconhecida no Brasil para corpos filantrópicos; o domínio dos efeitos civis do casamento canônico e sentenças eclesiásticas em assuntos matrimoniais; a partilha de espaços para propósitos religiosos no planejamento urbano; paridade educacional para instituições Católicas; colaboração com instituições públicas nas esferas artística e cultural; o direito a dar assistência espiritual estável aos fiéis em saúde pública, institutos penitenciários e os do tipo. Finalmente, por ultimo mas não menos, deixe-me enfatizar uma cláusula muito importante. Eu digo isenção do emprego da lei nas relações entre a diocese e padres e entre instituições religiosas e seus membros, presentes pela primeira vez num acordo da Santa Sé. Isso entalha que o Estado reconhece que por sua natureza religiosa este relacionamento é regulado exclusivamente pela lei Canônica, o que exclui o emprego de relações em termos civis. Isso foi possível graças a existência, no Brasil, de uma quantidade considerável de legislação do mais alto nível de trabalho, tribunais que falaram para esse efeito e que nós fomos capazes de tomar cuidado durante as negociações.

Considerando a importância destes resultados, pareceria que a Igreja Católica foi privilegiada e que nenhuma das outras denominações são portanto discriminadas...

Baldisseri: não, é bem o contrário. Primeiramente porque o que está escrito no acordo não é nada além da "sistematização", setado pela primeira vez num texto compreensivo, do que já existia no código Brasileiro, mesmo que por algumas vezes apenas a nível de prática e não sempre explícito e indisputável. Segundo porque, em quase todos os artigos, dois requerimentos básicos são referidos: conformidade com as leis brasileiras e tratamento igual com outras confissões. Então, sem privilégio, sem discriminação.(...)"

(Fonte: www.30giorni.it/articoli_id_19633_l3.htm)

2) "Mesmo a poderosa mídia evangélica evitou o assunto. O maior número destes são dirigidos pela Igreja Universal do Reino de Deus, um veio Pentecostal que prega a "teologia da prosperidade". Suas transmissões retratam seus dízimos como um sonoro investimento para seus seguidores. Seja como for, está claro que sua mídia representa um sonoro investimento para a UCKG (http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk/864623.stm). O Governo Brasileiro garantiu à Igreja licenças para 23 estações de TV, 40 estações de rádio, e registro para pelo menos 19 empresas sob os nomes dos membros e bispos da Igreja Católica (www.brazzilmag.com/content/view/9096/). O império da mídia Evangélica do Brasil não estava prestes a colocar estes privilégios em risco (www.obsqervatoriodaimprensa.com.br/opinativo.asp?tv_edi=488). Como resultado, o texto em português, então publicado no site do Governo Brasileiro, atraiu pouca discussão pública. Mas como manter isso fora de outras línguas? O Vaticano então veio com uma idéia inteligente: anunciou que "não iria publicar o texto da concordata até ela ter sido ratificada pelo Parlamento Brasileiro".

"Vaticano assina acordo sobre o status da Igreja no Brasil", Total Catholic, 14 de Novembro de 2008. (www.totalcatholic.com/tc/index.php?option=com_content&view=article&catid=20.vatican-news&id=366.vatican-signs-agreement-over-church-status-in-brazil&ltmid=46).

Isso seria literalmente verdade, o Vaticano não iria publicá-lo, mas a informação guiou mal o povo a pensar que não seria publicado por mais ninguém. Então, duas semanas após a assinatura, o British Catholic semanal, The Tablet, interpretou a declaração do Vaticano como significando que "o acordo ainda não havia sido publicado".

Francis McDonagh, "Brasil: Novo acordo entre Igreja e Estado", The Tablet, 21 de Novembro de 2008.

Portanto, mesmo apesar de estar lá no website do Governo Brasileiro, permaneceu invisível pro mundo externo. Quando o povo acredita que algo não foi publicado, eles não vão pesquisar por isso".

(fonte: www.concordatwatch.eu/showtopic.php?org_id=15311&kb_header_id=37291)

 

A bronca dos evangélicos não era exatamente com as isenções fiscais, mas com a obrigatoriedade da religião católica no Ensino Público (www.fazendomedia.com/ensino-religioso-aumenta-intolerancia-nas-escolas-publicas-afirma-pesquisadora).

Perceba que desde a concordata com Napoleão em 1801, o Vaticano e sua incrível corte jurídica percebeu que o acordo não poderia estar explícito em uma lei presente na constituição federal, mas que deveria ser desmembrado em leis municipais, Estaduais, Federais, civis e de domínio econômico e, ancorada na constituição, com os princípios constitucionais de justiça e os direitos fundamentais, algo que se auto justificaria pelos objetivos de uma sociedade. Um bom exemplo disso é a lei penal que proíbe o curandeiros o e a feitiçaria, se você for tentar abrir um culto satânico, você primeiramente vai ter que obter uma autorização da Secretaria de Segurança Pública, mas pra isso você precisa primeiro obturar uma autorização em uma das cento e poucas denominações religiosas que estão inscritas na Receita Federal.

A "palavra-C" parece ser evitada, como a própria Igreja implica, porque algumas vezes é politicamente aconselhável fingir que uma concordata é uma outra coisa qualquer". 

Napoleão chamava-a de "convenção" - Charles X da França, de "convenção diplomática" - a Prússia Protestante, de "convenção solene" - a Quinta República Francesa, de "endossamento" - Quase toda democracia desde então, de "acordo" - e agora, aumentando cada vez mais, um "acordo de cooperação internacional" com a Ordem de Malta".

Então por que não são todas chamadas "concordatas"?

Primeiro, porque algumas não são, existem diferentes tipos de acordos internacionais e apenas um tipo, o tratado, pode ser chamado de concordata. Um tratado é executável sob lei internacional, diferente de um acordo não-tratável, tais como uma nota diplomática ou um modus vivendi. Uma concordata com um país democrático precisa ser formalmente ratificada pelo parlamento e para transpor isso, o Vaticano e o Chefe de Estado ocasionalmente concluem um acordo menos formal, tal como o modus vivendi de 1928 com a Czechoslovakia, o qual deu a Igreja o que ela queria na forma de uma nota diplomática .

Outra razão para optar por um modus vivendi é que uma concordata implica em reconhecimento diplomático pelo Vaticano. Contudo, existem casos onde o Vaticano ou não vai ou não pode estender isso. Durante a Guerra Fria, acordos concluídos com vários países comunistas evitaram a dimensão internacional de uma forma só. Eles tomaram a forma de modus vivendi entre o Governo Comunista e o Episcopado local, taticamente deixando o Vaticano fora disso, como no modus vivendi de 1950 com a Polônia. O Vaticano também concluiu um acordo em 2000 com a Organização de Liberação Palestina, o qual não podia tomar a forma de concordata, já que isso era um tratado entre estados. Contudo, para evitar conotações improvisadas, o termo modus vivendi -que significa uma forma paliativa de estarem a longo tempo juntos - foi dignificada com a palavra em Latim pactio.

Segundo, porque a palavra concordata não é tradicional no mundo que fala inglês, outros termos, melhor conhecidos, podem ser usados na imprensa de língua inglesa. Repórteres podem tentar evitar o termo não familiar "concordata", chamando-a ao invés disso de acordoacordo bilateralresoluçãoconvenção ou tratado.

Terceiro, porque a palavra "concordata" levanta preocupações sobre a separação Igreja-Estado, pela própria admissão do Vaticano, a palavra concordata não é usada quando poderia encorajar posição em alguns países como a França ou o Brasil com uma tradição secular, ou nos pós-fascistas como Itália e Espanha, que desejaram quebrar com o passado. Por outro lado, onde o Vaticano acha que usar a palavra tradicional ajudará a lembrar o país de sua herança Católica, a palavra concordata ocasionalmente voltará a superfície. Então, em 1993 o termo concordata reapareceu como título oficial da Concordata Polaca e, em 2004, uma geração após o fim do regime opressivo de Salazar, houve uma nova Concordata Portuguesa também.

No geral, o termo concordata foi largado por um tempo quando, após o segundo concílio do Vaticano (Vaticano II - 1962 a 1965) esses acordos não mais faziam do Catolicismo a religião do Estado. Franco foi o último ditador Europeu que deu à Igreja direitos religiosos exclusivos numa concordata. Quando a Espanha se tornou uma democracia, a "revisão" na qual eles renunciaram ao seu papel como Igreja-Estado oficial, foi apontadamente chamada de um acordo.

Eufemismo para "concordata" datam de 200 anos atrás. Napoleão evitou usar esse termo para sua Concordata em 1801, temendo que soasse como uma venda dos princípios da Revolução Francesa. Ao invés disso, ele a chamou de uma "convenção" e seu termo tático foi usado por um monarca restaurado de Bourbon, Charles X, para as duas concordatas posteriores em 1828.

E em 1929, quando o núncio papal Pacelli (o futuro Pius XII) negociou uma concordata com a Prússia social-democrática, os luteranos protestaram. Destemido, Pacelli sugeriu chamar a concordata de uma "convenção solene". Todo mundo ficou satisfeito. Hoje é oficialmente entitulado um "tratado".

Mais recentemente um eufemismo parece ter sido julgado ajudável para conseguir passar concordatas sob o radar da opinião pública Francesa, onde a separação de Igreja e Estado é parte de uma identidade nacional. Algumas concordatas do século XX com a França secularista de 1974 e 1999 são chamadas por francês (Avenant), ainda assim uma delas ainda aparece na lista de "Concordatas de João Paulo II". E em 2008, a concordata da educação foi chamada de "acordo". Esse simples truque Napoleônico parece ter simplesmente malguiado os secularistas franceses.

No Brasil, o qual também tem uma separação Igreja-Estado, o termo "concordata" foi evitado e, quando ele foi finalmente revelado, o documento foi chamado de "acordo". Razões diferentes e contraditórias foram dadas para essa terminologia: numa versão, que não era uma concordata real porque não estipulava Dias Santos e, em outra versão, que, apesar de ser uma concordata genuína, a palavra não seria entendida pela maioria dos brasileiros os quais pensariam que teria a ver com "falência"...

A Rádio Vaticano diz que "a palavra "concordata" não está em harmonia com a linguagem do secularismo". (Enquadrando como um assunto de linguagens para distrair a atenção do assunto de se a real concordata está em harmonia com o real secularismo). Então, mais uma vez, o suave termo "acordo" foi chamado em serviço.

(No caso da concordata em questão, assinada com o Brasil em 2008 com o Governo Lula, a forma brasileira pra lidar com o problema foi a seguinte: Durante sua passagem pra dentro da lei, a concordata, oficialmente chamada de "Acordo", foi conhecida ainda por outros nomes: Quando foi enviada do executivo para o legislativo ela foi uma Mensagem do Congresso NacionalMSC-134/2009, e assim que foi aprovada pelo Comitê de Relações Estrangeiras, ela se tornou Projeto de Decreto Legislativo tramitando na Câmara dos Deputados PDC-1736/2009. E quando veio para uma votação de ratificação ela foi Projeto de Decreto Legislativo 716/09)".

"Um relatório de Datafolha liberado no final de Outubro de 2010 mostrou que 67 por cento dos brasileiros disseram que o gênero de seu presidente não importa, mas que apenas 47 por cento aceitariam um candidato que não é religioso (fonte: Vinod Sreeharsha, "Economy? Abortion, God drive debate in Brazil vote", Miami Herald, 29 October 2010 - www.miamiherald.com/2010/10/29/1898769_p2/economy-abortion-god-drive-debate.html).

Como a Rádio Vaticano explicou, "o termo legal 'Acordo' (...) não se configura um problema para o secularismo do Estado e a ordem democrática e pluralista legal". E o Núncio Papal pro Brasil, o qual a assinou, clamou que "O termo 'acordo' bate mais facilmente com a situação da terminologia", então evitando preocupações sobre "sobreposições e invasões".

Contudo, o motivo real para evitar o termo "concordata" ficou claro pelo assinalamento em segredo, o qual foi remediado e instigado pelo silêncio curioso da mídia. Ações falam mais alto que palavras".

(Fonte:www.concordatwatch.eu/showtopic.php?org_id=15311&kb_header_id=37291).

Seria a "concordata secreta" o preço por eleger Dilma? - Questionou o site americano Concordat Watch, que prosseguiu com as seguintes informações:

"O presidente Lula da Silva precisou do suporte da Igreja para seu sucessor escolhido, Dilma Rousseff, e uma concordata foi parte do preço. Para esconder essa traição do secularismo brasileiro, houve uma assinada em segredo no Vaticano, a Imprensa Evangélica se manteve em silêncio e os bispos fizeram lobby para evitar um debate no Congresso. Anda assim, uma vez que o Vaticano conseguiu essa concordata, a Igreja atacou Dilma e conseguiu uma concessão futura, que ela parasse de insistir que a liberdade reprodutiva da mulher era um direito humano.

O presidente Luiz (Lula) da Silva tinha um deadline para conseguir passar uma legislação chave e garantir sua sucessão. Seu segundo turno de ofício acabou no primeiro dia de 2011 e a Constituição o barrou de buscar um terceiro turno. Para seu sucessor escolhido, a pouco conhecida Dilma Rousseff, ele precisava de voto religioso (Datafolha Miami Herald) (...).

Em maio de 2007 o Papa Benedito XVI voou para o Brasil, o país Católico Romano mais populoso do mundo. Na tarde da visita do Papa, o Presidente fez um presente para seu convidado: Ele garantiu que seu governo nunca apresentaria uma Lei no Congresso que ampliasse o terreno para o aborto, o qual foi então apenas permitido apenas quando por evento de estupro ou quando a vida da mulher grávida  estivesse em perigo. Esta concessão para o Vaticano significou que o Governo Brasileiro estava obrigado a largar mão de seu programa de direitos humanos, o objetivo de "a autonomia das mulheres de tomarem as decisões sobre seus próprios corpos".

Um dia após a chegada do Papa, ele teve meia hora de reunião privada com o Presidente, a qual ambos os lados declararam como uma simples visita "educada". Não houve declaração oficial sobre isso, mas um embaixador brasileiro acalmando o vazamento de que o presidente havia dito ao Papa que ele desejava "preservar e consolidar o Estado Secular"."

Bom, todos lembram, ou pelo menos, deveriam lembrar, que Dilma havia proposto a criação de clínicas de aborto e que isso era um assunto de saúde pública, ela deu lá sua explicação, que todos devem lembrar também. Ela se desdisse em cadeia nacional. Como todos devem lembrar também, que a Igreja Católica fez um comunicado amplamente divulgado nas redes sociais, para que os fiéis não votassem num candidato que era contra a vida e que defendia o aborto.

 

Cannabis 2014 – Liberalismo:

 

Entre as palavras-chave para o perfeito entendimento das idéias aqui propostas, uma das principais é o liberalismo. A princípio tentei trazê-lo na íntegra, mas desisti da idéia, dada sua complexidade. Assim como o Renascimento, não é um simples evento de época, mas algo que possui múltiplos desdobramentos conotativos culturais, sociais, políticos, econômicos e, principalmente, jurídicos, ele é a base do Estado Constitucionalista que conhecemos. Mas no fundo, não passa de um assentamento de idéias entre católicos e protestantes: a tentativa de dar um corpo, uma materialidade ao imaginário de Cristo, algo que resultaria no entroncado conceito de propriedade: algo que tramita por entre a liberdade e a posse, onde tudo que fosse permitido não poderia ferir Cristo.

O período é marcado por uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de retomar o controle sobre os países, os quais, historicamente, considerados Papais.

França, Espanha e Portugal não vinham bem economicamente, e passaram a cultuar o sistema político, educacional e econômico de países protestantes (Inglaterra e Estados Unidos). Este processo, para alguns autores, teria começado em 1750, quando o Marquês de Pombal expulsou a Ordem Jesuíta de Portugal, teria atingido seu ápice na Revolução Francesa, e seu declínio com o fim da Inquisição Espanhola.

O Galicanismo e as insurgências e revoluções internas no Brasil, no período de 1820 a 1832, seriam e muito o reflexo desse movimento. A Independência em muito está linkada a Liberdade, e a grande questão é a que propósito essa liberdade atenderia(?). O Brasil, por exemplo, queria ficar longe de Portugal, mas também queria ficar longe do Vaticano e da Inglaterra, isso poderia ser perfeitamente traduzido como Soberania, mas pode ser perfeitamente entendido como a espinha dorsal do Cristianismo, um conceito de servos senhores.

O Brasil nessa época era essencialmente católico, mas todo o idealismo que aflorava no Continente Europeu já estava amplamente disseminado na sociedade brasileira. Hoje a Revolução Francesa é entendida como uma Revolução Protestante, assim como no Iluminismo Inglês, posterior à Rev. Francesa, o Deísmo estava envolto numa áurea protestante, Voltaire era protestante, assim como John Rogues era protestante. Cristo de fato não criou um código civil, a magnitude de seu pensamento abrangia a esfera espiritual, um 'super-conceito' complicado, a submissão. Pra alguns, muito complicado e, pra grande maioria, impossível. Há de se entender que em 1500 a Europa toda era católica, e a religião protestante não existia, pelo menos em tese, e um poder global precisava ser constituído para poder suportar essas idéias, materializar o corpo de Cristo, ou, simplesmente, a criação de algo muito complicado: o Estado. Toda filosofia que emergiu dessa época possui uma base dialética cristã. Não existia um filósofo que, antes de tudo, não tivesse sido cristão e que, de alguma forma, ao tentar propor uma teoria, estava, no fundo, tentando resolver, ou encaixar, ou dar sentido a alguma metáfora bíblica.

Isso fora a imposição forçosa da Igreja Católica dos séculos anteriores, em 1300, por exemplo, ela era a dona de tudo, e é basicamente isso que o leitor tem que ter em mente, a humanidade tinha um enorme abacaxi pra resolver: a posse. A Igreja não "abandonou o Estado" pura e simplesmente, por volta de 1890, como muitos estudiosos acreditam, de fato ela nunca saiu e nunca vai sair. Simplesmente o Cristianismo teria cumprido uma etapa funcional: transformado todos em cristãos, não havendo mais nenhuma necessidade de uma presença física, digo, instituições a dar suporte conduzindo a administração dessas idéias. É nesse sentido que o conceito de Estado é virtual, desconheço Democracias onde existam partidos com reais condições de voto que não seja católico ou protestante, as engrenagens da Justiça e Igualdade não funcionavam muito bem quando a engrenagem da propriedade era relacionada, criando um incrível relógio, onde o ponteiro grande é a liberdade e o ponteiro pequeno é a posse, onde suas horas trabalhadas são os seus minutos de consciência possuída. 

No Brasil de 1820, o movimento que melhor descreve essa transição é a Maçonaria. A maioria dos padres e dos bispos do Brasil eram maçons. Não foram só as descobertas, as revoluções tecnológicas, o modernismo, que mexiam com o conhecimento humano, mas as perturbações psicológicas que isso causava a espiritualidade de cada indivíduo nessa sociedade. E a Igreja Católica resolveu, por bem, intervir.

Por isso, o Liberalismo pode ser mais perfeitamente entendido como um movimento de posse do catolicismo, frente ao crescimento protestante. Pasmem(!), o quê que o Papa Bento XVI e o Papa Francisco vieram fazer no Brasil(?), existem previsões, ou profecias, pra que em 2020 os protestantes sejam a maioria no Brasil. Agora, vamos trazer esse horizonte de volta pra 1830 e pensemos que 5/4 da população do Rio de Janeiro era de etnia de povos que descendiam de outras religiões e que o fantasma da abolição certamente resultaria em outra crençologia no País. Em determinado ponto, católicos e protestantes sentaram na mesa e bateram o martelo: e o Estado foi criado. O período de 1830 reflete muito bem esse debate que vinha se arrastando no tempo. É óbvio que os Africanos, nesse momento, se constituíam o principal entrave político.
Separei dois bons textos que valem apena ler, pois dará um sentido prático dos acontecimentos de época. Pode parecer massivo, poderia ter optado por falar simplesmente do pito do pango, as leis penais e civis simplesmente falam por si só: Mas em minhas andanças, percebo que o ceticismo ainda é muito grande, e existe uma tendência de isentar a religião de crimes terríveis contra a humanidade: como a Inquisição e a Escravidão: e que no fundo haveria uma tendência de criminalizar a africanidade, como "criminosos", "arruaceiros", "perigosos", "marginais" (algo que fazem hoje em dia com o maconheiro) e que no fundo, os católicos só estavam "cuidando" do maior patrimônio social: a moral: e que os 15.000.000 de cativos que cruzaram o oceano  atlântico foram necessários pra compor todo esse idealismo que conhecemos.

Hoje os cultos africanos no Brasil começaram uma segunda insurgência, por percebem que perderam suas raízes, que tudo isso teve um preço, mas, por ironia, por serem a minoria, são obrigados a aceitar uma tutela na esfera da consciência, para poderem existir. Um bom exemplo disso é que qualquer culto ou Igreja que não possuir uma matriz cristã, precisará de uma autorização da Secretaria de Segurança Pública: senão, o alvará de funcionamento não sai: Isso é muito mais vergonhoso que o Crucifixo no Supremo Tribunal Federal: por afetar explicitamente o pluralismo. Achei por bem falar das concordatas de início, porque a forma como o Judiciário e o Legislativo passaram a funcionar em um Estado Democrático de Direito, rouba a percepção de qualquer mortal de perceber como Leis Municipais, Estaduais e Federais, que ecoam sobre o âmbito fiscal e econômico, transpõem a visão da Constituição mera e simplesmente, criando uma verdadeira teia, tornando o Artigo Quinto completamente inútil, a ponto de afirmar que a liberdade de consciência nunca existiu e nunca vai existir em nosso País.

 

Bula/Carta/Encíclica é algo que tem cheiro de Concordata: porque, como já foi dito, depois do incidente de Napoleão, a Santa Sé [esse é o nome da cabeça do dragão] passou a titularizar/disfarçar/esconder melhor os seus “Tratados” Internacionais, pelo advento do que se seguiu: a formação de um Estado: algo muito mais complexo do que o singelo conceito de Nação. O que se aprendeu com a Revolução Francesa foi o desdobramento de um conceito: o Estado Espiritual: é uma localização: ele é na mente: não é exatamente físico, não é territorial: porque não existem exatamente fronteiras, de modo que os elos da corrente só podem ser visualizados no Funcionamento. As relações sociais são um bom exemplo disso, de modo que é inócuo falar dos Princípios Constitucionais de Justiça: porque todos eles atendem ao megaconceito de Humanidade: de modo que o tal ‘sentimentalismo Cristão’, precisava existir: qualquer organização política que não tiver tais sentimentos, será fadada ao fracasso. E ir mais afrente é falar da ‘Democracia’. Os Cristãos  organizaram o mundo, e o sucesso foi justamente esse: um Estado Espiritual de Background: como isso aconteceu é toda a espiritualidade de minha argumentação: ela não foi natural, nem por acaso: e sequer pode ser entendida como um determinismo histórico: de modo que o período até 1800 pode ser muito bem explicado pelo ângulo econômico, transição mercantilismo/capitalismo: seria uma boa justificativa de por que a Inglaterra estava comendo e a França não: a relação capital-trabalho deu margem para sociólogos angularem a analogia do camaleão, “o velho traz o novo”: Durkheim é um bom exemplo, ou, pelo ângulo do Direito, onde o Estado Liberal é melhor contextualizado: a insuficiência do poder Judiciário, onde o Iluminismo é mais fácil entendido. Mas, pós 1800, estes ângulos são insuficientes: a Economia e o Direito estavam se encontrando e conseguindo um bom assentamento de idéias, naquilo que se chamou de entendimento político da questão. Mas algo novo aconteceu: as descobertas científicas que ocorreram, pós 1800, atingiu como um meteoro no centro da espinha dorsal de toda a Teologia do Ocidente: o início foi questionado: Havia um Estado se materializando, e as suas bases espirituais haviam sido questionadas, naquilo onde ela se dizia mais forte: e essa é a explicação de por que, em 1840 ainda pairem sobre a cabeça da humanidade, uma Inquisição ocorrendo: a caça-às-bruxas agora era a própria ciência: é a boa explicação do porquê das maçonarias: ora, o protestante, com sua sede de saber, havia encurralado o católico no campo teórico, e essa é basicamente a importância de Charles Darwin: ele empurrou a biologia para os campos dogmáticos da física e da química, que estavam até então afinados com o Criacionismo: se não fosse a habilidade do católico mais uma vez, de contornar a situação e criar uma rápida formatação naquilo que deveria ser elementar e preservado, o continuismo [...!] :  e isso é basicamente bater o martelo sobre quais as idéias serão aceitas, consideradas válidas e quais as que serão consideradas anathema: a ciência mais uma vez foi parar nas mãos do domínio espiritual da causa: o resultado disso, foi o caminho que se seguiu: criações de constantes, teorias explicativas do nada, e uma ciência completamente amarrada: e é neste sentido que a carta de Gregório XVI deve ser melhor absorvida: pelo seu momento histórico, e como aquele barril de pólvora foi rapidamente apagado, mais uma vez. De modo que a história, entendida a partir dos grandes centros informativos mundiais, as grandes ‘Universidades’, é falho e mentiroso. A primeira proibição da cannabis é importante, porque buscou-se deste início angular a questão como racismo: e não foi: nem muito menos econômico, nem social: foi religioso: sempre foi religioso. É o que a ciência é: Religião. E o que a religião é? É um funcionamento. Não discuto a humanidade destas idéias: discuto a sua Naturalidade: a Filosofia do Ocidente não tem início: se utilizou da sabedoria de outros povos para sobrescrever seus sentimentos: sentimentos estes que a natureza afirma serem os piores possíveis que já existiram: Anaturais.

 

A Bula/Carta/Encíclica de Gregório XVI dizia o seguinte:

 
“Mirari Vos (Sobre o Liberalismo e o Indiferentismo Religioso)
Papa Gregório XVI
Encíclica do Papa Gregório XVI promulgada em 15 de Agosto de 1832.
A todos os Patriarcas, Primatas, Arcebispos, e Bispos do Mundo Católico.
 
Veneráveis Irmãos, Saudações e Bendição Apostólica.
 
Nós achamos que vocês devem se perguntar por que, desde o tempo em que Nós assumimos o pontificado, Nós ainda não havíamos mandado uma carta a vocês como é costumeiro e como Nossa benevolência demandou de vós. Nós queríamos muito nos endereçar a vocês por aquela voz pela qual Nós fomos comandados, na pessoa do abençoado Pedro, para reforçar nossa irmandade. Vocês sabem que tempestades de evil e labuta, no início de Nosso pontificado Nos arrastou de repente pras profundezas do mar. Se a mão direita de Deus não tivesse Nos dado força, nós teríamos nos afogado como resultado da terrível conspiração de homens ímpios. A mente recua-se de renovar isso enumerando tantos perigos; ao invés Nós abençoamos o Padre de consolação Que, tendo deposto todos os inimigos, Nos arrancou do presente perigo. Quando Ele acalmou esta tempestade violenta, Ele Nos deu alívio do medo. De uma vez Nós decidimos aconselhar vocês na cura das feridas de Israel; mas a montanha de preocupações que Nós precisamos endereçar em ordem a restaurar a ordem pública Nos atrasou. [...]
[...] 5. Nós falamos das coisas as quais vocês vêem com seus próprios olhos, as quais Nós ambos lamentamos. Depravações exultam-se; a ciência é imprudente; a liberdade, dissoluta. A santidade do sagrado está desprezada; a majestade da veneração divina não só é desaprovada por homens evils, mas suja e jogada ao ridículo. Daí esta doutrina barulhenta é pervertida de erros e de todas as formas ousadamente espalhada. As leis do sagrado, dos direitos, das instituições, e disciplina –nenhuma delas está a salvo da audácia daqueles falando o mal. Nossa Sé Romana está violentamente assediada pelos laços da unidade sendo diariamente afrouxados e cortados. A autoridade divina da Igreja é contrariada e seus direitos despojados. Ela está sujeita à razão humana e com a maior injustiça exposta ao ódio das pessoas e reduzida a vil servidão. A obediência devida aos bispos é negada e seus direitos são esmagados embaixo dos pés. Ademais, academias e escolas ressoam com novas, opiniões monstruosas, que abertamente atacam a fé Católica; essa guerra horrível e nefária está abertamente e até publicamente empregada. Assim, pelas instituições e pelo exemplo dos professores, as mentes dos jovens estão corrompidas e um golpe tremendo é dado à religião e a perversão das morais é espalhada. Então as restrições da religião são jogadas fora, pela qual os reinos sozinhos se destacam. Nós vemos a destruição da ordem pública, a queda das principalidades, e o derrubar de todos os poderes legítimos se aproximando. De fato essa grande massa de calamidade teve seu início nas sociedades Hereges e seitas nas quais todos os sacrilégios, infamidades, e blasfêmias foram juntadas como águas de esgoto no porão de um navio, uma massa congelada de toda a sujeira. [...]
[…] 13. Agora Nós consideramos outra fonte abundante de evils com os quais a Igreja está aflita no presente: o indiferentismo. Essa opinião perversa é espalhada por todos os lados pela fraude dos perversos que clamam que é possível obter a salvação eterna da alma pela profissão de qualquer tipo de religião, desde que a moralidade seja mantida. Certamente, num assunto tão claro, você dirigirá este erro mortal para longe das pessoas acometidas aos seus cuidados. Com a admoestação do apóstolo que “existe um Deus, uma fé, um batismo” possam aqueles que temem os que idealizam a noção de que o porto seguro da salvação está aberto a pessoas de qualquer religião que seja. Eles deveriam considerar o testemunho de Cristo Ele próprio que disse que “aqueles que não estiverem com Cristo estão contra ele” e que ele dispersa infelizmente aqueles que não se unem com Ele. Portanto “sem nenhuma dúvida, eles perecerão para sempre, a menos que eles abracem a fé Católica total e inviolada”. Deixe-os ouvir Jerônimo que, enquanto a Igreja foi rasgada em três partes pela cisma, nos diz que sempre que alguém tentou persuadi-lo a juntar-se a um grupo ele sempre exclamou: “Aquele que é pela Sé de Pedro é por mim”. Um cismático se lisonjeia a si próprio falsamente se ele afirma que ele, também, foi lavado nas águas da regeneração”. De fato Augustino responderia a tal homem: “O ramo tem a mesma forma quando foi cortado da vinheira; mas pra que lucro serve a forma, se não se a vive desde a raiz?”.
14. Esta fonte vergonhosa de indiferentismo dá lugar a absurda e errônea proposição que clama que a liberdade de consciência deve ser mantida para todo mundo. Ela espalha ruina em assuntos civis e sagrados, embora alguns repitam de novo e de novo com a maior imprudência que algumas vantagens aumentam a religião a partir disso. “Mas a morte da alma é pior do que a liberdade do erro”, como Augustino costumava dizer. Quando todas as restrições forem removidas, pelas quais os homens são mantidos no caminho estreito da verdade, sua natureza, a qual já é inclinada ao mal, os propagará a ruina. Então verdadeiramente “o poço sem fundo” está aberto, do qual João viu a fumaça ascendendo, as quais obscureceram o sol, pra fora de onde voaram gafanhotos avante a devastar a terra.
Dali vem a transformação das mentes, corrupção dos jovens, contento das coisas sagradas e leis santas –em outras palavras, a pestilência mais mortal ao estado do que qualquer outra. Experiência mostra, mesmo desde os tempos mais antigos, que cidades reconhecidas por riquezas, domínio e glória pereceram como resultado de um único evil, nomeadamente a imoderada liberdade de opinião, licença de livre discurso, e desejo por novidade.
15. Aqui nós devemos incluir aquela maléfica e nunca suficientemente denunciada liberdade para publicar quaisquer escritas que sejam e dissemina-las para o povo, os quais alguns ousam demandar e promover com grande clamor. Nós estamos horrorizados em ver que essas doutrinas monstruosas e erros prodigiosos estão disseminados longe e largamente em incontáveis livros, panfletos, e outras escritas as quais, apesar de serem pequenas em peso, são bem grandes em malícia. Nós estamos em lágrimas diante do abuso que se procede deles sobre a face da terra. Alguns são tão carregados pra longe que controversamente afirmam que o rebanho de erros que surge deles é suficientemente compensado pela publicação de algum livro que defende a religião e a verdade. Toda Lei condena deliberadamente fazer o evil simplesmente porque exista alguma esperança de que o bem possa resultar dali. Existe algum homem são que diria que veneno deve ser distribuído, vendido publicamente, armazenado e até bebido porque algum antídoto está disponível e aqueles que usarem-no poderão ser livrados da morte de novo e de novo?
16. A Igreja sempre tomou ação para destruir a praga dos livros ruins. Isto era verdade até nos tempos apostólicos pois nós lemos que os próprios apóstolos queimaram uma grande quantidade de livros. Pode ser o suficiente consultar as leis do quinto Concílio de Latrão neste assunto e a Constituição a qual Leão X publicou para que “aquilo o qual foi descoberto vantajoso para o aumento da fé e o espalhar das artes úteis não seja convertido ao uso contrário e trabalho maléfico para a salvação de fiéis”. Isso também foi de grande preocupação aos padres de Trent, que aplicaram um remédio contra este grande evil pulicando um decreto totalitário em relação ao Index de livros que contém falsa doutrina. “Nós devemos lutar valentemente”, Clemente XIII diz em uma carta encíclica sobre o banimento de tais livros maus, “por mais que o material por si só demande e deva exterminar o veneno mortal de tantos inúmeros livros; pois nunca o material para o erro será retirado, a menos que as fontes criminosas de tais depravações pereçam em chamas”.  Desta maneira é evidente que esta Santa Sé sempre lutou, ao longo das eras, para condenar e remover livros suspeitos e maléficos [...]”
17. Nós soubemos que certos ensinamentos estão sendo espalhados entre o povo comum em escritas que atacam a confiança e submissão devida aos príncipes, as tochas da traição estão sendo iluminadas em todo lugar. Cuidado deve ser tomado para que o povo, não seja enganado, e levado para longe de sua trajetória reta. Que possam todos se lembrar, de acordo com a admoestação do apóstolo que “não existe nenhuma autoridade com exceção de Deus; qualquer autoridade que exista foi direcionada por Deus. Portanto aquele que resiste a autoridade resiste às ordenações de Deus; e aqueles que resistem levam a si próprios à condenação. Portanto tanto as leis divinas quanto as humanas choram contra estes que se esforçam pela traição e sedição para dirigir as pessoas para longe de sua confiança em seus príncipes e os pressionam para longe de seus governos”. [...]  
 
O que é isso?! O que é isso é um ouriço do mar que alguém achou de pisar. O discurso do Papa Gregório poderia ser facilmente o discurso do Papa Francisco nos dias atuais, contra a legalização da cannabis, o perigo da internet, o aumento do ateísmo, a diminuição dos católicos no Brasil, o favorecimento do catolicismo em detrimento de outras religiões, em Concordatas que jamais se saberá ao certo o quê que foi negociado, que tipos de restrições e imposições podem ser feitas ao que o Vaticano considera o Liberalismo atual. Atualmente todos os cultos de matrizes africanas se dizem cristãos, são monoteístas, no passado todos eram politeístas, e o que estamos lendo acima é como tudo isso começou, mas é aquela história, o começo vai dar em Cristo, e Cristo foi bem objetivo: “Quem não tá comigo, tá contra mim”. A liberdade de consciência existe, mas Cristo é só um, e basicamente, o que o Papa defende é a substancialidade de Cristo, ele não podia ser aumentado nem diminuído, as Maçonarias tentavam trazer a ciência para dentro da Religião, e os cristãos estavam absorvidos por tantas novidades literárias, o Brasil vivia na Europa e nos Estados Unidos, de modo que todo o povo brasileiro naquele momento não estava alheio ao que estava acontecendo no Continente Europeu e muito menos o Papa no que estava acontecendo no Brasil. Tudo isso foi explicado nos motivos externos e internos, no tópico Maçonaria.
No entanto o Papa não falou nada sobre escravidão, e com certeza os escravos queriam ter escutado alguma coisa por parte da Igreja naquele momento. Mas o liberalismo chegou até eles, e o que eles faziam naquele momento era nada mais do que exercitar algo que eles haviam tido e haviam perdido, de modo que a Igreja católica, mesmo hoje, “merece o perdão”, porque ela estava defendendo os bons costumes, e digo mais, o que Gregório escreveu está completamente afinado com a Bíblia e com Cristo, isso porque a Santa Sé é uma Instituição e o que um Papa escreve não pode ferir o que outro Papa escreveu, do mesmo modo seu pensamento tem que estar afinado com o dos cardeais, com os Cânones, sua Bula passará por uma junta examinadora dentro da própria Sé, que avaliará a redação final. É inadmissível achar que os Papas agem sozinhos, que o mal se apoderou da Instituição em uma determinada época. O que o Papa escreveu é o Cristianismo. O que é isso? .. É o Cristianismo.
 
O aviso de 12 de março de 1832, de Antônio Feijó, dirigido ao episcopado brasileiro:
 
   "Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor — Se a religião católica é mantida pela Constituição por ser a religião dos brasileiros, de cujas verdades estão convencidos; Se a sua moral, tão pura e santa, tanto concorre para dar vigor às leis, tornar mais sólidos e permanentes os princípios sobre que repousa o sistema constitucional;
   É também inegável que a superstição, a hipocrisia e meras exterioridades religiosas só servem para desacreditar a verdadeira religião, tornarem-na ridícula aos olhos do homem sensato, e um objeto de curiosidade e divertimento para com a multidão que não pensa;
   Não podendo dissimular-se que a causa principal da irreligiosidade que, com mágoa dos verdadeiros crentes, se observa em todo o Império é devida a má escolha dos ministros da religião;
   À negligência dos prelados em regular o culto pelas leis da Igreja, consentindo que nele se introduzam tantos abusos, tolerando que nos templos as festas se façam até de noite, onde se desenvolve com escândalo notável a perversidade daqueles que nenhum caso fazem da celebração dos santos mistérios;
   À nenhuma importância que deu às queixas dos fiéis contra seus párocos, que, recebendo do tesouro público e dos paroquianos não pequenas contribuições, contentam-se em praticar exteriormente certos atos sem importar-se com a mais útil, a principal de suas obrigações, que é plantar a semente dos bons costumes e promover assiduamente, com a palavra e o exemplo, a prática da moral evangélica; consentindo que por pretextos visivelmente falsos os vigários se retirem e se conservem fora de seus benefícios onde ainda enfermos poderiam prestar grandes serviços, se estivessem animados do espírito de seu sagrado ministério; Querendo a Regência, em nome do imperador, remover tais embaraços, que tanto dano causam à religião e à moral pública confiada aos seus ministros;
   Manda recomendar a V. Exa. Revma. a mais escrupulosa escolha das pessoas destinadas ao serviço da Igreja que, por suas moralidades e instrução, sejam capazes de lhe servir de ornamento; a severidade em punir canonicamente os que se desviarem das regras; o extermínio de tantos abusos que se tem introduzido no culto público, finalmente o exato cumprimento de seus deveres.
   Esperando que V. Exa. Revma. será o primeiro em mostrar, por seu exemplo, quanto respeito consagra aos princípios religiosos que professa, e quanto se empenha em manter intacto o depósito da fé e da moral, que lhe foi confiado; e que obrando desta sorte evitar-se-ão as repetidas queixas contra os párocos, que, em geral, tão mal desempenham o seu ministério.
 
   Deus guarde V. Exa. Revma.
 
   Paço do Rio de Janeiro, em 12 de março de 1832.

 

   Diogo Antonio Feijó".
 
 
 
O PITO DO PANGO:
 
Pensemos: o que estava se proibindo de fato? O consumo de cannabis sempre existiu nos canaviais, existem diversos livros a respeito, e sempre foi concedida pelos senhores de engenho, que também aproveitavam os intervalos de safra pra plantar o seu consumo de tabaco. Os marinheiros portugueses também consumiam cannabis. Outra inverdade também já detonada é que teriam sido os escravos de angola quem teriam trazido a cannabis pro Brasil no começo do século, hoje já é comprovado que os índios sul-americanos já a conheciam há milhares de anos, nas tribos dos Mura, Sateré-Mawé, Ianomâmis e os Guajajaras, faziam uso tradicional da erva. Os Guajajaras, por exemplo, têm a planta em alta estima e sua presença na mitologia do grupo atesta à antiguidade de seu uso, que remeteria à segunda metade do século XVII, relatos de que se tem conhecimento, pois que as embrenhas Amazônicas não foram englobadas no conhecimento de tribos e costumes logo da Colonização do Brasil, que em seus primórdios foi litorânea, apenas sendo bem mais pra frente descobertas suas regiões mais internas. A planta é consumida pelos indígenas no contexto xamânico, junto com o tabaco, para propiciar o transporte místico do pajé e na divinação. Outros nativos das Américas também usam a Cannabis, entre os quais estão os índios Cuna do panamá, que já possuíam escrita antes mesmo da chegada dos Europeus, os índios da Cora do México, e outros. Segundo uma comunicação pessoal do arqueólogo chileno Manuel Arroyo, foram encontradas pinturas rupestres naquele país, próximas a fronteira com a Argentina, feitas com tintas cujos pigmentos indicavam a presença de THC e que foram datadas de 12.000 anos. Isto mostra não só uma presença pré-colombiana da planta no continente, como também um uso mágico-religioso da mesma, mostrando a presença da cannabis não só nos costumes e rituais como também em uma determinada tradição artística dos indígenas.
 De modo que se torna improvável a afirmação de que quem trouxe a “mudinha” foram os negros e/ou Europeus.
Com relação ao uso religioso da cannabis pelos negros africanos, temos a tribo Bena Riamba [“os irmãos da cannabis”]. Todo dia ao pôr-do-sol, os membros desta tribo se reuniam em roda no centro da aldeia para fumar a planta. Antes de passar o cachimbo, olhavam-se nos olhos dizendo: “Paz irmão da Cannabis”. Representantes dessa tribo são encontrados até hoje na costa sul de Moçambique. Assim como os Bena Riamba, muitas outras tribos se converteram ao uso da planta, incorporando-a em destaque no seu panteão. A palavra maconha vem de Ma Konia, mãe divina, num dialeto da costa ocidental africana. O nome Pango vem do sânscrito Bhang, através do árabe Pang, até o africanismo Pango, e o atual “brasileirismo” Bong, todos lembram do Michael Phelps usando um. E isso me chamou a atenção nas origens da cannabis, se ela era usada em rituais também, e se estaria associada a religiosidade também. Para os árabes, o “Velho da Montanha lhes dizia que assim gozariam do paraíso de Allah caso cometessem assassinatos políticos que favorecessem a seita. A palavra assassina tem origem a partir deste episódio, já que os membros da seita eram chamados de haxixin”. É certo que os cruzados que os combateram aprenderam destes o uso do haxixe, levando-o consigo de volta à Europa.
Com a islamização do norte da África, a planta se espalha rapidamente por este continente e breve não só os povos islamizados fazem uso entusiástico como também as tribos animistas do resto da África. Um rei africano apresentado à erva, converte-se a seu culto e foi assim que esta tribo passou a se chamar Bena Riamba [“os irmãos da cannabis”].
Tradicionalmente, a Igreja Católica censurou tudo que veio do Leste, como coisas do Diabo. E Shiva não poderia ser diferente, até porque, a divindade está intimamente relacionada com Jesus Cristo, por muitos teólogos historiadores, por alguns conceitos que cercam a divindade indiana. Uma delas é que ele é o Terceiro Deus da Trindade Indiana. Elementos como o Tridente de Shiva ser o destruidor do universo, simbolizar a união dos opostos, o poder sobre todas as coisas, a ressurreição[...]. E nada se relaciona mais com essa divindade do que a Cannabis. O curioso é que nos rituais que envolvem o uso da cannabis e o contato com a divindade no plano espiritual, na concepção indiana, não existia a presença do álcool e, principalmente, na forma destilada, a cachaça. Deixo aqui um bom link, a Origem da Cachaça: [http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-cachaca/historia-da-cachaca-8.php].
Resumidamente, a cachaça é uma invenção Brasileira. Mas qual a sua relação com os cultos praticados no Brasil[?]. Chamo a atenção do leitor para um princípio relevante em qualquer leitura: a coerência. Estamos falando de um Ritual Indiano, que através dos Árabes foi parar na África, e da África veio parar no Brasil, todos associados a cultos religiosos, não era só o cachimbo que fazia parte do culto, mas a própria cannabis em si. Ora, seus usuários afirmavam se conectar com outros deuses que não o Católico. O uso mais antigo da cannabis, historicamente comprovado, está ligado aos Sumérios, e estes também usavam com essa pretensão. [www.cia-da-maconha.blogspot.com/a-santa-fé-e-a-cannabis.html]
Isso já cria um mal-estar no catolicismo, que era a única religião da Europa até 1500 e que, em todo seu processo de Inquisição, a ênfase foi a heresia, diferentemente do Protestantismo, que quer proibir o uso de coisas do Diabo.
 
 
A Igreja Católica já havia proibido o epadú em 1500. Em meados do Século XVI, o Primeiro Concílio Provincial, realizado em Lima em 1551, se dirigiu ao Rei da Espanha para pedir-lhe que sancionasse uma cédula Real que proibia nas Índias Espanholas a produção, comercialização e consumo da coca, argumentando que este arbusto, por mais que possuísse valores nutritivos, tinha propriedades Satânicas e que os indígenas a usavam para fins maléficos, como a adoração ou invocação a Satanás. No Segundo Concílio Provincial, em 1567, reafirmou seu rechaço ao consumo da folha de coca em que incorriam os indígenas, e no título XIV da Recompilação das Leis das Índias se disse: “Somos informados que nos costumes dos índios do Peru tem o uso da coca, e sua agricultura, se seguem grandes inconvenientes, por serem muitas partes de suas idolatrias, cerimônias e feitiçarias, e fingem que trazendo-a na boca lhes dá mais força, e vigor para o trabalho, que segundo afirmam os experientes é ilusão e Demônio, e em seu benefício perecem milhares de índios, por ser quente e doente a parte onde se cria”. De modo que a coca, que a agricultura Inca cultivou outorgando-lhe poderes divinos, foi vista pela Igreja Católica como uma erva satânica e maligna, cujo uso atentava não só contra os bons costumes humanos, como também contra a moral cristã”.
 
[ FONTE: [http://sincronia.cucsh.mx/cocay.htm]. ]
 
Perceba que a Proibição imposta nos EUA pelos Edictments de 1925 é diferente [http://cia-da-maconha.blogspot.com.br/2013/07/por-que-o-alcool-foi-proibido.html], a Proibição Americana parte do Protestantismo, o combate de um evil, o Diabo. A Proibição Brasileira parte do Catolicismo, é o combate à heresia, não significa propriamente o Diabo, mas algo que atente contra os Cânones Católicos, ou seja, a Proibição do CULTO do Pito do Pango. Antes que prossigamos nos fatos históricos que estão relacionados à sua proibição, como Leis, motivos externos e internos que possuem, em certa medida, uma abrangência, é importante que se entenda como estavam e como eram exatamente os Cultos Brasileiros Africanizados. E o ponto de partida é entender o que era propriamente o Terreiro. Você já deve provavelmente ter ouvido essa expressão, que “a proibição da maconha foi porque ela era usada em terreiros no início do século XIX e isso teria sido racismo”. Ora, muito curiosa essa explicação, o nível mais baixo que um ser humano pode chegar é a escravidão, e proibirem alguma coisa é “racismo”..! é óbvio que essa explicação agrada e muito a religião, pois desloca a responsabilidade para a sociedade civil, constituída na forma de Estado.
De modo que, apesar da maioria dos historiadores identificarem o episódio da proibição como sendo racial, são muito ingênuos ao desconsiderar a realidade de 1830 e misturá-la com a de 1920 em diante, com os Edictments Americanos, muito menos associar o livro de Dória escrito em 1870, onde o cenário e explosão demográfica do RJ eram outras completamente diferentes. Não existia naquela época uma Medicina Legal nem uma Política Sanitária e muito menos índices de criminalidade que pudessem associar ou criar alguma psicologia do crime de época. O que existe é um enorme bug, a maioria dos historiadores começam falando de 1830 e pulam pra 1920 e usam sempre os mesmos autores, Cardoso, Foucault, Dória, e os Edictments Americanos, sem nenhuma relação de época - Mesmo sabendo que a 1ª Faculdade de Medicina no Brasil foi criada apenas em 1832. Aceitaria-se a explicação racial se no ano seguinte da proibição não houvesse uma sequência de eventos restritivos impostos pela Santa Sé ao Brasil. Apesar do forte Liberalismo Brasileiro, mais traduzido pelas maçonarias, onde a maior parte dos cleros fazia parte, inclusive bispos e arcebispos do Brasil, essa tentativa de emancipação do Estado da Religião não foi possível, e demoraria muito tempo pra que hoje uma maioria argumente que o “Brasil é um Estado Laico”. Quando se viu Dilma quase perder uma eleição por causa do aborto, e hoje o Feliciano movendo milhões, provavelmente nosso futuro presidente, 90% da população ser cristã, argumentar-se que a separação civil da Igreja representou um substancialismo tão alto a ponto de minar o controle ideológico em uma estrutura de poder...[!] Não há absolutamente nada interno no Brasil que explique a proibição de 1830. Mas pra quem pense o contrário, click aqui:   http://www.estudosdotrabalho.org/anais6seminariodotrabalho/ricardotadeucairessilva.pdf  
O que eram propriamente os cultos “africanos abrasileirados”:
Em 2010 havia lido um artigo que falava da descoberta de cachimbos, supostamente o tal pito do pango, por arqueólogos da UFRJ. Dizia o seguinte: “[...]Os primeiros escravos das etnias Quicongo e Quimbundo trouxeram as sementes de maconha escondidas na roupa. Na cultura desses grupos a maconha era utilizada em períodos de lazer e durante alguns rituais religiosos. Segundo a arqueóloga Rita Scheel-Ybert foram encontradas 198 peças. "É uma pesquisa pioneira. Através da análise de microrrestos vegetais, fitólitos (cristais de silício característico de cada planta) e grãos de amido, temos informações sobre vestígios vegetais em peças de cerâmica e cachimbos. Encontramos neles pequenos vestígios que podem ser de cannabis", explica. A história da criminalização da maconha, na década 30, está diretamente ligada a uma posição racista do governo brasileiro. A maconha era apontada como um elemento da cultura negra "que poluía e destruía os valores da cultura (branca) nacional".
No artigo de Rita Scheel-Ybert, da UFRJ, me interessei apenas pelo cachimbo, que é a materialização de um fato histórico, no sentido de que o cachimbo do pito do pango realmente existiu, isso é importante porque lidamos com a “inocorrência”, a tendência que os fatos históricos têm a desaparecer. Veja que no mesmo artigo ela levantou hipóteses culturais, raciais e sociais, mas, por que não religioso? Foi uma constante em minha pesquisa, o “por que pesquisadores brasileiros se excluem desse tipo de interpretação?”. Ora, a grande maioria trabalha pro próprio governo, onde já existe uma censura tácita, o Brasil possui uma religião oficial, de modo que a maior parte do meu trabalho foi pesquisar em outros idiomas, e as poucas teses que encontrei no Brasil que conseguiram tratar do assunto de uma forma honesta, pecavam muito na linkagem, interesses econômico possuem sempre uma prioridade, e no âmbito religioso sempre existe uma tentativa de desinstitucionalizar, atribuindo  a grupos de pessoas ou uma pessoa isolada, como se essa pessoa não tivesse nenhum vínculo com o núcleo de idéias partindo de um poder centralizador, de modo que a minha queixa é que a culpabilidade, no que tange especificamente a escravidão, é de que a Sociedade assuma de uma forma honesta sua participação e omissão no fechamento de um período conturbado de nossa história, não só no âmbito escolar, como universitário. É inaceitável, é inadmissível, que os aspectos religiosos de nossa história sequer são ventilados. Mas, no entanto, não compreendo por que todos os cultos africanos praticados no Brasil ainda são totalmente cristianizados. Após toda essa compreensão, que isso foi um processo traumatizante, ao mesmo tempo é inaceitável [a total perca de sua africanidade] e é basicamente isso que será colocado, o Candomblé no Brasil, o que foi exatamente isso, acho importante que se fale mais um pouco sobre os cultos africanos antes de adentramos na legislação e nas circunstâncias em que ocorreram a Proibição.
De toda forma, a planta esteve desde o início associada à população de origem africana, e aos cultos afro-brasileiros, que sempre utilizaram a Cannabis. Já no século XVIII, os relatos sobre os calundus –reunião de negros ao som de tambores– indicavam a presença da planta, que era inalada pelos participantes, deixando-os “absortos e fora de si”. Até a década de 30 do século XX, quando são legalizados os Candomblés e Xangôs, a Cannabis era constantemente apreendida nos terreiros junto com os objetos de culto, sendo considerada também um objeto de culto, culto a outros Deuses.
É isso que mais me chamou a atenção, no que tange à proibição da Cannabis. E para um maconheiro pós-modernista pode até parecer estranho, mas a cannabis, originalmente, era fumada em cachimbo e, historicamente, sempre em rituais de passagens, que convencionou-se chamar de “rituais religiosos”, e o que me despertou a curiosidade de saber como ela era fumada no Brasil, “..nessa época não tinha dixavador, não tinha seda, não tinha isqueiro da bic..”, o quê que eles estavam proibindo exatamente, a cannabis ou cachimbo? Ou tudo faz parte de uma mesma coisa? Se o cachimbo não seria análogo à taça de vinho da Santa Ceia, presente em todo culto religioso católico, ou ainda, se o uso de cachimbo no culto era o problema, uma vez que o cachimbo no canavial não era. O que eram esses cultos exatamente? Eram só os negros e escravos que participavam? Existia alguma ideologia nos cultos, que fosse extremamente contrária à fé católica ou, mais especificamente, a Santa Sé? A Igreja, provavelmente, deveria saber, uma vez que o Estado já sabia. E o que pretendiam esses cultos? Uma revolução no país? Tavam conspirando contra o Imperador? Ameaçavam a economia do país? Existia uma política sanitarista no país, uma Medicina Legal, estudos científicos, altos índices de criminalidade que correlacionassem ao uso da cannabis..? existiam registros, anotações, estatísticas..? O que leva, de uma hora pra outra, sete vereadores da Câmara Municipal (da Nossa Senhora da Conceição) do Rio de Janeiro a assinar sua proibição? Uma preocupação muito grande com algo com o qual não havia uma justificativa relevante. O que eles tinham na mão então? Nada, a não ser caneta e papel. Então, sua proibição estaria conectada obviamente com algo e foi provavelmente esse algo que moveu sua proibição. É óbvio que, historicamente, a única coisa que correlaciona com a sua proibição é a religião. Mas como provar algo que se esconde tão bem na história? Iniciei uma “Cruzada” na internet e encontrei um vasto material, extremamente relevante, que mostram-se inteiramente coerentes e que mostram que a proibição da cannabis partiu única e exclusivamente da Igreja Católica Romana. E é basicamente isso que vocês vão encontrar aqui, o verdadeiro motivo pra sua proibição e a verdadeira justificativa de por que ela é proibida e nunca será liberada, nenhum país do mundo o fez até hoje [a cannabis não é 100% descriminalizada em nenhum país do mundo, mesmo nos que recentemente a “liberaram”] e o Brasil não será o primeiro. Vamos aos fatos:
Seguindo a linha de pensamento, meu ponto de partida teria que ser o cachimbo. Por que o cachimbo? Se existia o Pito do Pango, e o Pango era um cachimbo, teria que descobrir a origem do Pango, se era verdadeiramente de religiões de matrizes africanas. E o que eu encontrei foi um histórico bem interessante. Segue abaixo:
A Cannabis é considerada planta Exu, sendo consagrada a esta Divindade. Em 1830, a legislação do município do Rio de Janeiro punia o uso do “pito do pango” [como era conhecida a cannabis, por ser fumada em grandes cachimbos de barro durante os rituais], com pena de cinco mil réis ou dois dias de detenção. Apenas na época do Presidente Getúlio Vargas, os cultos africanos foram “liberados”, desde que eles removessem a maconha de seu ritual. Somente após os negros aceitarem essa condição, puderam exercer seu culto. [livro disponível na google, autor Nanú de Almeida]. Mas não confundam liberdade de consciência com crença, houve liberdade de crença, mas não de consciência.
 
Essa percepção é perfeitamente entendida pelas sequências de Leis que tangem ao Africanismo e suas religiosidades. Será identificado mais a frente. 
 
 
 

 

 
 
Conclusão:
Como já foi dito e, por tudo que aqui foi proposto, é inaceitável a afirmação de que o motivo foi Racial. Não! Isso é abusar da inteligência, teríamos que rasgar muito documento e sufocar a imaginação a nível de um neandertal. O motivo foi religioso e pronto.
Mas, sabendo que tudo é possível perante a fé, fiz uma reconstituição histórica dos objetos e dos principais eventos, que dão um enorme suporte ao meu pensamento, que nesse momento, presumo ser de alguns também.
Pros que ainda não estão totalmente convencidos, o assunto é escorregadio e envolve um certo ceticismo, o histórico aqui proposto vai ajudar a reforçar a opinião. Eles são sobre temas polêmicos, cito Dawn, Inquisição, Padroado, Catequese, quem é a Santa Sé, o que diz a Bíblia, o que pensa a Igreja Católica, o que pensa Cristo, e alguns motivos internos e externos que de certa forma estariam vinculados com a proibição. Isso tudo somado, dará ao leitor condições para uma melhor interpretação histórica dos acontecimentos, e refletir não só se tal coisa ocorreu ou não, mas se ela está acontecendo no presente momento.
 
 
A Inocorrência
Hoje se fala em liberação , e todos queremos acreditar que esse dia chegara ,que se trata de mais um processo de inclusão e que a cannabis atravessa um etapismo ...Colorado conseguiu, Uruguai, Chile, Portugal, Espanha, Holanda, países buscam uma regulação, cada vez mais intelectuais se juntam a causa,  e o que parece uma questão de tempo..será..? grow feliz com sua plantação em sapateira improvisadas, jardins escondidos, e os que podem, pagando o dobro para traficante pegando uma cannabis de péssima qualidade, com sementes geneticamente alteradas, sem falar no risco ..por que a cannabis não foi legalizada ainda?
Quando iniciei esse trabalho, não imaginei o tamanho que ele ia ficar, ficou quase maior que eu, eu mesmo não sabia que era tão grande, digo, não sabia que eu era tão pequena. Mas são as pessoas pequenas que conseguem ver coisas pequenas, com o tempo você percebe que o mundo é feito de pequenas coisas, é que essas coisas somadas ficam grandes, e aí você se esquece de como ela era pequena quando ela começou. Olhando pra coisa grande agora, como é difícil olhar pras pequenas coisas. Por isso, me dediquei a falar da grande coisa, essa coisa que é tão grande que sequer cabe dentro de nós, a ponto de você se sentir invadido ou estar invadindo, e por ser pequena, o tamanho sempre vai ser uma coisa estranha, mas saber que ela existe me ajudou a compreender o meu tamanho. Por isso, dedico todo esse trabalho à Igreja Católica Romana, mais conhecida como a Santa Sé. E, como todos, paro diante da cruz e reflito... “seria ela a Igreja de Cristo..?” E pro bom cristão isso é o suficiente pra recuar. Mas pros maus, a pergunta é inevitável: onde está Cristo nisso tudo [?] Ele me deve explicações. O quê que ele tem a ver com tudo isso [?]. Bom, é basicamente isso que você vai ler nessa parte complementar, que, em última instância, dão suporte  à primeira Proibição da Cannabis.
 
A SANTA SÉ:
 
Princípio da Infalibilidade Papal:
“O Espírito Santo desce sobre o Papa Gregório I, por Carlo Saraceni, pintura de 1610, Roma.
A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), ex cathedra, está sempre correto. Isto porque, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. O uso da infalibilidade é restrito somente às questões e verdades relativas à fé e à moral (costumes), que são divinamente reveladas ou que estão em íntima conexão com a Revelação divina. Uma vez proclamadas e definidas solenemente, estas matérias de fé e de moral transformam-se em dogmas, ou seja, em verdades imutáveis e infalíveis que qualquer católico deve aderir, aceitar e acreditar de uma maneira irrevogável. Logo, a consequência da infalibilidade é que a definição ex cathedra dos Papas não pode ser revogada e é por si mesma irreformável.
As declarações de um Papa em ex cathedra não devem ser confundidas com ensinamentos que são falíveis, como uma bula. A infalibilidade papal foi longamente discutida e ensinada como doutrina católica, tendo sido declarada um dogma na Constituição Dogmática Pastor Aeternus, sobre o primado e infalibilidade do Papa, promulgada pelo Concílio Vaticano I. A Constituição foi promulgada na Quarta Sessão do Concílio, em 18 de julho de 1870, pelo Papa Pio IX”.
 
“A Igreja Católica usa duas personalidades Legais com as quais conduz seus assuntos internacionais: a primeira é o Estado Internacional, o Estado-Cidade do Vaticano, no qual o Papa é o Chefe de Governo. A segunda é a personalidade suprema Legal sobre todas as outras personalidades legais pela qual todas as propriedades e “criaturas” são súditos.
O reforço Legal da Igreja Católica como Santa Sé depende das aderências contínuas a estatutos legais, definições, convenções e pactos [como foram acumulados desde a Idade Média] com relação à primazia do Papa sobre todas as propriedades e criaturas. Estes estatutos, convenções e pactos permanecem a fábrica e fundação do sistema legal moderno na maioria dos Países no mundo.
Para estender sua força legal usando sua segunda personalidade, a Igreja Católica considera a região controlada por cada bispo uma Sé.
A Igreja Católica Romana mantém que o conceito de Santa Sé veio de São Pedro [...]”.
De acordo com os dados, o Papa Bonifácio VIII passou uma Bula Papal em 25 de Fevereiro de 1296 que decretava que “todos os prelados ou outros superiores eclesiásticos que sob qualquer pretexto ou cor que seja, sem autoridade da Santa Sé, pague para o público em geral qualquer parte de seus recebimentos ou dos fiscos da Igreja, e igualmente, todos os imperadores, reis, duques, condes, etc. que recebam tais pagamentos, serão eo ipso sentenciados com excomungação”.
Esta Bula Papal foi em resposta à crescente promulgação de papéis e cartas por nobres ao longo da Europa seguindo da Carta Magna em 1215.
O Papa Bonifácio VIII também associou um segundo e mais significante conceito à idéia de Santa Sé quando ele declarou por volta da mesma época que “cada criatura está sujeita a autoridade do papa”. O Papa Bonifácio VIII mais pra frente reforçou o veículo legal da Santa Sé em 1302 quando ele passou a Bula Papal Unun Sanctum dizendo: “Nós declaramos, dizemos, definimos, e pronunciamos que é absolutamente necessário para a salvação de cada criatura humana estar sujeita ao Pontífice Romano”.
A personalidade legal da Santa Sé se tornou instrumental na Igreja Católica estabelecendo um dos negócios mais lucrativos da Idade Média: O Comércio Internacional de Escravos. Essa indústria, inicialmente controlada por Portugal e Espanha só foi possível devido aos únicos atributos clamados da Santa Sé.
Contudo, um novo desafio surgiu com as expedições propostas para as “novas terras”, tanto pela Espanha quanto por Portugal, e como estes deveriam ser resolvidos. O Papa Sisto IV [1471-1492] ajudou em resolver a disputa com Espanha e Portugal, seguindo o Tratado de Alcaçovas, passando a Bula Papal Aeterni Regis em 1481, a qual garantia as terras “ainda a serem descobertas” bem como a costa ao oeste da África desde Guiné até Portugal.
Quando a Espanha patrocinou/endossou a expedição Marinha Papal para clamar o Novo Mundo sob o comando de Cristóvão Colombo, o Papa Inocêncio VIII [1484-1492] estendeu o conceito da Santa Sé para agora ser literalmente todos os oceanos inteiros com todas as terras que houvessem nele. A Cristóvão Colombo foi dado o título legal especial de Governador e Capitão-General das Índias, Ilhas e Terras-Firmes do Mar Oceânico.
A palavra “Índias” não se refere às ilhas agora conhecidas como Caribenhas, mas um termo definindo o conceito da Igreja Católica Romana sobre as “criaturas” humanas sujeitas ao clamado controle legal do Papa.
Sob o comando do Papa Inocêncio VIII, o papel da Inquisição e Inquisidor mudaram para aumentar sua autoridade legal e espiritual quando despachavam/enviavam os “hereges”. Por volta de 1483 Tomás de Torquemada foi nomeado Inquisidor General de Aragão, Valência e Catalunha.
Seus torturadores e milícia especial foram então abençoados e declarados na mais alta ordem sagrada da Igreja Católica Romana, ou, Cavaleiros das Sedes Sacras.
Como a ordem militar da Igreja Católica Romana, os Cavaleiros das Sedes Sacras foram outorgados pelas ordens legais do Pontífice Romano em nome da Mãe Igreja para trabalhar constantemente na Santa Inquisição contra todos os hereges,e isso incluía cometer assassinatos, torturas e contra-inteligência, para proteger o nome da Santa Igreja Católica Romana e diretamente representar os interesses da Santa Sé como sua ordem primária de Santos Cavaleiros”. 
 
 
A maioria das pessoas, simples mortais, mesmo lendo com tantos detalhes o texto acima sobre o que é a Santa Sé, ou “o que foi” a Santa Sé como a grande maioria acredita, acha que a sua consciência livre não está sujeita ao Papa. Mas tá enganado. A dificuldade em aceitar, ou mesmo, entender, é que não se admite essa possibilidade. A primeira resposta imediata da razão é que “essas coisas não existem”, “a Santa Sé não existe”, e a resposta imediata é que essa pequena investigação mental vai dar em Cristo, e de uma forma inocente, mas carregada de “preocupações” [eu diria: medo], só que esta também possui uma atitude reflexiva. Mas sem entrar em detalhes, mesmo porque não possuo tal capacidade, digo, expor todas as perturbações humanas que cercam a fé, ou ainda, sem o poder de entender todas as interpretações de Cristo e suas possíveis manifestações, concluo que tudo isso é resultado da representatividade da Santa Sé, ela possui uma Autoridade de Cristo. Por isso, tendenciamos a não julgá-la e aceitar a conformidade de que aquilo não foi praticado por uma instituição, mas que “pessoas demoníacas se apoderaram da Instituição em alguns momentos e praticaram tal coisa”. Impressionante. Está escrito nos Cânones que uma Bula não pode desdizer a outra, elas são como elos de uma corrente. Seria possível que os 256 Papas erraram? Seria possível acreditar que um Papa agiu de forma ditatorial sobre seus cardinais? Que qualquer documento editado não possuísse um Conselho, não possuíssem uma ampla apreciação interna? E que tudo isso estaria de acordo com uma legislação Secularmente preexistente? Será que seremos tão hipócritas [Como diria Cristo aos fariseus]? Curioso é que em Matheus 23, as Bíblias protestantes traduziram a palavra hipócritas para infiéis, mas a palavra é hipócrita, esta é a que está presente na Bíblia em latim. Jesus dá um bom exemplo naquele momento sobre o que é a posse. A Bíblia toda é um enorme Tratado de Posse. Não é de se estranhar que a Igreja Católica em 1200 se julgasse dona do mundo.
Cristo explica aos fariseus sobre o que veio fazer de fato na terra, quando tenta explicar sobre os templos e oferendas e sobre Sua missão, a submissão da alma, ele não aceita outra coisa, é isso que dá valor ao ouro, mas infelizmente, ninguém entendeu. Isso acontece porque Cristo nunca foi um especialista em Direito Civil, não deixou um código pra regular as relações sociais, nem tampouco de Direito Administrativo, pra regular a ação do Estado sobre as Pessoas. Chego a achar que foi um desvio de conduta de Cristo, mas a resulta o liberta de qualquer crucificação. Não estou, no entanto, o isentando da autoria, sua consciência ab-rogadora não nos conduziu em um Processo Penal compromissado com a verdade, ao contrário, nos destituiu de qualquer julgamento, daí que o problema da posse persistiu, ainda que você escacaveie a Bíblia à procura de indícios sobre as relações de troca no universo material, você não vai encontrar absolutamente nada nos Evangelhos, você vai encontrar no Antigo Testamento, Deus teria dito que a Terra era do homem. O que se percebe é que a Bíblia é um livro de espírito e corpo, ou corpo e espírito, de modo que se o espírito pertence a Cristo, o corpo tinha que pertencer também, a posse se constituía uma condição sine qua non para o funcionamento do Cristianismo na terra. A Igreja Católica, ao longo da história, e através de seus incríveis intelectuais, pessoas iluminadas, de um vasto saber e com certeza conhecedora dos fatos, dificilmente teria sua fé abalada. Teria Deus mesmo falado com todos esses conhecedores da verdade, responsáveis pela vida de milhões, ou quem sabe até bilhões [?]. É difícil dizer aonde vai as bordas místicas da razão, mas seria bom pelo menos admitir que a possibilidade de toda essa possessão existiu.
Por último, eu acrescentaria que os católicos devem agradecer e muito aos protestantes , que criaram todo esse universo de possibilidades, dentre elas o advento da propriedade, como o trabalho sendo o único veículo de adquirir alguma coisa em todo esse universo de disponibilidade que o Cristianismo nos proveu. Deixo aqui uma pergunta: se este foi o preço da Democracia, e se de alguma forma realmente não estamos relacionados com todo esse processo histórico, e que de uma forma intrínseca não só validamos na concorrência de autores como meros coadjuvantes, mas como coautores atemporais.
Do mesmo modo, questiono se todo processo de legalização que cerca a cannabis não se trata de um controle das sementes, com o intuito de uma redução no THC e que tudo isso não se trata de uma possessão, uma tentativa de torna-la parte do corpo de Cristo, à medida em que a propriedade é função da liberdade, seria contraditório supor que o corpo possua algo que não seja posse de Cristo, entraria em choque com o espírito já possuído, veja que no caso da escravidão o processo é análogo: os escravos tiveram que ser despossuídos primeiramente, para readquirir sua posse dentro de um conceito cristão, como um ato único e direcionado de despossessão da natureza, motivo pelo qual se tornou o principal objetivo desse trabalho, minha preocupação realmente é com a Natureza e com os limites do ser humano, muito mais que um simples usuário que busca o seu prazer.
 
A planta cativeiro: Nenhuma planta da natureza é escrava da semente, ela é livre pela natureza, pra que possa germiná-la.
 
 
ESCRAVIDÃO
 
"Muitos estudiosos, principalmente os historiadores, afirmam que, para se entender o projeto pedagógico jesuítico, deve-se adentrar em seu imaginário colonial. Flores [2003] revela, de forma apropriada, o universo jesuítico, a partir de pesquisas nos textos da época construídos principalmente pelos próprios missionários. De acordo com o autor, os jesuítas tinham uma missão pré-definida, onde estavam contidas as idéias de: um cristianismo universal, sendo atingível a todos; um objetivo de unir o sagrado e o profano através de suas pontes de ligação; entender que os povos já existentes no Brasil estavam perdidos e distantes de Deus; que se deveria ler, representar e interpretar a palavra divina; que se decifraria o mundo desconhecido e o inseriria no universo cristão; um controle do saber e do poder traduzia-se no controle das práticas profanas; a civilização portuguesa cristã era o único modelo a ser seguido pelos infiéis".
Fonte: http://www.revista.art.br/site-numero-05/trabalhos/10.htm

 
Jaime Pinsky identifica e descreve o que chama de uma “pedagogia da escravização”. Estabelecido que a escravidão no Brasil tinha como características a sua perpetuidade, a transmissão hereditária via maternidade e a irrestrita alienabilidade, fala de dois processos: a escravização propriamente dita, e a inculcação da submissão. (PINSKY, 1988). Ele dividiu em cinco momentos, que acontecia a escravidão: O homem negro, livre na sua condição natural, é inicialmente aprisionado (momento um); em seguida, na condição de prisioneiro (momento dois), é levado para as feitorias (entrepostos de venda no litoral da África). O terceiro momento do processo era o seu transporte, em condições sub-humanas, em navios negreiros, juntamente com outros escravos de diversas etnias, com os quais no mais das vezes não se podia comunicar. A viagem da África até o Brasil, muitas vezes não chegava ao seu final. O relato da quantidade de mortes durante a viagem é impressionante: tanto por enfermidade como atirados do navio para fugir do flagrante quando do tráfico ilegal. O quarto momento é a sua transformação em mercadoria - deixa de ser gente, passa a ser “peça da Índia, peças de ébano” e é levado ao mercado. O último momento é a sua chegada e o tráfico interno - muitas vezes, após a venda, era levado para regiões distantes.
 
Por fim, o quinto momento era o processo de transformação do cativo em escravo, seu batismo, a mudança de nome e, só aí, o início do trabalho compulsório. E pra quem pensa o contrário, click aqui: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/28/art10_28.pdf.
 
Sustentação Ideológica da Escravidão:
 
As interpretações Bíblicas:
 
Nem Jesus, nem São Paulo, nem nenhuma outra figura Bíblica disse nada em oposição à instituição da escravidão. A escravidão era bem presente na vida na Judéia, na Galiléia, e no resto do Império Romano durante os tempos do Novo Testamento. A prática continuou na Inglaterra, no Canadá e no resto do Império Inglês, bem como no Império Português, até o início do século XIX; e continuou nos Estados Unidos, bem como no Brasil, até quase o final do século XIX.
Quotando o Rabino M.J. Raphal, em 1861:
“Receber a escravidão como uma das condições da sociedade, o Novo Testamento em nenhum lugar interfere em ou contradiz o código de escravidão de Moisés; ele até preserva uma carta [a Fílemon] escrita por um dos ensinadores Cristãos mais eminente [Paulo] para um dono de escravo, enviando a ele seu escravo fugitivo de volta”. Enquanto esteve preso, Paulo conheceu um escravo fugitivo, Onésimo, de propriedade de um Cristão, presumidamente Fílemon. Ele enviou-o de volta para o seu dono. Esta ação é proibida nos Deuteronômios [23:15-16], leia-se:
“Tu não deverás devolver um escravo que escapou de seu mestre e foi para ti”; “Ele deverá ficar contigo, até entre vós, num lugar o qual ele deverá escolher em um de vossos portões, onde ele gostar mais: tu não deverás oprimi-lo”.
 
Ao invés de dar santuário ao escravo, Paulo o devolveu ao seu dono,  não requisitou ao dono que libertasse o escravo , em sua Carta a Fílemon ele teve todas as oportunidades para discutir a imoralidade de senhores de escravos, mas se negou a fazê-los, não viu nenhum conceito de evil em uma pessoa ser dona de outra, como objeto de propriedade.

O que diz a própria Bíblia:
 
1 Coríntios 12:13: “Pois por um Espírito somos todos nós batizados em um só corpo, sejamos nós Judeus ou Gentios, sejamos nós escravos ou livres; e todos fomos feitos para beber em um só Espírito”.
Efésios 6:5-9: “Servos, sejam obedientes a eles que são seus mestres de acordo com a carne, com medo e temor, mas na unidade de vosso coração, como a Cristo; Não servindo à vista como agradando aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo a vontade de Deus a partir do coração;  Fazendo o serviço com boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens: Sabendo que qualquer coisa boa que qualquer homem faça, o mesmo deverá receber do Senhor, seja ele escravo ou livre. E, vós mestres, façam as mesmas coisas para com eles, ameaçando pacientemente: sabendo que vosso Mestre também está no céu; nem há lá respeito de pessoas com ele”.
Colossenses 4:1: “Mestres, dêem aos vossos servos aquilo com o qual é justo e igual; sabendo que vós também têm um Mestre no céu”.
Mateus 18:25: “Mas por tanto quanto ele não tenha pago, seu senhor o comandou ser vendido, e sua esposa, e filhos, e tudo que ele tinha, e o pagamento a ser feito”.
Padres ainda eram donos de escravos:
Marcos 14:66: “E como Pedro estava embaixo no palácio, lá veio uma das escravas do sumo sacerdote”.
1 Timóteo 6:1-3: “TODOS os servos que estão debaixo do jugo, estimem a seus senhores, por serem dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E eles têm mestres acreditadores, não os deixe menosprezá-los, pois que eles são irmãos; mas ao invés, façam o serviço para eles, porque eles são fiéis e amados, participantes do benefício. Estas coisas ensinam e exortam. Se qualquer homem ensinar o contrário, e não consentir para com palavras íntegras, mesmo as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, e a doutrina para com a qual ele está de acordo:  a piedade; [...]”.
Gálatas 3:28: “Não existe Grego nem Judeu, circuncisão nem incircuncisão, Bárbaros, cita, servos ou livres, mas Cristo é tudo em todos”.
 Paulo [Livro de Fílemon]: “Paulo, um prisioneiro de Jesus Cristo, e Timóteo nosso irmão, sob Fílemon nosso querido amado, e irmão trabalhador, E a nossa amada Apphia, e Archippus nosso colega soldado, e a igreja em tua casa: Graça para ti, e paz, de Deus nosso Pai e o Senhor Jesus Cristo. Eu agradeço meu Deus, fazendo menção a ti sempre em minhas orações, Ouvindo de teu amor e fé, o qual tu lançastes em direção a Jesus Cristo, e em direção a todos os santos; Que a comunicação de tua fé possa se tornar efetiva pelo conhecimento de cada coisa boa que está em ti em Cristo Jesus. Pois que nós temos alegria e consolação em teu amor, porque santos são reanimados por ti, irmão. Pelo que, apesar de eu estar muito ligado a Cristo para impor a ti aquilo que é conveniente, Ainda pelo bem do amor eu prefiro suplicar a ti, sendo um alguém tal como Paulo que envelheceu, e agora também é um prisioneiro de Jesus Cristo. Eu imploro a ti por meu filho Onésimo, com o qual unigenitei meus laços; o qual no tempo que passou foi pra ti não lucrativo, mas agora lucrativo pra ti e para mim: o qual eu enviei de novo: tu o recebas, que é, minhas próprias entranhas;  o qual eu  manteria comigo, que ao invés, ele possa ser ministrado a mim nos laços do Evangelho; Mas sem tua mente eu nada faria; que teu benefício não deveria ser como se fosse de necessidade, mas de boa vontade.
Pois que talvez ele, portanto, partiu por uma estação, que tu não devias recebe-lo para sempre; agora não como um servo, mas acima de servo, um irmão amado, especialmente para mim, mas muito mais para ti, tanto na carne quanto no Senhor?
 
Se tu contares comigo portanto como um parceiro, receba-o como a mim mesmo. Se ele errou contigo, ou deve-te algo, bote isso em minha conta; Eu Paulo escrevi isso com minhas próprias mãos, Eu irei repagar-te: Embora eu não diga a ti como tu deves a mim, pra não te dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves. Sim, irmão, deixe-me ter a alegria de ti no Senhor: renove as minhas entranhas no Senhor. Tendo confiança na tua obediência eu escrevo a ti, sabendo que tu também farás mais do que digo. E juntamente prepara-me também pousada, porque espero que pelas vossas orações vos hei de ser concedido. Aqui te saúdam Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus companheiros de trabalhos. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vosso espírito. Amém”. [Escrita de Roma a Fílemon, por Onésimo o servo].
 
Obs.: este texto é uma unanimidade na grande maioria dos filósofos historiadores que defendem os argumentos ideológicos da Igreja Católica no que tange ao Tráfico Negreiro no Atlântico. Já vi muitas interpretações contrárias, mas mesmo as interpretações contrárias admitem que, no mínimo, Paulo foi tolerante com a escravidão. Com relação ao texto, percebe-se que ocorre uma troca de favores entre Paulo e Fílemon, em nome de uma “amizade”, e que o pedido de Paulo é basicamente concluir o processo de evangelização de Onésimo. Seria possível que tanto Paulo quanto Cristo, e isso estaria na Bíblia, instruíram as pessoas a saírem poraí raptando e tornando homens livres em escravos? mesmo sendo um costume de época, digo, não só a escravidão do corpo, digo, uma servidão a nível de consciência, onde estaria implícito o corpo também? Haja visto o que foi falado em Mateus 13 (A Colheita da Mente), e em outras passagens igualmente instigantes(?)...pelo outro lado não falaram absolutamente nada contrário à escravidão. A crítica aqui é sobre aquilo que não foi escrito, e que mesmo nos Evangelhos, não há absolutamente nada contrário a escravidão, de modo que ainda que a Igreja Católica não tivesse tomado realmente parte no processo do Tráfico Negreiro, o suporte ideológico de Paulo garantiria no mínimo a manutenção de um processo escravista no Brasil, pois o conceito de submissão imposta por Cristo defende uma escravidão em Cristo, não atingindo apenas a carne, mas também o plano espiritual. Por isso que a argumentação católica procede, pois argumenta que havia impossibilidade de manter o processo de catequização na África, dadas as dificuldades nos conflitos com as próprias tribos africanas e com a presença Mulçumana no local. A escravidão, nesse sentido, colocada pela religião católica, é o resgate de almas, que de outra forma não conheceriam o cristianismo. Embora Cristo tenha se colocado ele próprio como um ab-rogador, se mostrou contrário, em algumas passagens, à Lei Mosaica. No entanto, no que tange à escravidão, manteve uma neutralidade. Acho que o Messias perdeu uma grande oportunidade de ter encerrado esse assunto.
 
O fim da escravidão não veio por uma visão Bíblica ou mesmo devido ao Iluminismo francês, veio de conceitos econômicos do Iluminismo Inglês, onde o escravo era considerado “improdutivo, oneroso e sem motivação” [Adam Smith, 1777]. O capitalismo encontrou no Protestantismo não só sua Gênesis como um ponto de fuga para a Liberdade no plano Individual.
 
 
O que diz Cristo:
 
Como o próprio Jesus Cristo comandou, na passagem de Lucas 12:46-48:
“Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas aquele que não sabia, e cometeu coisas válidas de açoites, será batido com poucos açoites. Praquele a quem muito é dado, muito dele será requerido: e a quem os homens tiverem acometido muito, dele eles pedirão muito mais”. No entanto, Cristo não era contra o dízimo [conforme visto em 2 Reis 4:1-38, que relata a história de uma viúva que entregou tudo que tinha a Cristo e foi abençoada por isso], apenas a parte do “sacrifício” é que deixou de ser necessária após o Seu sacrifício.
 
Em Matheus 23, Jesus fala [na 1ª pessoa] o seguinte:
“Ai de vós, escribas e Fariseus, hipócritas! Porque vós construístes as tumbas dos profetas e adornaram as sepulturas dos justos, E dizem, Se nós estivéssemos estado nos dias de nossos pais, nós não teríamos tomado parte com eles no sangue dos profetas. Pelo que vós sois testemunhas sobre vocês mesmos, que vós são os filhos daqueles os quais mataram os profetas. Encham-se então da medida de vossos pais. Vós serpentes, vós, geração de víboras, como podem vós escapar da danação do inferno?”
Notas do autor:  esta é uma tradução da Bíblia do Rei James, do latim pro inglês. Jesus, em Matheus 23, demonstra um certo rancorismo, é ofensivo e raivoso perante os Rabinos Judeus [os fariseus], colocando-os como “gerações de desgraçados”, por estes serem “omissos, criminosos, falsos, hipócritas” e os chama seguidamente de “tolos, cegos e serpentes”. Embora os Rabinos ali presentes concordassem ou não com seus antepassados, ele caracterizou a todos como desprovidos de intenções verdadeiras para com Deus. Curiosamente, foi um fariseu, um Rabino Judeu, José de Arimatéia, que o vestiu, comprou um lençol [sudário] com o seu próprio dinheiro, conseguiu autorização pra tirá-lo da cruz, removeu-o de lá ele próprio, enterrou-o e colocou-o em uma cripta de sua família, dando a ele um enterro digno, de um Judeu, enquanto seus apóstolos desapareceram. De outra forma, Jesus seria enterrado fora da cidade e ninguém conseguiria provar se ele ressuscitou ou não, o que contribuiu muito para a validação no seu processo de ressurreição, pois não seria a simples constatação de um apóstolo, mas a de um Judeu aleatório. Independente das intenções Bíblicas nesta passagem, as intenções de Cristo em Matheus 23 são muito claras: reduzir a pó qualquer crença, religiosidade, culto, que não passasse por ele.
 Abaixo algumas frases de Cristo:
1)             Lucas 14:26: “Se qualquer homem vier a mim e não odiar seu pai e sua mãe e sua esposa e seus filhos e seus irmãos e mesmo seu próprio espírito, não poderá ser meu discípulo” (Vulgata: “si quis venit ad me et non odit patrem suum et matrem et uxorem et filios et fratres et sorores adhuc autem et animam suam non potest esse meus discipulus”).
2)             João 15:16-19: “Vocês não me escolheram, eu vos escolhi, e os setei para avançarem e produzirem frutos, para que vocês ataquem suas famílias em meu nome, e que vocês matem 17 estes, e confio a vocês os selecionarem, manualmente; 18 e se o mundo vos odeia, saibam, porque Eu, acima de vocês, também os odiei. 19 Se, independente do mundo, existisse pureza[limpeza], qualquer um escolheria, porque, verdadeiramente, o mundo não é, mas eu vos escolho do mundo, portanto vocês odeiam o mundo”.
(Vulgata: “non vos me elegistis sed ego elegi vos et posui vos ut eatis et fructum adferatis et fructus vester maneat ut quodcumque petieritis Patrem in nomine meo det vobis, haec mando vobis ut diligatis invicem, si mundus vos odit scitote quia me priorem vobis odio habuit, si de mundo fuissetis mundus quod suum erat diligeret quia vero de mundo non estis sed ego elegi vos de mundo propterea odit vos mundus ”) // Ou, como está em Mateus 13: “Se um homem não me obedecer, ele será arrancado como um ramo, e condenado; e os homens o colherão, e o jogarão no fogo pra serem queimados”.
3)             Mateus 18:33-35: “...não serás tu, portanto, piedoso com relação ao teu escravo da mesma forma que fui piedoso contigo[?], 34e o dono, irado, o entregou pra tortura, até que ele pagasse tudo que devia. 35Assim também será meu Pai do Céu com vocês se vocês não retornarem tudo que seu Irmão de Espírito[Eu] deu a vocês”.
(non ergo oportuit et te misereri conservi tui sicut et ego tui misertus sum[?],et iratus dominus eius tradidit eum tortoribus quoadusque redderet universum debitum, sic et Pater meus caelestis faciet vobis si non remiseritis unusquisque fratri suo de cordibus vestris”)
4)             Mateus 10:14-15: “Qualquer um que não vos receba nem ouça suas palavras... deverá ser mais tolerável pra terra de Sodoma e Gomorra no dia do Julgamento, do que praquela cidade”
5)             Mateus 24:37: “Mas assim como foi nos dias de Noé, também deverá ser no dia do Filho do Homem... a cheia veio, e destruiu eles todos. Da mesma forma também foi no dia de Lot... no mesmo dia Lot que saiu de Sodoma choveu fogo e pedra brime do céu, e destruiu eles todos..” [Lucas 17:26-32]
6)             Mateus 7:19: “Cada árvore que não der bons frutos será arrancada e jogada no fogo”
7)             Mateus 10:28: “Temam aquele que é capaz de destruir tanto o espírito quanto o corpo no inferno”.
8)             Lucas 12:5: “Temam Ele, o qual após ser morto, tem poder de jogar-lhes no inferno; sim, Eu vos digo, Temam ele”.
9)             Mateus 11:21-24: “Ai de ti, Chorazin! Ai de ti, Bethsaida!... E tu, Capernaum... deverão ser trazidas ao inferno... deverá ser mais tolerável pra terra de Sodoma no dia do Julgamento, do que pra vocês”.
10)           Marcos 6:11: “Quem quer que seja que não vos receba, nem vos ouça, quando então vocês partirem, chacoalhem a poeira sob seus pés por um testemunho contra eles. Verdadeiramente vos digo, deverá ser mais tolerável para Sodoma e Gomorra no dia do julgamento, do que para aquela cidade”.
11)           Lucas 10:10-15: “Mas em qualquer cidade que vocês entrem, e que não vos receba...deverá ser mais tolerável naquele dia pra Sodoma, do que praquelas cidades. Ai de ti, Chorazin! Ai de ti, Bethsaida!... E tu, Capernaum, as quais estão exaltadas ao céu, deverão ser jogadas no inferno”
 
12)           Mateus 13:24-30: "outra parábola proponho a vocês: façam assim como o poder real dos céus, onde o que quer que o humano semeie, será boa semente em seu campo. O campo é sua propriedade; Mas quando dormiu, um homem inimigo veio e, em cima, semeou zizania no meio do trigo e desapareceu; E enquanto a erva crescia e frutificava, então também apareceu zizania; e quando os escravos se aproximaram do patriarca, disseram a ele "dono, não semeastes boa semente em teu solo? Bom, então de onde veio a zizania?"; e ele disse que um inimigo fez isso. Então os escravos disseram, Você gostaria que a gente vá e colete-as também?; Ele disse, De jeito nenhum, se vocês arrancarem a zizania, arrancarão o trigo.; Deixe que a sorte erradique a zizania de uma vez quando sob o meu comando, mesmo o trigo, deixe que cresça todo o caminho, e no tempo da colheita arranque fora, colete primeiro a zizania, amarre-as num pequeno paquete e queimem elas. O trigo, coletem e tragam pro meu galpão".
 
13)             Mateus 13:36-42: "...Então dispensou a multidão, foi pra sua casa e seus discípulos se aproximaram dele dizendo 'Destranque pra gente a parábola da zizania do campo"; e Ele respondeu 'Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; Mais ainda, o campo é o mundo, em verdade, a boa semente,essa são os Filhos do Reino, a zizania, essa é o filho do Evil; mas tudo que o inimigo semeou é o Diabo, a verdadeira colheita se completa neste século, mais ainda, estes coletores são os Anjos; Assim como agora coleto a zizania e queimo-a no fogo, assim também desta forma deverá ser na consumação do século; o Filho do Homem enviará seus anjos e colherá do Reino da mesma forma todo escândalo e, da mesma forma, todos que causam iniqüidade; e os jogará na fornalha de fogo, e haverá choro e ranger de dentes"
 
A Parábola da Semeadura é crucial dentro dos Evangelhos, pois reproduz o modelo de servo senhor, do mesmo modo Lucas 23 em cima, reforça a idéia de punição, com chicotadas ao servo ruim, do mesmo modo que Mateus 13 propõe a idéia de que o senhor deve cuidar do cérebro, do mesmo modo que o ser humano, na condição de servo de Deus, é o senhor da Terra. Em João 10 ele universaliza o cristianismo, propondo a difusão da ideologia de que não acreditarem em seu nome serão sentenciados a morte, equiparando a Sodoma e Gomorra, e isso linka perfeitamente os Europeus a África.
Em outras parábolas Jesus explica aos seus apóstolos que ainda não receberam o Espírito Santo, que isso só ocorrerá após a sua glorificação. Não existe uma definição de quando exatamente será isso, mas é coerente entender que isso ocorrerá quando a grande maioria o aceitasse, ou, quando todo mundo virasse cristão. Isso atende tanto a escravidão quanto a inquisição. Essas idéias, embora operem num conceito de consciência individual, geram uma passagem intramundana quando aplicadas num universo social, do mesmo modo que cria a idéia de um juiz externo ao indivíduo. Se a consciência, no plano individual, tem o poder de extrair zizania -essa passagem é reforçada no Sermão da Montanha-, no plano coletivo geraria juízes também, com o poder de extrair zizanias também. Cristo teria dito aos seus apóstolos que eles que julgariam as 12 tribos Judaicas, equiparando os judeus a zizanias e botando seus apóstolos na posição de juízes de outras raças. Tais princípios tanto atendem aos princípios da Inquisição quanto os da Escravidão, ao setar uma produtividade em Mateus 13 (quanto maior a colheita, maior a possibilidade de salvação), opera tanto a nível de consciência individual quanto a nível de consciência coletiva (quanto maior o número de evangelizados na terra, maior será a sua chance de salvação pessoal). Em outras palavras, tal pensamento está em perfeita sintonia com a catequese aplicada pelos jesuítas aos escravos trazidos da África, por acreditar que estes só teriam vida em Cristo. Do mesmo modo, as pessoas que morreram na Inquisição estavam na realidade sendo salvas, porque aquele corpo não as pertencia, era do inimigo. Cristo havia dito a Pedro que tudo aquilo que ele soltasse na terra,miséria solto no céu, e isso gera uma responsabilidade institucional. E foi basicamente isso que a Igreja Católica fez, seguiu à risca o imaginário de Cristo.
 
Obs.: as traduções aqui utilizadas foram retiradas da Bíblia Vulgata de São Jerónimo, traduzidas do latim para o português, usando o dicionário de Notre Dame. Ao contrário do que muitos pensam, a Vulgata foi escrita em Latim Clássico, não tinha nada de vulgar. E posteriormente, o latim foi reformado, e enfim surgiu o latim eclesiástico, com o intuito de humanizar Cristo e esconder todo o autoritarismo presente nos Evangelhos. Um bom exemplo é a passagem "amai-vos uns aos outros", o verbo usado não é amare, mas diligati, cuja tradução é "ter consideração por". Cristo usa o verbo amare sempre que descreve o sentimento que o homem deve ter para com Deus, ou com Ele, já que ambos são a mesma coisa. Entre homens só haveria respeito. E faz sentido, pois ninguém pode amar mais sua esposa, pai ou filho, do que amar a Deus. Na linha de coerência, Jesus faz uma enorme distinção sobre o que é um "gostar profundo" e um "amor verdadeiro", ao setar uma hierarquia ou qualificar um sentimento. E é basicamente nesses termos que deve ser entendida a submissão. E é dentro desse contexto que deve ser entendida a liberdade, livre-arbítrio só em Cristo.
 
A analogia da zizania foi utilizada pra compor a proibição do culto do pango, nessa época não existia o conceito de vício, a bíblia toda não fala nada sobre vício, a proibição veio pela ótica da heresia, o amor a outros Deuses, e isso, em termos de Cristo, significa traição. De fato, Cristo não se importa com nada do que você faça, o que comer, o que beber, ou o que vestir, desde que você faça em Cristo. E é desta forma que deve ser entendida a posição da Igreja Católica naquele momento. Mas, se essa era mesmo ou não a posição de Cristo, em minha opinião, sim. Até traduzir a Vulgata do latim pro português, havia dúvidas. Ela representa a mesma posição de muitos escolares, como Santo Agostinho, o primeiro Inquisidor. E igualmente, o pensamento da comunidade protestante, como Lutero e Calvino, que pregavam o anti-semitismo. É curioso como a base de toda Democracia é ditatorial e que, todo processo de se impor uma Igualdade, veio através do terror.
 
                                              
                                              O que diz a Igreja Católica:
 
A catequese aplicada aos negros era diferente da catequese aplicada aos indígenas, por estes já serem livres. Pelo conceito cristão de época, o escravo possuía um papel divino, o de ser escravo.
Por ser o homem branco submisso a Cristo, e já estar em uma etapa mais evoluída em um processo religioso, a imputação de punições e disciplinas associado à catequese eram necessárias nesse processo de transformação do negro, pois somente dessa forma se daria a sua inserção social, ao aceitar Cristo, ele se equipararia ao branco no plano espiritual, abriria mão da sua liberdade na terra, mas ganharia uma liberdade infinita no céu, e dessa forma nasce um laço obrigacional dos senhores de engenho para com o escravo, da mesma forma como do escravo para com seu senhor. Tal relação era regulada pela Coroa, que estava também submetida ao controle Papal. Se de um lado proibia-se os maus tratos, do outro, impunha-se a obediência. Nesse período, os escravos exerciam ainda um pouco de paganismo, exercitando o que restou de sua cultura africana em festas e reuniões, permitidas pelo seu senhor, mas sempre atreladas a datas e festas cristãs, e tal atividade recreacional só poderia ser exercida após participação efetiva nos cultos cristãos. A condição da escravidão deve ser entendida no contexto de uma teologia que remete ao exercício do livre arbítrio humano e da soberania da vontade divina. Para os cristãos o exercício do livre arbítrio consistia numa abdicação desta liberdade finita por obediência aos desígnios do Deus cristão, de quem provinha a liberdade infinita (Pelikan, 2000: 123). Aplicando esta doutrina à questão da escravidão africana, verificamos que o Clero colonial insistia em ser esta, fruto de uma vontade divina estabelecida para a vida do escravo.
O Clero colonial buscou, em seus escritos e determinações, normatizar o tratamento dos escravos dentro dos princípios da caridade cristã. Além dos escritos de Antônio Vieira e Jorge Benci, resultados de sermões pregados a senhores e escravos na sociedade colonial, o texto das Constituições Primeiras do Arcebispado, que apresenta 40 títulos referentes ao tratamento dispensados aos escravos, também se apresenta impregnado desta doutrina.
 
 
 
As Bulas:
 
A Bula Dum Diversas, publicada em 18 de junho de 1452 pelo Papa Nicolau V: Através desta Bula, dirigida ao rei Afonso V de Portugal, o pontífice afirma:
"(...) nós lhe concedemos, por estes presentes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros descrentes e inimigos de Cristo(...)."
No ano de 1455, este mesmo papa, emitiu ao mesmo Rei mais uma Bula Papal [Romanus Pontifex], no qual entregava ao reino de Portugal, seu rei e sucessores, a propriedade exclusiva de todas as ilhas, terras, portos e mares conquistados nas regiões que se estendem desde o “Cabo Bojador e Cabo Nao” (atual cabo Chaunar), ao longo de toda a Guiné e mais além, a sul”, o direito de continuar as conquistas contra mulçumanos e pagãos nesses territórios, de comerciar com os habitantes dos territórios conquistados e por conquistar, exceto os produtos tradicionalmente proibidos aos “infiéis”: ferramentas de ferro, madeira, etc.
Esta bula foi confirmada pelo Papa seguinte, Calisto III, em 1456 (Bula Inter Coetera), na qual o Papa confirmou mais uma vez o monopólio que a Coroa Portuguesa recebera através da bula Romanus Pontifex. Além disso, esta nova bula atribuiu à Ordem de Cristo, cujo chefe máximo era o Infante D. Henrique (o Navegador), todos os direitos exclusivos do cuidar das almas e das transações econômicas associadas à “cura das almas” nas regiões conquistadas e outras que se viriam a conquistar, “do cabo do Bojador à Índia”. As bulas papais revestiam-se de grande significado na Europa desse tempo. As bulas materializavam no texto escrito, a grande autoridade moral do Papa, diretamente vinda da vontade de Deus, o que possuía um grande poder de influência na ética e moral das pessoas. [fonte: http://www.mariosousa.se/Para%20a%20hist%C3%B3ria%20do%20comercio%20de%20escravos%20europeu%20de%20%C3%81frica.htm].
Bula do Papa Sixto IV em 1481 (Bula Aeterni regis): De acordo com a Bula, passado algum tempo os portugueses haviam chegado à Guiné, onde ocuparam várias ilhas e portos, e descobriram a foz de um grande rio. Durante anos haviam guerreado com os habitantes da região até conquistarem várias ilhas nas proximidades. De lá trouxeram para Portugal escravos "guineenses e negros, alguns capturados pela força e outros através de comércio/contrato lícito".
Em minha opinião, estas são as mais importantes. Anterior a estas existe também a Sicut Dudum [do Papa Eugênio IV, em 1434], que condenava tomar cristãos como escravos, mas não os não-cristãos e aquele que se recusassem a se tornar cristãos. Curiosamente, a Igreja Católica se agarra nessa Bula como “prova de que ela era contra a escravidão”, mas o caso é ampla e historicamente conhecido, era muito comum em diversas regiões se capturar convertidos, a Igreja Católica teria dito também que era “contra a escravidão de índios”, porque estes “denotavam mais inteligência e eram mais fáceis de cristianizar”. A Bula assim prossegue:
“Eugênio, Bispo, Servo dos Servos de Deus,
A nossos veneráveis irmãos, paz e bendição apostólica, etcetera.
1. Não muito tempo atrás, nós soubemos através de nosso irmão Ferdinando, bispo em Rubicão e representante dos fiéis que são residentes das Ilhas Canárias, e dos mensageiros enviados por eles para a Sé Apostólica, e através de outros informantes de confiança, os seguintes fatos: nas ditas ilhas –alguns chamaram de Lanzarote –e outras ilhas das proximidades, os habitantes, imitando a lei natural sozinha, e não tendo conhecido previamente nenhuma seita de apóstatas ou hereges, faz pouco tempo que foram levados para a Fé Católica Ortodoxa com a ajuda da piedade de Deus. Não menos, com o passar do tempo, aconteceu que em algumas das ditas ilhas, devido à falta de governantes cabíveis e defensores para dirigir aqueles que vivem lá à observância apropriada da Fé em coisas espirituais e temporais, e para proteger valiosamente seus bens e propriedades, alguns Cristãos (nós falamos disso com pesar, com razões fictícias e agarrando a oportunidade, tem se aproximado das ditas ilhas por navio, e com forças armadas têm tomado cativos e até carregado pra fora das ilhas para terras além-mar muitas pessoas de ambos os sexos, tirando vantagem de suas simplicidades.
2. Alguns desses povos já foram batizados; outros foram até por vezes enganados e menosprezados pela promessa de Batismo, tendo sido feita a promessa de segurança que não foi mantida. Eles privaram os nativos de propriedade, ou tornaram-nas para seu próprio uso, e têm submetido alguns dos habitantes das ditas ilhas a escravidão perpétua, vendido-os a outras pessoas, e cometido outras várias ações evils e ilícitas contra eles, devido ao qual muitos que restaram nas ditas ilhas, e condenando tal escravidão, tem permanecido envolvidos em seus erros formais, tendo voltado atrás em sua intenção de receber o Batismo, apesar disso ofender a majestade de Deus, botando as almas deles em perigo, e causando um mal não pequeno a Religião Cristã
3. Portanto, Nós, a quem pertence, especialmente em respeito aos assuntos mencionados acima, a repreensão de cada pecador por seu pecado, e não desejando passar dissimulando e desejando –como é esperado do ofício pastoral que guardamos –o tanto quanto possível, prover saudavelmente, com a preocupação santa e patriarcal, pelos sofrimentos dos habitantes, buscar o Senhor, e exortar, através do pingar do Sangue de Jesus Cristo derramado pelos seus pecados, um e todos, príncipes temporais, senhores, capitães, homens armados, barões, soldados, nobres, comunidades, e todos os outros de cada tipo entre os fiéis Cristãos de qualquer estado, grau ou condição, que eles próprios desistam dos escritos acima mencionados, causando com que aqueles súditos desistam deles, e os restrinjam rigorosamente.
4. E não menos Nós ordenamos e comandamos todos e cada um dos fiéis de cada sexo, dentro do espaço de quinze dias da publicação destas cartas no lugar onde eles vivem, que eles os restaurem sua prévia liberdade todas e cada uma das pessoas de quaisquer um dos sexos que uma vez foram residentes das ditas Ilhas Canárias, e foram tornadas cativas desde o tempo de sua captura, e quem foi submetido a escravidão. Estas pessoas são pra ser totalmente e perpetuamente livres, e são pra ser deixadas ir sem a exação de recepção de dinheiro. Se isso não for feito quando os quinze dias tiverem passado, eles incorrerão em sentença de excomungação pelo ato por si só, do qual eles não poderão ser absolvidos, exceto na hora da morte, mesmo pela Santa Sé, ou por qualquer outro bispo Espanhol, ou mesmo pelo acima mencionado Ferdinando, a menos que eles tenham primeiramente dado a liberdade a estas pessoas cativas e restaurado seus bens. Nós tomaremos como sentença de excomungação a ser incorrida para um e todos que tentarem capturar, vender ou submeter a escravidão, batizados residentes das Ilhas Canárias, ou aqueles que estão livremente buscando o Batismo, dos quais a excomungação não poderá ser absolvida exceto como foi estatizado acima.
5. Aqueles que humildemente e eficazmente obedecerei estas, nossas exortações e comandos merecem, em adição ao nosso favor, e àquele da Sé Apostólica, e bênçãos que se seguem a partir de lá, mas são para ser possessores de felicidade eterna e serem colocados na mão direita de Deus, etcetera.
Dado em Florença, 13 de Janeiro, no Ano de Nosso Senhor, 1435”.
 
 
Em maio de 1827 o Papa Leão XII passou a Bula Papal Praeclara Portugalia, a qual reconhecia a Independência Brasileira e transferia a Dom Pedro todos os direitos de Padroado previamente garantidos aos monarcas Portugueses. Permaneceram então estritamente unidos a Igreja e o Estado do Brasil [contrário ao que a maioria das pessoas interpretaram]. Isso levou a uma interferência imprópria do Poder Civil na Igreja. Um dos casos mais severos foram os padres Feijó e Antônio Maria de Moura, introduzidos pela Regência, em 1833, para bispos; A indicação deles, contudo, não foi aceita pela Santa Sé, devido aos referidos Padres terem certas idéias em discordância com as da Igreja. Haviam fortes tensões, a ponto de um membro da Câmara propor a separação da Igreja no Brasil, frente ao Vaticano, o qual deveria transferir a autoridade para o Governo. Esta proposta não foi aceita e a questão foi resolvida com a abdicação do Padre Feijó e Padre Moura a mitras episcopais, tendo, portanto, o Governo apresentado novos nomes para o cargo de bispos.
 
 
A Catequese:
 
Escrevendo em 1711, Antonil também faz dura crítica aos senhores de escravos e recomendações quanto ao cuidado com a doutrinação e bem estar dos escravos (Mattoso, 1982: 107-117).“A mudança fisiológica entre os Jesuítas e o Clero, ligado mais diretamente à Coroa, se mostrou necessária pelos fracassos dos Jesuítas em lidar com escravos revoltosos, e a mansidão com que acoitavam escravos fugitivos. Durante o período dos levantes ocorridos em Salvador, nas primeiras décadas do século XIX, o Estado Português, aprovou inúmeros compromissos de irmandades negras, ao mesmo tempo em que reprimia duramente os negros revoltosos. De um lado temos a repressão aos revoltosos que se recusavam a aceitar a escravidão, do outro, um estímulo ao crescimento das irmandades, que agremiavam negros que, no geral, buscavam adaptar-se as regras da sociedade cristã colonial. Os Quilombos dos Palmares – já que estes não aceitaram ser tratados como escravos – são um retrato fiel dessa incapacidade dos assentadores religiosos jesuítas em lidar com a obediência e ordem, necessitando do papel efetivo do senhor de engenho a fazê-las valer dentro da ótica do catolicismo, afirma o autor, o que levou a expulsão dos Jesuítas, em 1759, através do Clero, que permaneceu”.
De fato essa é a interpretação da maioria dos autores, mas a história possui um processo dinâmico, e a interpretação dos jesuítas hoje é bem diferente. Na realidade eles são considerados a tropa de choque da Igreja Católica, e a sua ficha negra é impressionante. Não deixe de ler o tópico “Os Jesuítas”, vai lhe dar uma maior abrangência dos acontecimentos que antecedem a proibição e explicam muitos dos acontecimentos contemporâneos. De fato, a sua fala com o Senhor de Engenho era bem diferente, mas não fugiam à regra da submissão, e o senhor de engenho sendo obrigado a tratar bem o seu escravo, mas para fins didáticos, pois o que se tenciona com o artigo é a visão educacional e como a igreja católica dessa forma justificava a escravidão, e como esse Estado-Igreja estava inserido nas decisões administrativas de um governo, pois tal processo está presente na proibição, por isso essa leitura maçante é necessária para que se entenda a escravidão como uma instituição e não apenas um desvio de conduta de época para fins econômicos. Mas não se confundam, apesar de haver uma representatividade civil por parte do senhor de engenho, ele estava totalmente vinculado ao Estado, e este, à Igreja.
No Sermão XIV, pregado aos pretos de uma Irmandade do Rosário, em 1633, Antônio Vieira faz um lamento em favor da escravidão: “Oh, se a gente preta tirada das brenhas da sua Etiópia, e passada ao Brasil, conhecera bem quanto deve a Deus, e a sua Santíssima Mãe por este que pode parecer desterro, cativeiro e desgraça, e não é senão milagre, e grande milagre!” (Vieira, 1954: 26-27). Como um voto de gratidão, o escravo era “persuadido”, não coagido, a “optar” pela obediência, aceitando o seu destino de cativo. Porque a ação da graça de Deus só poderia ser entendida dentro do exercício do livre arbítrio do homem, sendo necessário que houvesse uma voluntária decisão de obedecer. Assim é que muitos jesuítas no Brasil colonial insistiam na necessidade de catequizar os escravos, tornando-os cristãos, para que pudessem exercer a “liberdade de obedecer”. Assim, a estes caberia suportar com paciência sobrenatural sua condição, sem poder aproveitar-se de nenhuma ocasião para recuperar a liberdade.
A obediência “à inquestionável autoridade de Deus, à qual a raça humana e qualquer pessoa deveria ser submissa”, também deveria estimular os senhores ao exercício da caridade cristã, pois duros castigos e outros instrumentos de coação eram contrários a esta vontade divina (Pelikan, 2000: 120). Estes optariam pela liberdade infinita, ao abrir mão do seu direito exclusivo de senhores - que lhe dava plena autonomia no tratamento dos escravos -, em função do exercício da caridade cristã para com estes, reconhecidos como sujeitos da mensagem cristã a quem deviam o respeito como iguais participantes do corpo de Cristo, a Igreja. O princípio de caridade, fundado na mensagem de Cristo, enfatiza a libertação espiritual do homem e fundamenta-se na doutrina de Paulo.
A estratégia ideológica e visual adotada no período Colonial foi usar santos de cor, como São Benedito e Santo Antônio de Categeró, santos Católicos, que se destacaram no Brasil – em especial São Benedito, que atingiu imensa popularidade – e unidos por um passado comum com legendas marcadas pela escravidão, e pelo fato de tornarem-se dignos do culto católico, por representarem o ideal de obediência, humildade e renúncia que se esperava de pagãos convertidos ao cristianismo. Isso serviria de inspiração. E é nesse sentido que nasce o culto a São Benedito, a Irmandade do Rosário, a Irmandade que mais cresceu no período Colonial, Capelas foram construídas em Igrejas Cristãs para o exercício da fé dos negros, e os negros conseguiram, com o passar do tempo, exercer funções como as de tesoureiro e escrivão, funções inicialmente atribuídas aos brancos por os negros não saberem ler nem escrever.
Como consta nos relatos, à medida que a Irmandade crescia como uma Instituição Católica, passou a exigir direitos de igualdade civil com os brancos, direitos como caixão, esquife e condições pra pagar o funeral cristão, assim como cargos e funções, apoiados inclusive por entidades católicas como o Convento de São Francisco, e muitas dessas petições contestadas por brancos. Mas apesar dessas petições serem contestadas por brancos, a Coroa deu parecer favorável aos negros.
Em 1799, a Rainha de Portugal, D. Maria I, em carta ao Governador da Capitania da Bahia, manda que este remeta ao Administrador Geral da Alfândega a carta em que trata sobre “a facilidade com que os irmãos de S. Benedito defendem perante o mesmo administrador, os pretos e mulatos fugidos de seus senhores para evitar os abusos praticados".
Várias atitudes adotadas por membros negros de irmandades, levam-nos a sugerir que estes haviam compreendido e aplicado à idéia de igualdade com os seus senhores no plano espiritual, veiculada pela Igreja Católica. Dentre os documentos produzidos por irmandades no século XVIII alguns são requerimentos feitos a autoridades civis e religiosas, em especial ao rei português. Em tais circunstâncias estes irmãos agem como súditos do rei cristão, convocado para intervir contra as injustiças dos brancos, em especial dos padres. Muitos conflitos foram resolvidos de forma favorável aos negros dentro do espaço religioso, onde teoricamente negros e brancos eram equiparados. Esta igualdade no plano religioso era o argumento usado pelos confrades negros para reivindicar seus direitos, e adquirir autonomia.
Em resposta a uma destas petições, a rainha, Dona Maria I - após consulta aos seus conselheiros e ao governador colônia, dom Fernando José de Portugal - à frente da Mesa de Consciência e Ordens, instância que tratava dos assuntos religiosos do reino – decidiu-se, com base em critérios que os tornava equiparados [negros e brancos] no plano religioso, exercendo assim o seu senso de justiça em favor dos negros. O elemento que orienta esta decisão política foi construído dentro da religião cristã. A condição de súditos advinha da adesão ao cristianismo.
Nestas circunstâncias, a comunidade cristã, enquanto comunidade espiritual, sob a guarda do rei português, acabou por ser o espaço onde aconteceram muitas das vitórias dos negros, em busca de mais autonomia na sufocante sociedade escravista em que viviam. Os reis portugueses e o Clero colonial impunham, porém, limites a esta igualdade. Para tal, a aceitação da legitimidade da escravidão era critério fundamental, assim como da alforria como mecanismo único para obter a liberdade.
E este episódio é um retrato fiel de como o Direito Civil transmutava por dentro de um Direito Religioso, sua real fonte de poder. Era comum nessa época, ao contrário do que muita gente pensa, o início de uma socialização entre senhores de engenho e escravos, constam nos arquivos inúmeras missas sendo rezadas dos senhores para seus escravos e escravos para seus senhores, e muitas, pagas pelos próprios escravos, assim como também enormes quantias e doações pagas para as festas das Irmandades do Rosário, uma visão social atípica do que é relatado em muitos livros de história do Brasil.
O que se pretende com isso é mostrar que o processo de socialização do escravo através do cristianismo, chegou consolidado no início do século XIX, e que o catolicismo, na época da Proibição, era esmagadoramente a maioria, inclusive, na Constituição de 1824 de D. Pedro, declarava o Catolicismo a religião oficial do Brasil, assim como proibia Cultos e outras religiões contrárias a Fé Cristã. 
 
 
"o escravo [ .... ], sempre que tratado paternalmente
por senhor cuja superioridade social e de cultura ele reconhecesse,
foi indivíduo mais ou menos conformado com seu status."
(Freyre: 1996 [1936], p. 524).
 
O Estado ainda não tinha atingido os conceitos iluministas do século anterior, e o Secularismo ainda existia em uma forma quase Absolutista. Os conceitos civis que separam o Estado da Igreja pela óptica de um Estado Constitucionalista, ainda não existiam, e é óbvio que qualquer inobservância pela comunidade Afro ao modelo escravocrata colonial, seria punido. A cannabis já havia sido plantada no Brasil por um curto período, em 1793, era comum, segundo relatos históricos, até do próprio Gilberto Freyre, que havia uma concessão dada aos negros de plantarem e cultivarem cannabis assim como usá-la, nos intervalos das estações de colheita do açúcar, mas que foi entendida na época como resquícios Africanos, e estaria inserido nas liberdades recreativas dos escravos catequizados, de modo que um culto praticado fora da tutela católica, não seria admitido, seria admitir o paganismo no País, e invalidaria todos os conceitos que justificavam o tráfico e a própria escravidão. Os negros não deixaram a África pra virarem pagãos no Brasil, o catolicismo não permitiria o crescimento de uma outra religião em seu país, além do mais quando 5/4 dessa população eram de cor. A exemplo do que aconteceu nos Quilombos dos Palmares, que em sua destruição em 1795, já constava com 30.000 escravos fugitivos.
 
[ Fontes: Appendix B of Fr. Joel S. Panzer's book, "The Popes and Slavery" (Society of St. Paul, 1996) on page 75 from Baronius' Annales Ecclesiastici, ed. O. Raynaldus (Luca, 1752) vol. 28, pp. 226-227. (Webmaster note: A special thanks to catholicweb.com for this document;
 
 
Outras Considerações:
 
 
O crescimento de cultos sem conformidade com o Cristianismo, praticado por uma população que era a maioria, poderia colocar em risco a própria estabilidade política do Estado, é evidente que a medicina, como já foi falada no tópico A Estatização da Medicina, deu uma cara ideológica de Saúde Pública e Sanitária, mas a verdade é que a suposta criminalidade nunca foi associada diretamente a erva, nunca se conseguiu provar uma relação direta com a erva, problema que persiste até hoje, e o que aconteceu foi que a maioria dos estudos subsequentes, sobre a proibição que se deu no Rio em 1830, foram influenciados pelos acontecimentos do início do século XX, analisam o passado com os olhos do futuro, situação em que ocorreu a disseminação ideológica Americana, a formulação do estudo do “maconheiro”, encabeçada por Dória, sua manifestação na ONU, e seu incrível estudo, que conseguiu correlacionar os efeitos da cannabis aos do ópio. Ademais, a Bíblia tem se mostrado um livro cheio de passagens secretas, não as passagens em si, mas os esconderijos que elas abrigam, de modo que a religião cristã tem conseguido historicamente escapar, a lá Roudini, de suas participações nos acontecimentos políticos.
 
 
O Padroado:
 
 
 “A Igreja no Brasil, durante quase quatro séculos, foi marcada pela instituição do padroado”. Tratava-se de uma estreita ligação do rei de Portugal (e, após a independência, dos Imperadores do Brasil) com o poder eclesiástico, no sentido de que aquele teria certos direitos e privilégios, como nomear bispos, conferir benefícios eclesiásticos ou receber dízimos das igrejas sob sua jurisdição.
A origem do padroado situa-se na Idade Média, ligada a dois fatores: o sistema feudal e as Ordens Religiosas militares.
O sistema feudal: Durante a ldade Média, especialmente no séc. X desenvolveu-se a praxe segundo a qual o Senhor do feudo era o patrono das igrejas situadas em seu domínio. Desse modo, os senhores feudais escolhiam os vigários e curas para as ditas igrejas. No Séc. XVI, visto que os reis da Espanha e Portugal se tinham empenhado na propagação da fé católica nas terras então descobertas, foram-lhes concedidos pela Santa Sé privilégios semelhantes.
As Ordens Militares: Outro fator que se encontra na origem do padroado consiste na formação de Ordens Militares, compostas de leigos que seguiam uma regra de vida aprovada pela Santa Sé. Tendo surgido no tempo das Cruzadas, muito se desenvolveram na Idade Média. Entre elas, destaca-se a Ordem dos Templários, a qual, com o passar do tempo, acumulou muitos bens. Estes foram cobiçados por Filipe, o Belo, rei da França (séc. XIV), que pressionou o Papa, com diversas acusações à Ordem, para obter a supressão da mesma. Esta, de fato, ocorreu na França em 1312. Em Portugal, o rei D. Diniz, com o fim de aproveitar os bens da dita Ordem, formou contra semelhante, a Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo (em 1313, aprovada em 1319), mais tarde unida às Ordens de Aviz e de Santiago.
Em 1456 foi outorgada, pelo Papa Calixto III, à Ordem de Cristo, a jurisdição espiritual nas terras conquistadas (Bula “Inter Coetera”). Com isto o Prior do Convento de Tomar, da Ordem de Cristo, recebia, sobre as regiões conquistadas, os mesmos poderes de um bispo em sua diocese. Este poder, reservado ao Prior de Tomar, foi logo cobiçado pelos reis, que para isso procuraram para si o título de Grão-Mestre da Ordem.
Em Bula de 1516 o papa Leão X concedeu ao rei de Portugal o Padroado sobre todas as igrejas das terras conquistadas. A jurisdição espiritual, porém, era reservada ao Prior do Convento de Tomar. Muitos, porém, interpretaram erroneamente a Bula papal, outorgando a prerrogativa da jurisdição espiritual aos reis de Portugal, que possuíam o título de Grão-mestre da Ordem.
Houve assim abusos da parte da Coroa, especialmente em certas épocas, como o exigir que as Bulas pontifícias (exceto as de “foro da consciência”) fossem aprovadas pela Coroa antes de chegar ao clero português e que os bispos tivessem a concessão da Corte para manter relações com a Santa Sé.
O sistema do padroado, a par desses aspectos negativos, teve também seu saldo positivo, quando exercido dentro dos limites das Bulas: facilitou a ereção de igrejas; providenciou a remuneração do clero e dos missionários e a dotação de dioceses, paróquias, colégios…, favoreceu ainda as missões e a unidade da lgreja nas terras conquistadas”. [História da Igreja – A Igreja e as Missões, 2011].
“A documentação atesta que é solicitada uma maior intervenção, quer do Núncio, quer do Príncipe, nos assuntos sob alçada respectiva, sabendo-se que muitos domínios que posteriormente passaram a ser apenas ou cívicos ou eclesiásticos, estavam então sujeitos a ambas a instâncias, dando, por vezes, origem a desmandos e conflitos de jurisdição11. As grandes alterações do status quo, como a já referida
elevação do Brasil a Reino, as escolhas para determinados cargos eclesiásticos e até as disposições sobre o matrimónio são disso exemplo. Além deste tipo de documentação, chega à Nunciatura um volume considerável de acusações de irregularidades e revelações de intrigas de todo o tipo no seio da Igreja e, em particular, nas comunidades de religiosos locais. A facilidade em aceder ao Núncio terá contribuído para incentivar muitas denúncias que noutros tempos porventura seriam ignoradas”. [Arquivo Secreto do Vaticano, Expansão Portuguesa, Documentação Tomo III, Brasil]. Um vastíssimo conjunto de 6.116 documentos, pertencentes ao espólio do
Arquivo Secreto do Vaticano, eis o que se publica sob a forma de um resumo pormenorizado de cada um deles, com a identificação do autor, da proveniência e da data em que foi escrito. Situam-se cronologicamente entre as últimas décadas do século XVII e as primeiras do século XX; geograficamente cobrem o vastíssimo espaço das dioceses do ultramar português desde os Açores a Moçambique, passando pela Madeira, Brasil, Cabo Verde, Angola, Congo, São Tomé e Príncipe, como parte do Padroado Português Ocidental; obedecem a tipologia repetitiva, que não vai além de uma carta, um requerimento, um ofício, uma simples nota. Por eles perpassa, no entanto, o pulsar da vida quotidiana das cristandades, das pessoas, das políticas religiosas indissoluvelmente associadas às grandes mudanças sociais, às correntes de opinião e aos conflitos de interesses entre os estados europeus. Neles vive a história escrita no correr dos dias e na diversidade multifacetada da mesquinhez e da grandeza de que é feita a existência humana”.
Na Universidade de Coimbra avolumam-se as desordens dos estudantes. Na China acendem-se as perseguições aos religiosos. Está em plena atividade a congregação de propaganda Fide. A Cúria Romana decide assumir a direção imediata da missão da Igreja em África.
Estas são linhas de força importantes. Entretanto, Portugal vai ter de enfrentar as invasões francesas. Com a partida da Corte para o Brasil, toda a administração é feita a partir do Rio de Janeiro para onde se deslocou também o Núncio Apostólico de Lisboa. Grande quantidade de documentos expedidos do Brasil para Portugal, Ilhas, Cabo Verde e Angola, mostram como funcionava um país em plena guerra defensiva com o centro de decisão a milhares de quilómetros de distância, entre 1807 e 1821. [FONTE: ARQSECRETOVATICANO_TOMO_I.pdf – pg.29-32]
O intuito de descrever as relações do padroado no Brasil, assim como o controle da Santa Sé, é para que o leitor perceba o quão próximo Roma estava do Brasil. O final desse processo de Romanização ocorre em 1870, como será visto mais a frente, no tópico A Maçonaria. Mas a idéia é dar um host de informações, e que se perceba como a sociedade participava, compactuava, e que tais “mandos” ou “desmandos” da Coroa não eram feitos sem a bênção do Papa, que embora existisse o Padroado propriamente dito, digo, as escolhas serem “feitas pelo Rei”, ela não existia se o Papa não concordasse. Esse é um fato negado por muitos historiadores que tentam de todas as formas desvincular a Religião do Estado, e o que se pede aqui é que se atente pela coerência, é ilógico pensar que o esforço brutal da Santa Sé na Colonização em algum momento estaria alheia a qualquer coisa contrária à educação, principalmente no que tange a moral, os desrespeitos aos Cânones, principalmente por parte de sua estrutura hierarquizada Papal. Tal fato não existiu, como mostram os Arquivos Secretos do Vaticano, recentemente disponíveis a qualquer profissional de nível superior. E embora se tenha poucos relatos que comprove tais conversas entre o Bispo do Rio de Janeiro e Dom Pedro, onde se pudesse caracterizar uma influência direta da Santa Sé nas decisões administrativas, outros fatos aqui relatados irão compor esse blend de informações que dão suporte a acreditar que tais atos existiram e afetaram a vida e a sociedade nos episódios de 1830. Um dos melhores exemplos sobre a monitoração da conduta moral do povo brasileiro no que tange à Fé Católica, é a Inquisição, talvez muitos não saibam mas ela existiu aqui no Brasil, e é um contrato fiel de controle da moral nos moldes católicos, que sempre existiram e sempre vão existir. É lamentável supor que a Democracia que conhecemos é erguida por tais acontecimentos históricos, e igualmente triste saber que a escravidão fez parte de tal processo, e que teve consentimento da Igreja Católica Romana. Não é apenas entender como parte da dinâmica histórica em busca de um ideal político em que pese a nossa própria sobrevivência frente a modelos econômicos que prometem prosperidade e soluções do problema da fome, mas constatar que tacitamente cada um de nós validamos a existência de tais aberrações, pois ninguém em sã consciência rejeitaria toda a modernidade que hoje temos, o mundo que conhecemos, e aceitaria voltar a um estado primitivo na hipótese de que tal passado negro fosse evitado. Não há de se estranhar que no futuro, a exemplo do que aconteceu com a cannabis, outras aberrações que estão sendo praticadas sejam validadas como fruto de um aprendizado. Quem sabe no futuro, não é de se esperar muito da humanidade, mas pode ocorrer, que a matança de árvores seculares, como a destruição da própria Amazônia, sejam entendidas como gestos brutais de uma civilização ignorante, que não sabia o que estava fazendo. Nenhuma Lei tem o poder de alterar o passado
 
A Inquisição:
 
Iniciada no período medieval (século XIII), a Inquisição era constituída por tribunais que tinham o objetivo de julgar aqueles que representavam alguma ameaça à doutrina católica (hereges), segundo a Igreja Romana. A morte na fogueira e prisões perpétuas ou temporárias eram algumas das penas impostas aos condenados. Não se chegou a estabelecer no Brasil nenhum tribunal da Inquisição, estando o país sob a jurisdição do tribunal de Portugal, localizados em Évora, Lisboa e Coimbra. Por este motivo, todos os processos inerentes à colônia (relatados pelos Bispos, que nesse caso eram os inquisidores, e dispensavam bastante atenção aos cristãos novos, que, por sinal, preocupavam bastante a Coroa durante o século XV), eram levados para a Corte e a Inquisição ocorria por meio de visitações, que visavam principalmente os locais mais populosos da colônia.
A partir de 1536, no reinado de D João III, quando foi instaurada a Inquisição em Portugal, os cristãos-novos tornaram-se o principal foco da perseguição inquisitorial. Obrigados a converterem-se ao catolicismo por D. Manuel, eram suspeitos de ―judaizar‖ escondidos. O tribunal então vigiava-os e punia-os para garantir o cumprimento da ortodoxia e a imposição da fé cristã aos chamados conversos judaizantes.
 
 
‘Arrependo-me e peço perdão porque pequei’, "Pela primeira vez em dois anos de martírio, Guiomar Nunes disse o que os inquisidores queriam ouvir. A multidão reunida na praça do Comércio, em Lisboa, na tarde de 17 de junho de 1731, gritava contra os hereges, enfileirados diante de um palanque, onde se encontravam autoridades políticas e religiosas. Diante de 3 mil pessoas eufóricas, um a um, os sete réus foram chamados à contrição uma última vez. Acusada de judaísmo, a pernambucana entre eles resistiu muito antes de confessar. Enfrentara interrogatórios duríssimos na prisão. Suas palavras derradeiras, porém, não bastaram para o Tribunal do Santo Ofício. O inquisidor se ajoelhou no tablado montado para a ocasião e, enquanto os auxiliares retiravam-lhe a capa e o barrete, os condenados eram aspergidos com água benta. Em seguida, receberam suas sentenças. Aos 47 anos, Guiomar foi garroteada - estrangulada com uma espécie de torniquete -, e seu corpo, consumido no meio da praça por chamas de até 6 m de altura. Ao pedir perdão, conseguiu evitar que fosse queimada viva. Do outro lado do Atlântico, no Engenho de Santo André (na atual Paraíba), o vendedor de latas Luís Nunes de Fonseca acabara de se tornar viúvo, com oito filhos do casal para criar.
Guiomar morreu em Portugal porque o Brasil não torturou ou fez arder seus hereges em fogueiras. Mas ela foi delatada e presa em um processo iniciado por aqui. E não foi a única. Por mais de 200 anos, a Inquisição católica atuou nas terras da América portuguesa. Estimulou delações e criou um clima de terror nas principais cidades por meio dos temidos visitadores e de auxiliares locais, integrantes do clero. Prendeu e enviou para a Europa pessoas que dificilmente voltavam à terra natal. Quem não foi condenado ao degredo e perdeu todos os bens acabou, como se dizia na época, purificado pelo fogo. A exemplo de Guiomar e dos outros condenados queimados com ela, que nem sequer puderam ser enterrados, suas cinzas foram espalhadas ao vento.
 
Jesuítas – Uma Breve Introdução sobre sua Estrutura:
 
A sociedade de Jesus [S.J., também conhecida como os “Jesuítas”], é uma Ordem religiosa Cristã da Igreja Católica fundada em 15 de Agosto de 1534 por Inácio de Loyola e primeiramente reconhecida pela Bula Papal Regimini militantes ecclesiae em 27 de Setembro de 1540.
Sua formação foi aprovada por Francis Borja, [também conhecido como Borgia/Borga], duque de Grandia, neto do Papa Alexandre VI e patrono de Inácio de Loyola.
Enquanto tecnicamente monges, a Constituição da Ordem era única no que isentava os padres de viverem em monastérios. Ao invés disso, os monges Jesuítas eram para viver “dentro do mundo”. Apenas os Padres Dominicanos que eram os chefes torturadores da Inquisição e a Igreja Católica é que podiam, naquela época, ter tais liberdades.
Em Outubro de 1538, o Pontífice Romano Paulo II [III] (1534-1549) passou a Bula Papal chamando para a Igreja Católica Romana se tornar a principal instituição de “ensinamento” para o mundo, enquanto também reconstituía os Freis Dominicanos. Aos Jesuítas foi então garantido o Hospício Inglês como seu primeiro seminário e colégio de educação na história como o Collegium Anglicus [ou, Escola de Inglês], a qual foi reconstituída em 1579 como Colégio Pontifício de Inglês.
Em Fevereiro de 1551, antes do recomeço do segundo período do Conselho de Trent [1551-52], o Pontífice Romano Julius II [III] (1550-1555) cedeu o Colégio Romano ao controle dos Jesuítas e Inácio de Loyola como Superior General [1541-1556] garantindo seus quartéis na base da Colina Capitolina.
 
Em 1556 o Colégio Romano [também conhecido como Universidade de Roma] já estava sobre o controle Jesuíta, em 1584 se tornou o “Grande Universo Pontifício”; e dentro do “grande universo”, uma série de “colégios” foram ou formados ou reconstituídos para a maioria das línguas e regiões de povos a partir de 1579, incluindo a Inglaterra [1579], Alemanha e Hungria [1580], Grécia [1579], Polônia [1583], Escócia [1601], Irlanda [1628], Bélgica [1844], França [1853], América do Sul [1858], América do Norte [1859], Croácia [1863], e poraí vai.
Graças ao Papa Gregório XIII, os Jesuítas eram a única Ordem Religiosa com o poder para conduzir comércio e serviços bancários. Os Jesuítas, sob o comendo de Peter Claver S.J. eram também instrumentais no desenvolvimento do comércio de escravos da África para o Brasil.  Aproximadamente meio milhão de escravos foram embarcados e chegaram sob a guarda de Peter Claver S.J. Mais tarde os Jesuítas transformaram Claver de um dos piores mestres de escravos da história em um Santo Padroeiro dos escravos.
Com a morte do Papa Pio VI em Agosto de 1799 como prisioneiro francês, o Cardinal Conde Barnabá  Chiaramonti foi eventualmente eleito como Papa Pio VII, em 14 de Março de 1800. Enquanto inicialmente em termos aceitáveis com Napoleão tendo garantido uma Concordata em 1801 e atendendo a sua coroação em 1804, ele foi, em 1808, tornado prisioneiro da França, não por intriga dos Jesuítas, mas agora pelo próprio Napoleão.
Após a campanha Russa desastrosa ter enfraquecido suficientemente o poder de Napoleão, o líder Jesuíta Tadeusz Brzozowski [primeiro General Superior após a restauração dos Jesuítas, que havia sido extinguida pelo papa Clemente XIV - ele próprio treinado pelos Jesuítas – através da ordem Dominus ac Redemptor] encontrou-se com o Papa Pio VII na prisão em Jan/Fev. de 1814 e garantiu um acordo com o Papa para restaurar completamente a Ordem Jesuíta e garantir novas terras e direitos na Ásia. Sobre o acordo, os Jesuítas (1)arranjariam a soltura segura do Papa mediante a prisão de Napoleão, a qual ocorreu em Abril de 1814; (2) Que os Jesuítas não tomariam mais ações contra nenhum Papa e manteriam seu pleito de lealdade; (3) O Papa retomaria o controle de todos os territórios Papais e (4) Que alguns fundos da Igreja Católica controlados pelo Vaticano seriam devolvidos.
 
Subsequentemente, a Sociedade Jesuíta foi restaurada para o mundo pela Carta Papal “Solicitudine Omnium Ecclesiarium” em 14 de Agosto de 1814.
 
“Dos dez milhões de pessoas que atravessaram o Atlântico até 1800, oito milhões e meio eram africanos escravizados[...]”
 
[Hubert Cloke [Reitor da Universidade], Brown University, USA]
 

http://dl.tufts.edu/catalog/tufts:UA005.001.070.00001 ]

 
MOTIVOS INTERNOS:
O que aconteceu em 1831 com a abdicação de Dom Pedro, reflete o cenário Europeu, de um Anti-Absolutismo e uma retomada de controle da Igreja Católica sobre os países ditos Papais, através de Bulas Papais dos Papas Leão XII, Pio VIII e Gregório XVI, que seguiam em concordância com as Bulas Papais do Papa Pio VII, que era basicamente a volta da Monarquia e o fortalecimento do Catolicismo. Esses fatos são vistos pela continuidade da Inquisição Espanhola que durou até 1839, e na França a Revolução de 1830. Portugal seguia seu namoro histórico com a Inglaterra, hoje é sabido historicamente que Napoleão invadiu Portugal com a participação do Vaticano, um acordo conjunto feito com os Jesuítas, a “tropa de choque” da Santa Sé. Teriam sido eles[jesuítas] também  os responsáveis pela revolta do Quebra-Quilos em Pernambuco, historicamente os jesuítas nunca saíram na realidade do Brasil, apenas entraram clandestinamente no Nordeste quando foram expulsos. O episódio é muito interessante porque mostrava algo que já vinha acontecendo no Brasil, D. Pedro teria se tornado Maçom, assim como José Bonifácio, seu braço direito. O Brasil sempre viveu pressionado, tanto pela Inglaterra como pela Santa Sé, e nesse momento, mesmo seduzido desde a época do império pelo Liberalismo, teve que ceder às pressões e amarras da Santa Sé. Historicamente, consta que uma tropa Inglesa formada por 7000 homens chegou a Portugal e deram 48 horas para Dom João VI deixar Lisboa, e suas recomendações eram: ou ele acompanhava os oficiais ingleses numa viagem, ou eles ocupariam o território, uma vez que Napoleão já havia invadido a Espanha e já estava muito perto de Portugal. O período compreendido de 1822 a 1830 deveria ser o mais relevante no ponto de vista Político, nos fatores internos, mas de fato não há nada no âmbito social que explique a proibição. Encontramos muitos elementos, mas de impacto econômico, são basicamente três grupos que não chegavam a formar partidos, pois não existiam partidos nessa época, historicamente seriam os exaltados, os moderados e os absolutistas. No primeiro grupo estavam os liberais, que queriam não só a independência, mas o controle Legislativo, tornando Dom Pedro uma figura de papelão, muito parecido com o nosso sistema atual. O segundo grupo, os moderados, ao qual pertenciam Dom Pedro I e José Bonifácio, defendia uma Monarquia Constitucional, e o projeto original feito pelos Andradas foi rejeitado, o que gerou a “noite da agonia” e o que culminou com a Constituição outorgada de Dom Pedro I. O terceiro grupo, os absolutistas, é confuso, não tinham uma vontade política bem determinada, comungavam tanto de idéias liberais quanto moderadoras. No plano espiritual, não há como separá-los ou individualiza-los.
O período pode ser melhor resumido pelo esforço do Brasil em conseguir sua soberania frente as nações européias, coisa que o fez, com muitas negociações, as mais interessantes são com a Inglaterra e o Vaticano.
 
 
No início do século 20 a maconha também foi acusada de representar uma vingança dos negros pelos sofrimentos causados durante a escravidão. [Um dos incríveis argumentos de Dória, provavelmente devia estar alcoolizado quando falou isso, mas eu concordo com ele, os negros não estavam satisfeitos definitivamente pela forma tão cordial e democrática, quase religiosa, com que foram retirados da África, afinal não foram tantos, só quinze milhões, as intenções eram boas e os planos os melhores possíveis pra eles, principalmente essa viagem nos navios negreiros, as acomodações eram as melhores possíveis, isso sem falar na gentileza com que eles eram tratados, não é de se surpreender que muitos morriam no caminho]. Fico pensando se eles sabiam quais os motivos dessa viagem, se sabiam que os motivos eram religiosos, se tivessem sido notificados previamente  muitos teriam concordados em serem batizados desde que pudessem ter continuado no berço de seu lar, grande África, junto com suas famílias, mas certamente alguém lhe diria que Cristo tinha um plano em suas vidas, com certeza  alguns diriam “se existe um destino pronto pra mim, eu gostaria de ver minha carta de sentença e ver se foi Cristo que assinou..”, independente das concordâncias dos eventos e qual a finalidade do ato em si, a escravidão é algo que assombra as nossas mentes, mas fico realmente tocada quando as interpretações desse ato brutal são minimizados. Confesso que saí modificada ao longo desses anos lendo esse vasto material. No final dessa tese disponibilizo a todos também todas as fontes as quais achei mais relevantes, vale apena ler, a escravidão é algo que não pode jamais se esquecer, e pediria desculpas a toda a comunidade Afro, se elas tivessem insistido em permanecer em sua ancestralidade, mas, ao adotarem Cristo como patrono e se submeterem a uma consciência cristã, é desconsiderar completamente todo o processo histórico que levou a essas condições. O racismo sempre existiu e sempre vai existir em nosso país, não é só jogador de futebol. E a explicação é bem simples: Religião. Etnias diferente possuíam religiões diferentes, e foi basicamente isso que dividiu o ser humano entre senhores e servos, e não a sua condição de animal.
 
 
 O CANDOMBLÉ:
 
O Candomblé foi fundado no Brasil da segunda metade do século XVI à primeira metade do século XIX, o primeiro terreiro de Candomblé surgiu na Bahia no ano de 1830 [Jensen, 2001:2].
No entanto, a partir das décadas de 70 e 80 do mesmo século, os jornais dessa região apresentam, com alguma regularidade, em suas páginas policiais, matérias sobre cultos de matriz africana. De fato, nos jornais Correio Mercantil e Jornal do Comércio, de Pelotas, bem como no jornal Gazeta Mercantil de Rio Grande, pode-se ler notícias, infelizmente as mais recorrentes sendo de prisão de "feiticeiros" e "feiticeiras", como esta: “Foram presas à ordem da delegacia, duas pretas feiticeiras que atraíam grande ajuntamento de seus adeptos. Na ocasião de serem presas, encontrou-se-lhes um santo e uma vela, instrumento de seus trabalhos [...]". (Jornal do Comércio, Pelotas, 9/4/1878, p. 2 apud Mello, 1995:26).
Quanto ao mito fundador do batuque, há duas versões correntes: uma que afirma ter sido o mesmo trazido para esta região por uma escrava, vinda diretamente de Recife; e outra que não associa a um personagem, mas às etnias africanas que o estruturaram enquanto espaço de resistência simbólica à escravidão.
Novamente, as principais fontes de referência são os jornais que reportam ações policiais contra os terreiros. Lilian Schwarcz transcreve, por exemplo, reportagem do Correio Paulistano, de 30/11/1879, intitulada "Os feiticeiros do RS - a Grande Caçada". Diz a reportagem:
“A polícia tomou ontem em uma casa 42 pretos livres e escravos e 11 pretos minas. A caçada deu-se às 10h30 da noite no momento em que o preto João celebrava uma sessão de feitiçaria. Foi uma surpresa e um desapontamento que aqueles fiéis crentes jamais perdoarão a polícia [...]. A polícia apreendeu cabeças de galo e outros manipansos. Os principais atores da indecente comédia foram recolhidos à cadeia e os escravos castigados” (Schwarcz, 1989:126]. Inútil dizer que as perseguições aos terreiros não deixam de expressar um certo medo branco diante do “poder de manipulação das forças sobrenaturais por parte dos escravos e seus descendentes” . Obviamente que a perseguição era sempre precedida de um conjunto de estigmas lançados sobre essas religiões, visando justificar aquele procedimento.
O Candomblé no Brasil, descende de Iyá Nassô Oyo Akalagmabo, de acordo com o estudo “África, berço do Candomblé”, parte V, que descreve o desembarque da realeza na Bahia.
“[...]Ela deve ter sido a fundadora do culto a Airá Intile, uma das qualidades de Xangô. Iyá Nassô, por sua vez, era uma das figuras mais nobres do império de Oyó, responsável pelo culto ao orixá do rei, mas é provável que ela tenha chegado em terras baianas somente mais tarde, por volta de 1830, com a missão de comandar a união das diversas divindades africanas em um único templo religioso. Muitos adeptos da casa começam a contar, a partir daí, a história da fundação do candomblé, desde que todos os orixás passaram a ocupar o mesmo espaço sagrado. Em homenagem a esta matriarca ancestral, o título africano da Casa Branca ainda hoje é Ilê Iyá Nassô Oká, a casa de Iyá Nassô. Reza a tradição iorubá que Iyá Nassô retornaria mais tarde à Nigéria, para reconstituir alguns elementos do culto e provavelmente para adquirir tipos vegetais, minerais e animais necessários nas cerimônias religiosas[...]”.
O grupo liderado pela princesa Iyá Nassô Oyo Akalagmabo foi capturado no reino de Ketú e trazido para o Brasil nas condições de escravo. No Brasil o grupo se libertou da escravidão, devido ter descoberto que Iyá Nassô se tratava de uma princesa e o exército de Ketú estava a caminho da Bahia para libertá-la. O grupo de Iyá Nassò partiu para um lugar deserto na época, que foi aonde Iyá Nassô fundou na roça da Barroquina o Ilè Asé Iyá Nassô Oká ou Casa Branca do Engenho Velho, chegando então oficialmente ao Brasil o Candomblé. A Casa Branca do Engenho Velho foi a primeira casa de Candomblé a ser fundada no Brasil, hoje estima-se que o templo tenha mais ou menos 400 anos de existência.
O Ilè Asé Iyá Nasso Oká foi perseguido durante anos pelos guardas das fazendas de senhores de engenho e guardas que vieram de Portugal exclusivamente para combater a nova religião que havia sido implantada no Brasil. Além de ser perseguido pela Coroa Portuguesa, o Candomblé foi perseguido durante anos pela Igreja Católica, que afirmava que o Candomblé era uma religião onde era cultuado o Diabo.
Iyá Nassô junto com o seu grupo que fundou a Irmandade da Boa Morte ainda na África achou outro espaço para implantar no Brasil também a Irmandade da Boa Morte.  Ainda com seu grupo Iyá Nassô e todos seus descendentes espirituais lutaram contra todos os obstáculos postos para a perpetuação do Candomblé.
Nesse momento, o sentimento é que “cravei!”, mesmo sem concluir a obra, diante de todo o exposto e, contando com a má vontade do leitor, é impossível dissociar o Pito do Pango de um combate a cultos de matrizes Africanas. Mas para que não pairem dúvidas, uma vez que a cannabis já é réu no Pito do Pango, e a tentativa de dissocia-la das religiões africanas assumiu uma postura exclusivista racista, e pela maioria dos cristãos [inclusive os próprios descendentes africanos, hoje já cristianizados] por uma atitude que em meu entender é inexplicável, diante do exposto, meu sentimento é de cansaço, ainda que tente respeitar as liberdades de consciência e as opiniões adversas dos acontecimentos históricos, recolho a minha opinião e deixo que no presente a coerência fale por si só. O intuito nunca foi de perturbar a fé de ninguém, mas um espírito de honestidade, de alguma forma, de tudo que prega o Cristianismo, deveria ser este o sentimento que deveria prevalecer, e não uma omissão com a verdade. Esqueçam que isso se trata de um usuário indignado, pois em meu simples pensamento, a planta já existia mesmo antes que o ser humano existisse e ela vai continuar existindo mesmo depois que ele deixar de existir. Era dessa forma que a comunidade Afro deveria se sentir com sua ancestralidade perdida.
Dando sequência a minha linha de coerência, faço um questionamento oportuno: e a cannabis era usada nos rituais de Candomblé? Sabe-se que usavam a cachaça, vamos aos fatos mais uma vez:
 
Sua vinculação ocorreu da seguinte forma:
A Cannabis é considerada planta Exu, sendo consagrada a esta Divindade. Exú é o mensageiro entre os humanos e os deuses, entre o profano e o sagrado em partes expressivas das religiões de matriz africana no Brasil, como o candomblé e a umbanda. É Exú quem leva as oferendas aos orixás – o alimento – e traduz os anseios humanos à linguagem divina, assim como as respostas das divindades aos humanos. Ele, no entanto, sofreu modificações interpretativas desde os primeiros contatos dos colonizadores, com as formas de religiosidade que recorriam a Exú no próprio solo africano.
De mensageiro dos deuses, Exú será ressignificado pelo colonizador como um correspondente do Diabo do Catolicismo, a indicar o suposto grau de “inferioridade” dos que progressivamente vieram a compor a base da mão-de-obra escrava não só no Brasil, mas em grande parte do novo mundo. O que esta presente explicação demonstra é uma reflexão acerca dos processos de dominação emergentes do projeto colonial sobre os grupos subordinados por meio do choque entre os sistemas de crença africanos e o sistema de crenças do catolicismo de base colonial; ao mesmo tempo em que esta análise
implicará numa revisão da estereotipada linearidade na relação vertical entre colonizador e colonizado, onde o primeiro ocupa sempre o inquestionável papel do exercício de poder, e o segundo é representado por um corpo inerte que não contra-argumenta as estruturas de poder em que está inserido. Exú e as suas diferentes interpretações temporais representam não só um orixá, mas antes uma mitologia acerca de um mensageiro dos deuses. que é expandida desde o interior da dicotomia “nós” e “eles” do processo colonial. Numa revisão crítica deste processo, Exú pode ser entendido não só sob o papel de mensageiro dos deuses – como reza a sua mitologia, mas também como um mensageiro da história e das lutas entre os diferentes interlocutores do projeto colonial no Brasil.
Exú é um dos orixás fundamentais nos trabalhos realizados em muitas das religiões brasileiras de matriz africana. Enquanto os orixás no candomblé (oxúm, iemanjá,xangô, oxossi, ogum, iansã, dentre outros) representam uma relação entre o “profano” e o “sagrado” intimamente ligada às forças da natureza, então trasladadas a significados transcendentes das qualidades humanas refletidas nas mitologias dos orixás, as entidades espirituais na umbanda (caboclo, preto-velho, cigana, boiadeiro, pomba-gira, dentre outros) assumem igualmente esta posição, porém pela própria formação histórico-social religiosa e do seu papel de resistência identitária, tais entidades mantiveram uma maior proximidade aos humanos. Notase, sobretudo na umbanda, uma relação de “dependência”: se por um lado os humanos necessitam das entidades para evoluírem espiritualmente, o mesmo ocorre reflexivamente com as próprias entidades, que ao ajudarem os humanos, libertam-se de seus “débitos” espirituais e evoluem com eles.
 
     

As duas figuras representam respectivamente: a primeira, resultado da imagem do exú nas religiões de
matriz africana que se apropriaram do discurso colonial, daí o sincretismo com a imagem do demónio
ainda vigente nos terreiros de umbanda; a segunda, reflete uma aproximação ao que seria a imagem
originária de exú na costa oeste africana, com o falo – ou ogó – que tanto pavor gerou no imaginário do
colonizador. Os autores das fotos são desconhecidos.
De fato, pode-se aventar que a associação entre um apetite voraz e o grande falo faz de exú uma divindade voltada para o imaginário do prazer e/ou erotismo – e logo “pecado” – ainda que não sejam essas as suas principais características. No entanto, para um colonizador reprimido pelo ideário canônico-romano, cujas imagens divinas são corporificadas na negação do prazer e do próprio corpo, travar contato com uma divindade que de forma tão visível se relaciona com seus adeptos por meio de imagens exacerbadamente sexualizadas parece apontar aqui para um marco no processo de demonização desse orixá. Nesse sentido, o sistema escravagista que vigorou no Brasil subentendia o menosprezo de práticas religiosas, saberes, percepções identitárias e linguísticas da miríade de povos então identificados com a barbárie. Somente assim poder-se-ia justificar dominações e imposições culturais europeias que resguardavam os seus interlocutores como civilizados. Essa perspectiva será melhor trabalhada mais adiante. Mas importa aqui reforçar o quão o pensamento colonial, que não remete apenas à colonização portuguesa, mas ao processo como todo, seja espanhol, inglês, etc., demarca-se por perceber nos povos colonizados uma não-existência que é derivada das próprias concepções de “humanidade e de dignidade humana” que se convencionou nesse período entre os séculos XV e XVI: “os humanistas (…) chegaram à conclusão de que os selvagens eram sub-humanos” (Santos 2009: 29).
Essa “desumanização” do outro perpassa sua totalidade fazendo com que o que viesse como produto da sua existência no campo cultural, moral, social, histórico, enfim, fosse entendido também como uma expressão de desumanidade, comprovando a tese do colonizador de que se trata de bárbaros.
Não é por coincidência que exú foi “eleito” pelos colonizadores como peça fundamental para demarcar os embates de tantos povos que tinham como fundamentação do cotidiano atividades religiosas – as quais feriam profundamente o sentido ético e o imaginário cristão.
Assim, exú reúne todos os atributos para que o colonizador imponha uma imagem a ser refutada como um demônio e, portanto, mais do que uma simples ressignificação do papel a ser desempenhado por esse orixá, tal demonização representa o embate entre imagens rebaixadas que o mundo colonial impôs ao colonizado, permitindo um controle sobre o outro então desprovido de humanidade.
 
“A concepção do “demônio” – figura pela qual foi montado o discurso de inferioridade de grande parte dos atos religiosos africanos segundo a perspectiva do colonizador – foi gerada antes mesmo da sedimentação da igreja cristã como a concebemos atualmente. A figura do “mal” foi essencial em sua teologia para justificar o impacto e a intervenção em face de outros modos religiosos que se
prestavam a explicar a condição humana ou mesmo o sentido da vida. Para Carlos Roberto Nogueira “era necessária, para a coletividade cristã, a existência e a encarnação do mal. Era preciso que fosse visto, tateado, tocado, para que o bem surgisse como a graça suprema – o belo e o divino, em oposição ao horrível e demoníaco” (1986: 79).
De certa forma, essa interpretação está dentro do contexto onde se deu a Proibição, mas foi uma visão muito pequena do que é o Cristianismo mesmo. A figura do Diabo explica os motivos da submissão, seja por um desequilíbrio psicológico frente a morte, a doenças ou vícios, a impotência contra um “mal”, como aplacar um sentimento como a solidão, a palavra chave é a segurança, ela é a resposta ao medo, e no âmbito da segurança no escopo de um unitarismo ou monoteísmo propriamente dito, qualquer diferença ou existência de outros Deuses entram em conflito direto com a Ideologia Cristã. Estes foram os reais motivos da Inquisição e das Proibições.
 
“Interiorizou-se no imaginário cristão a necessidade e a própria figura do demônio. Em outras palavras, pode-se dizer que para a própria ética cristã assumir um sentido coeso deveria oferecer aos súditos algo a que temer em contraposição à redenção. A ideia de “bem” estaria em si mesma vazia sem a ideia de “mal”.
Mais uma vez, embora dentro da crençologia Cristã, a figura do Diabo é muitas vezes vendida na frente, e as perdas a ele associadas e condicionadas ao lado vencedor, no âmbito da Escravidão esse pensamento é falho, pois se trata de Heresia. A Igreja Católica Romana não tirou o escravo da África pra virar Pagão no Brasil, à medida que os escravos recém-chegados entravam em contato com os escravos já Cristianizados, reatava a África em seus corações. E à medida que estes cultos se espalhavam no Brasil e o risco de uma africanização ocorria, colocando em risco até um Sistema Político, a Santa Sé resolveu dar um basta, como já foi explicado pelas Bulas Papais.
 
Foi falado que a cachaça é uma invenção Brasileira, inclusive foi um sucesso e muito usada nas relações de troca por escravos, inclusive o álcool chegou a ser proibido no Brasil por diversas vezes, mas todas as proibições estavam associadas a motivos econômicos, digo, existiam motivos religiosos também, mas os interesses do vinho português sempre foram a explicação mais aceita. Não há provas documentais de que a cachaça era usada nos cultos de candomblés em seus primórdios, uma vez que o primeiro terreiro é datado de 1830 e nenhuma documentação faz presente quanto ao seu uso nessa época, é sabido que os escravos faziam uso recreativo de cachaça, da cana de açúcar, inclusive alguns historiadores indicam que teriam sido eles acidentalmente os descobridores da mesma, de modo que não é difícil supor que ela passou a ser a droga substitutiva usada nos rituais de matrizes africanas, onde é muito comum você ver em uma encruzilhada ou despachos em cachoeiras, praias e etc., uma garrafa de cachaça em meio a uma oferenda, mas dificilmente você vai ver uma belota de cannabis associada a tais rituais, como também não é difícil supor que as violências, segundo alguns historiadores relatam [Dória, por exemplo], provenientes dos cultos africanos sobreviventes ainda por volta de 1870 na cidade do Rio de Janeiro [onde nessa época não possuía uma infraestrutura urbana e contava com uma superlotação], tais violências estivessem associadas ao álcool e não a cannabis porque esta já havia sido proibida e substituída pela cachaça nos cultos. E curioso é que os cultos africanos que existem até hoje na África, como os Bena Riamba, ainda utilizam a cannabis em seus rituais. Tal “desaculturamento” pode ser melhor entendido e explicado dentro deste processo histórico e desastroso, à Umbanda, um culto genuinamente Brasileiro, de matriz Africana.
 
 

A UMBANDA (A `Nbandla):
 
 


 
 
 
 
 
 
AUM significa "A DIVINDADE SUPREMA"; BAN significa "CONJUNTO OU SISTEMA"; DAN significa "REGRA OU LEI"; A UNIÃO destes princípios radicais, ou AUMBANDAN, significa "O CONJUNTO DAS LEIS DIVINAS".
 
“A palavra bantu ou `nbantu “`Nbandla” quer dizer em sua acepção principal “a congregação mais antiga”. Esta associação ou congregação mais antiga certamente assumiu este nome público, em outro tipo de sociedade, para separar-se, ou não ser confundida com uma outra associação, esta sim, por certo, “mais nova”. Poder-se-ia supor que seus adeptos deste modo fixavam sua prioridade e certamente estavam a indicar um grau de pureza, distinta daquela ou daquelas associações mais novas [...]”.
            Nos anos (18)40 e (18)50 foi constante a referência, nas páginas dos jornais do Rio de Janeiro e São Paulo, de reuniões de pretos (nomes dos negros de então), com finalidade aparente de praticar a religião. Tais reuniões, quando descobertas ou denunciadas, eram dissolvidas a pata de cavalo ou a golpe de bastões policiais, sendo seus praticantes recolhidos presos, quando não logravam fugir. A partir dos anos (18)50, é nítida a separação de semelhantes “pagodes”, sempre destruídos, em duas famílias, o Candombe ou Candomblé e a Macumba ou Imbanda. Aparece, portanto, pela primeira vez (1853) a `Nbandla bantu como ramo independente das religiões ou “cultos” afro-brasileiros.
            Todos já sabem, mas é bom recordar que “Candomblé” é uma corruptela para “dança com tambores”, dito depreciativamente “barulho de tambores”. “Macumba”, por sua vez, palavra bantu, vem de CUMBÊ ou KUMBÈ, com qualquer grafia significando “dança de tambores”. O prefixo MA oferece-lhe ênfase, podendo ser traduzido como “muito poderosa”. Tratava-se, portanto, em ambos os caos, de uma dança mágica, mística ou religiosa ao som de tambores, que as autoridades instituídas não desejava preservar. Os mestres antigos dessas religiões afro-brasileiras diziam que só os viventes podem arrastar o pé no chão quando dançam, daí decorrendo o caráter sagrado do terreiro, ou do piso de terra (a terra era então importante), onde se davam as práticas religiosas.
            Quanto ao nome de “pagodes”, eram dados por deboche pelas autoridades policiais, em virtude do caráter enfeitado e complicado dos rituais e dos instrumentos de culto ali evidenciados. Os objetos eram recolhidos ou ali mesmos destruídos.[...] A `Nbandla foi assim uma ideologia social de importância nas condições do século XIX, em função do grande número de componentes dos povos Nbantu, que na realidade sócio-cultural de então conformavam as populações locais brasileiras. No que se refere às aproximações com outras religiões, a destruição massiva dos elementos de culto e dos rituais eliminou a possibilidade de uma reconstituição dos caminhos culturais percorridos [...],Os cânticos (ou “pontos”) expressam assim uma parte congelada das relações religiosas inter-étnicas, que necessitariam para ser corretamente datados de – ao menos – uma preservação de amostras da estatuária sagrada ao longo das gerações. Dessa, ainda hoje – o pouco que resta se encontra nas mãos da polícia. Por isso, torna-se muito difícil chegar à definição dos lugares específicos das identidades religiosas, com uma teoria adequada do papel das identidades eventualmente duplas ou triplas, nas fases históricas precedentes (da época contemporânea)”.
A palavra Umbanda começou a aparecer no Rio de Janeiro por volta de 1920 para designar vários cultos sincréticos. No Angolano, linguagem quimbundo, contudo, ela significa a “arte de curar”. A umbanda se estabeleceu nas Federações Umbanda funcionando em Rio Grande do Sul [1926], Rio de Janeiro e São Paulo [em 1941, 1961 e 1973].
Uma particularidade dos templos de Umbanda de antigamente, e que hoje já não mais vigoram, reside no fato de que a abertura dos trabalhos era efetuada por uma linha que hoje não mais encontramos: a linha das Yaras que se apresentavam arrastando-se pelo chão, como o fariam as sereias em terra seca, e promoviam a limpeza do templo utilizando-se de água (idem).
No mais, na umbanda do Rio Grande do Sul são cultuados "caboclos", "pretos-velhos" e "crianças" (Ibeji), aos quais não são realizados sacrifícios de animais. Outrora era também cultuada a "linha", ou "povo do oriente", hoje quase em extinção. Segundo a representação dos umbandistas, tratavam-se de entidades bondosas, bastante evoluídas e que transmitiam vibrações puras. Seus médiuns, incorporados, adotavam a postura corporal e os gestos dos povos do Oriente: chineses, indianos, árabes e ciganos. Nos trabalhos da casa de Pernambuco Nogueira manifestavam-se duas entidades indianas: Brahmayana e Nargajuna.
Hoje o "povo cigano" foi transformado em Linha de Exu. Quanto aos guias orientais, manifestam-se em poucas casas que trabalham com o que denominam de Junta Médica.
 
LEGISLAÇÃO COLONIAL:
 

1603 [Ordenações Filipinas, Livro V]: Criminalizava a heresia, punindo-a com penas corporais [Título I]; Criminalizava a negação a Deus ou blasfêmia de Deus ou dos Santos [Título II]; Criminalizava a feitiçaria [um adendo: assim também eram conhecidos os rituais africanos no Brasil], punindo o feiticeiro com penalização corporal [Título III]; Teve Vigência até 1830
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1810 [Tratado de Comércio e Navegação, Tratado de Amizade e Aliança e o Tratado dos Paquetes]: O Brasil se comprometeu a gradualmente reduzir o comércio de escravos até a sua total extinção em 1830. Em troca, a Inglaterra reconheceria a Soberania Política do Brasil e garantiria que a Santa Inquisição não seria instalada no Brasil.

 
 
 
 
 
 
1824 [Primeira Constituição do Brasil, em seu artigo 5º]: “A Religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a Religião do Império. Todos as outras religiões serão permitidas com seus cultos domésticos, ou em casas privadas destinadas a isso, sem nenhuma forma exterior de templo”.
Seguindo-se da promulgação da Constituição de 1824, Dom Pedro I enviou o Monsenhor Francisco Correia Vidigal a Roma para obter o reconhecimento da Independência. Apesar da Constituição ter garantido os direitos de padroado ao Brasil, Monsenhor Vidigal foi instruído a recebe-los diretamente da Santa Sé.
 
 
 
 
 
 
1830: [Primeiro Código Penal do Brasil – Código Criminal do Império]: Punia a celebração de cultos de confissão religiosa que não fossem a Oficial [art.276]; Proibiu a “zombaria” contra o culto estabelecido pelo império [art.277] e criminalizava a manifestação de idéias contrárias à existência de Deus [art. 278].
 
 
 
 
 
1832: Decreto Lei de 21 de Fevereiro de 1832 – Obrigava os escravos a se converterem à religião Oficial. Um indivíduo acusado de feitiçaria seria punido com sentença de morte. Tratava o trabalho escravo como Arsenal de Guerra da Corte e previa a atuação de um Capelão que, “além de fazer a celebração da Missa aos Domingos e nos Dias Santos, instruíam a escravidão nos princípios da Religião Cristã”.
 
1834: Código de Posturas da Cidade do Rio de Janeiro [chamado Leis, Avisos e Posturas Municipais]: Garantia a Religião Católica Romana o privilégio de religião oficial, merecendo destaque.
 


Considerações Finais:
 
A tese aqui proposta é dividida em dois blocos. De fato, não encontrei uma Concordata assinada entre o Vaticano e o Governo Brasileiro em 1830 que proibisse explicitamente a cannabis, até porque, como foi falado a ênfase não era a proibição da cannabis, mas dos cultos Africanos. Mas o período dispõe pouquíssimos dados históricos, se constituindo no maior empecilho para qualquer historiador, mas isso não significa que tal documento não exista, haja visto que o Vaticano, ao longo da história -e isso vale pros dias atuais- omitiu, recolheu, disponibilizou cópias alteradas, escondeu, manteve sigilos, e somente agora, com o advento da internet, documentos que haviam sido escritos em outros idiomas e, à medida que a história começa a ser rescrita e as amarras da censura começam a ser rompidas, essas informações estão vindo à tona, por novas teses profissionais, mais gabaritados e menos comprometidos.
Por isso, vim catar essa concordata no futuro e mixar com a sociedade do passado, onde a relevância das leis e da forma como os acontecimentos de época ocorreram, é perfeitamente coerente: uma intervenção católica de fato ocorreu.
Ao maconheiro, eu diria que ele é um idiota em ser tratado como um doente e aceitar a regulação da semente. Daqui algum tempo, o que ele vai fumar de fato, será intragável, e o princípio ativo da cannabis, o THC, será inexistente, tanto faz o que ele vai comprar ou plantar, já terá seu DNA corrompido.
Atualmente já existe um banco mundial de sementes. E o pensamento que está por trás disso é a idéia proposta em Mateus 13: "Qualquer coisa que cresce selvagem e que não passou pela mão do homem, faz parte de uma natureza corrompida em suas origens".
E todo processo sanitarista que se iniciou com a Medicina Legal, que resultou em uma natureza industrializada, química, altamente tóxica, são resultados de uma tentativa pra compor o imaginário de Cristo.
 
 
“A Natureza não nos engana, nós que nos enganamos” [Rousseau]
 
A colheita da mente:
Então o homem apareceu no campo carregando uma semente, e o efeito resultante foi o aparecimento da serpente. Então ele respondeu que ela veio do além, do além do campo, do além da mente.
[Anne Henriques]

 

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